POR que a pressa, foi a pergunta com que terminei o primeiro texto desta série. A pergunta tem a ver com o seguinte: o ataque dos americanos, franceses e ingleses foi feito antes da comprovação de que o gás sarin, supostamente produzido pela Síria foi usado no tal ataque. Na posse de provas inequívocas de as tropas sírias usaram de facto um químico para gazear pessoas indefesas, estaria justificado, sem quaisquer espinhos o ataque retaliatório.

Há uns tempos, aqui neste espaço, falamos sobre o valor da vida. Nessa altura, fizemo-lo para reflectir sobre o problema dos acidentes de viação que, infelizmente, continuam a chacinar muita gente. Diariamente, desde há tempos, eles entram-nos em casa de forma inesperada e violenta através dos ecrãs da TV.

O Zimbabwe celebrou no passado dia 18 de Abril, o 38º aniversário da independência do jugo colonial britânico, sob o signo de uma nova era, um novo Zimbabwe, num evento cuja tónica foi a recuperação económica, a dignificação política e social e a necessidade de os zimbabweanos arregaçarem as mangas para, o mais cedo quanto possível, sararem as feridas da administração Mugabe.

Não é que seja uma grande novidade falar de interrupções no fornecimento de energia eléctrica da rede pública. Há coisas de tecnologia que nem sempre podemos prever. Sem medo de exagerar, assumo que todo o moçambicano tem pelo menos uma história de vida relacionada com apagões. Porém, há histórias arrepiantes que o homem faz e que me sinto na obrigação de denunciar, quanto mais não seja pela minha condição de jornalista, que muitas vezes obriga a ver, ouvir, e não calar…

Quinta-feira, perto das 20 horas. De repente, o quarteirão inteiro é despejado numa densa escuridão que nem a lua, que reclamava protagonismo, conseguia camuflar. No perímetro, viam-se luzes acesas nalgumas casas, e até nas ruas, desmentindo a hipótese de ter sido um corte geral. Na verdade, é mais confortável perceber que o corte de energia é geral, e não aos quarteirões, porque quando é geral, há sempre algum “poderoso” que se insurge, acabando por influenciar a rápida solução do problema.

Infelizmente, este corte durou pelo menos 24 horas, resistindo a todas as participações que foram caindo no Piquete, e notificadas a gestores a vários níveis da Electricidade de Moçambique (EDM), na província de Maputo. Com a insistência que foi sendo feita, lá se restabeleceu a energia, cerca das 20 horas do dia seguinte. Porém, foi sol de pouca dura pois a energia só resistiu por 24 horas, sensivelmente. Para desespero das centenas de clientes concentrados naquela área, veio mais um corte, cerca das 18 horas do dia seguinte, numa altura em que a noite de sábado acenava e prometia.

Foram numerosas as chamadas feitas ao Piquete para perceber o que estava a acontecer com a rede. Porém, e porque ninguém da EDM parecia estar certo do que estava realmente a acontecer, as respostas que vinham eram do tipo “a nossa equipa está a caminho…”, e outras promessas afins, umas mais ridículas que outras… Energia que era boa, só regressou na madrugada do dia seguinte, domingo, quando todos dormiam, frustrados por mais uma noite de sem piada!

Sol de pouca dura, esta energia voltou a “sumir” cerca das 10 horas da manhã, desencadeando uma nova vaga de frustração. Outra vez, foram accionados o piquete e alguns gestores da área operacional de Maputo para ver se, no mínimo, ajudavam a assegurar o direito dos consumidores a uma informação fiável sobre o que se estava a passar.Nicles!

A repentina presença em peso de equipas da EDM na zona, com várias viaturas mobilizadas, chegou a dar a impressão de que o assunto seria resolvido rapidamente. Porém, até que a equipa descobriu que, afinal, os problemas tinham origem na própria qualidade da linha e das ligações que foram sendo feitas nalguns domicílios a coberto de esquemas, foi-se o dia todo.

Cerca das 18 horas 20 horas decidiram que era necessário substituir cerca de centenas de metros do tal cabo que tinha queimado e cabo em consequência de falcatruas feitas na rede. Porém, e porque a zona operacional da Machava, onde mora o problema, não disputa de cabo torçado para fazer a substituição, foi necessário recorrer a Infulene, uma operação que se prolongou pela noite de domingo adentro…

Outra vez, fizeram-se dezenas de telefonemas à procura de explicações que confortassem, pois a espera estava a ser longa demais, e estava eminente mais uma noite, a quarta consecutiva, nas trevas. Quando a equipa regressou ao bairro estava perto das duas horas da madrugada de segunda-feira. Era preciso pular da cama para acompanhar a operação, e dar acesso às nossas instalações. Na verdade, quem não esteve por perto, pode ter acordado com electrodomésticos danificados, pois o regresso da energia, àquela hora, não foi de todo “pacífica”. 

