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TEMOS testemunhado o que está a acontecer no seio da Renamo, mormente, no que tange à liderança deste “partido”, que tem várias pessoas a mandar e a falar em nome do conjunto. O que sobressai nisto tudo é a ausência do exercício do poder pelo respectivo presidente, Afonso Dhlakama.

Aliás, Afonso Dhlakama tenta remar contra a maré através das salvadoras teleconferências, que têmservido de simples assomos à superfície para tentar apalpar o poder que já lhe escapa, e que anda nas mãos dos seus subordinados que estão literalmente se marimbando para ele.

Primeiro vamos tentar perceber o que é poder. Hayward apud PERISSINOTTO (2003, p.38) diz o seguinte: “o poder deve ser entendido não como algo que uma pessoa poderosa tem, mas como um conjunto de mecanismos sócio-políticos que funcionam no sentido de limitar o campo de acção de todos os agentes sociais, até mesmo daqueles que a literatura chama de poderosos.”

Nesta visão, podemos ter a figura de António Muchanga como quem na verdade exerce o poder dentro da Renamo, tomando em conta que ele é que literalmente dá as ordens, tanto para os homens da Renamo matarem pessoas, assim como para observarem um cessar-fogo momentâneo. Aliás, todos somos testemunhas disso.

Assim, embora Dhlakama pense que é poderoso, e que manda algo na Renamo, na verdade o seu poder está limitado, e o seu campo de acção se circunscreve somente onde ele está, não tendo acesso aos seus membros, recursos e prestígio que os seus homens na cidade tem, estando essa prerrogativa a ser exercida por António Muchanga que se apresenta como o mais poderoso da Renamo, tanto junto do corpo diplomático assim como dos opinion makers e do povo em geral.

Como dissemos, depois do fim de cada teleconferência, toda a opinião pública vira-se para Muchanga para ouvir a última palavra, porque é ele na verdade que tem demonstrado ser quem dá o último status da Renamo.

Há outras partes que tentam remar contra esta realidade que é dada a ler à sociedade pela Renamo, casos da deputada Ivone Soares, que, embora de uma forma tímida e diplomática, tem tentado demonstrar que a liderança ainda está em Afonso Dhlakama, não aceitando estoicamente este golpe que é dado ao líder do seu partido, fazendo um trabalho paralelo de revitalização das bases com os olhos fixos num Dhlakama renascido.

Porém, a opção dela de não fazer uma confrontação directa demonstra a sua incerteza de como vai terminar este braço de ferro pela liderança da Renamo, e consequentemente, pelo acesso aos recursos que essa liderança dá; falo do prestígio junto da opinião pública e das chancelarias que estão e escutam o que está na cidade, entre outros aspectos que a liderança de facto oferece num partido político.

Entende-se, esta postura diplomática da jovem deputada, tendo em conta as incertezas internas, que tem em Afonso o principal baralhador, se tomarmos em conta que só basta a sua presença na sede do poder para exercê-lo de facto dentro da Renamo, e dissipar equívocos.

Aliás, esta situação dúbia já toma conta não só dos mais encostados a Dhlakama, mas de toda a opinião pública, embora de uma forma inconsciente, o que faz com que haja dispersão de créditos, dependendo da forma como se aborda a Renamo: se como partido político, se como um grupo de homens armados.

A verdade é que a Renamo tem a sua maior força social como um partido político, e não como grupo armado, e é por isso que a liderança de Muchanga é mais forte que a de Dhlakama, se for para tratar assuntos sérios, tais como parcerias, financiamentos, aconselhamentos, e “coligações” para o acesso ao poder de uma forma legítima, que, diga-se de passagem, é a forma mais sólida e internacionalmente mais suave.

Por outro lado temos o