Depois de testemunhar todo aquele “chove-e-não-molha”, ficou mais claro para mim que há uma anarquia revoltante nalguns sectores da EDM na província de Maputo, sobretudo nos seus serviços de piquete. Deu para perceber que aquela malta é capaz de tudo, incluindo fazer uma baixada monofásica no lugar de uma trifásica devidamente contratada, para depois desviar os materiais restantes para os seus esquemas, e lavrar relatórios enganosos para os seus gestores.

Só isso pode explicar o relaxamento com que estes gestores aguardam, nos gabinetes por estes relatórios falaciosos e enganosos. Percebi também que, apesar da aparente ubiquidade das equipas de piquete da EDM, ver uma viatura daquela empresa a passar, não significa hipótese de solução de problemas, por mais pequenos que sejam, ou que pareçam! Aparentemente, ninguém fiscaliza ninguém!

Decididamente, alguém deve colocar ordem naquela casa, porque a continuar assim, um dia acordaremos quando da EDM tiver ficado apenas o nome, porque a vocação, os recursos e proventos estarão completamente sob controlo de pequenos grupos de “artistas”.

Decidi não calar as palavras ao que sinto, depois de tudo que testemunhei, pensando nos milhões de clientes pelo país fora que, passando por situações piores, podem não ter como fazer ouvir a sua voz e reclamação, acabando por se sujeitar a humilhações e por vezes até extorsões.

É também por esses todos que decidi colocar o dedo na ferida.

Resta saber o que vai acontecer.

PS.: Curvo-me perante aqueles zelosos e honestos trabalhadores da EDM; que dão valor ao trabalho e que reconhecem a importância do cliente nas suas vidas… Sei que não são poucos!

Júlio Manjate-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

SEMANA passada, Stella Pinto Novo Zeca cumpriu mais uma etapa da sua governação aberta e inclusiva, escalando a zona norte da província de Gaza, iniciando o périplo no distrito de Chicualacuala e terminando em Mabalane, com passagem por Mapai.

Como já é sabido, nas suas deslocações, para os distritos, a governadora preza bastante a interacção com as populações, abordando questões do fundo social, onde se nota a sua paixão pela agricultura, pecuária e infra-estruturas.

A província de Gaza é líder, no país, em termos de criação de gado bovino, contando com cerca de 500 mil cabeças, grande parte das quais na zona norte. Em alguns postos administrativos, há casos em que temos mais bovinos do que pessoas, razão pela qual se aconselha muito a criação de mais e melhores condições para a sobrevivência destes animais, que são uma grande fonte de riqueza.

Por falar em riqueza, a abundância do gado bovino nem sempre corresponde ao nível de vida dos respectivos criadores, facto que entristeceu a governadora. Há muito boi, ou seja, muito dinheiro, mas que não é reconhecido, em razão de um romantismo difícil de entender. Muitos criadores, com dezenas de cabeças nos seus curais, continuam a viver em condições precárias, com habitação deplorável e sem conseguirem investir na educação dos seus filhos, matriculando-os noutros distritos que tenham internatos, para o prosseguimento dos seus estudos.

A governadora de Gaza ficou bastante sensibilizada em Tchale, no distrito de Chicualacuala, quando se deparou com exemplos de dois cidadãos que têm excelentes casas, de construção convencional, no meio de um povoado cuja maioria dos habitantes cria gado. Quando quis saber de onde vinha o dinheiro para as tais construções, disseram-lhe que era da venda de algumas cabeças. Sensibilizada, pegou neste exemplo e espalhou-o, durante os comícios, para outros povoados que a seguir visitou. Aliás, nem é necessário que se dizime a manada, para se melhorar a vida.

De igual modo, foi de louvar o facto de ter constatado, na Escola Secundária de Mapai, que uma das alunas que estuda e reside no mesmo internato é de Chicualacuala. Frequenta a 12ª classe e é através da criação e venda de gado que os seus pais custeiam os estudos.

Estes dois exemplos, se multiplicados por todos os criadores de gado, podem tornar estes povoados auto-suficientes, principalmente em termos de habitação, porque o dinheiro está lá, mas “escondido atrás dos bois”.

Em algum momento lembrei-me da máxima segundo a qual a pobreza pode estar nas cabeças das pessoas, porque, de facto, muitas famílias destes distritos da zona norte de Gaza não são pobres. Podem até não serem ricas, mas têm o mínimo para levarem uma vida condigna. O Governo tem feito a sua parte, com a construção de represas, bebedouros, bem como mangas para o tratamento de gado. Haja colaboração.

Afinal, temos alguma riqueza, o que falta é o seu reconhecimento e dela se desfrutar.

César LangaEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Acordo ou memorando de entendimento, ou seja, o que for e como queiram chamar, não deixa de surpreender o recente anúncio público do relacionamento futuro entre a Confederação das Associações Económicas (CTA) e o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC).

Com pompa e circunstância, no momento de aporem as suas assinaturas em papel branco de neve, alguma comichão no cérebro: de quem terá sido a iniciativa? Não importa, podendo-se, no entanto, presumir-se que ela tenha vindo da CTA e nesse sentido entender-se que ela mesmo parte, de maneira desfraldada, para abraçar esse combate que se tornou um cancro dentro de muitas instituições do Estado.

É de esperar que esta atitude possa vir a trazer resultados positivos, entendido que os empresários, na sua maioria, poucas vezes escapam à teia da corrupção, que têm de alimentar para o êxito de suas actividades, muitas das vezes prestando serviços ao Estado. E se a corrupção deve ser entendida como envolvendo funcionários e agentes do Estado em actividade, provavelmente o Serviço Nacional das Prisões terá de fazer uma pressãozinha ali ao homem vizinho da marinha, já que precisará de alguma gordura no seu orçamento para edificar mais penitenciárias. E terá que ter cuidado, sobretudo o júri que vai avaliar os concursos para o apuramento do empreiteiro, para o fornecedor de equipamentos, como ainda das pessoas responsáveis pelo lançamento de tais concursos, que muitas vezes sopram os valores envolvidos, de modo que determinado concorrente apresente números muito vizinhos dos orçamentados, nalguns casos em detrimento da qualidade da obra/serviço.

Olha que isto pode até ser um falar de mente doentia, com dificuldades de encontrar positividade em certos eventos, mas que não deixa de constituir uma ousadia tamanha, esta aliança, isso não deixa. Mas ousados somos nós. Senão não teríamos alcançado o que alcançámos, não teríamos merecido o que merecemos. Não importa se de bom ou de mau. Aliás, esta coisa do bom e do mau não existe. Ou se existe, depende do ângulo em que tal é olhado.

Pode até não ser verdade que o Gabinete Central de Combate à Corrupção não nos tenha brindado com casos de corrupção envolvendo empresários e funcionários e agentes do Estado, mas é pouco crível que eles não tenham existido. Não existam. Mas, na verdade, desejável é que não existissem. Ou ainda, o desejável é que deixem de existir, o que não vai ser fácil. Até porque os moçambicanos não detêm o monopólio da corrupção. Aliás, escolas de corrupção abundam pelo mundo que nos sustenta sob todos os aspectos.

É também de pensar que o GCCC, na consciência das fragilidades económicas do país, observasse alguma tolerância e achando que já é tempo de mudar de atitude, se aproximasse da CTA e lhe propusesse esta colaboração de modo a que possa agir por dentro e ir engaiolando muitos filhos dos homens ao serviço público de maneira menos ordeira. Agindo por dentro de modo a que possa mitigar práticas corruptas por parte do sector empresarial.

Há, no entanto, um risco que deve ser acautelado, já que não deixa de espantar que um empresário, um homem de negócios, que raramente declara na efectividade a sua renda, a mercadoria que importa para efeitos fiscais ande aos beijos com um polícia que o fiscaliza e que o pode meter na gaiola, que o pode ir à bolsa sem dó nem piedade. Um risco. O risco de a CTA, no seu próprio interesse, no interesse dos seus associados, ensaiar fórmulas de gerir os “homens da Gemo”, o que também pode ser o falar do tal de sempre dúvidas, mas que a motivação dele é apenas de querer saber.

É de acreditar que esta é das nunca imaginadas ousadias do sector empresarial, de homens de negócios, partirem, eles mesmos, para o combate do que a muitos deles sustenta. É um despertar. Um despertar não egoísta e que se julga deve ser enaltecido.

Pelo mundo fora, são gritantes exemplos de empresários envolvidos em esquemas de corrupção e que a sua actuação atirou para a lama homens mundialmente admirados.

Dêmo-nos então por bem por não termos empresários com essa vocação.

Dêmo-nos então por bem por não termos funcionários e agentes do Estado agindo fora dos princípios éticos.

CTA E GCCC, o casamento perfeito de que se esperam bons frutos.

PS: O meu perdão por este tipo de escritos, que não são o forte deste espaço. Mas de vez em quando…acho que vale a pena.

Djenguenyenye Ndlovu

VAMO-NOS servir do acidente de viação ocorrido na manhã de sábado, na Estrada Circular de Maputo, para fazer algumas considerações acerca dos transportadores semi-colectivos de passageiros, vulgo “chapa-100”.

Breves

Editorial

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Primeiro Plano

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O jazz é a escola onde esta geração dá aulas
Quarta, 25 Abril 2018
A construção de uma obra de arte é um exercício aturado, que envolve um investimento alto, estudo e, se tratando de performance, constante ensaio. Foi o que ficou claro nas apresentações dos três instrumentistas que actuaram, há dias, na primeira edição “Jazz no Franco”. Ler mais..

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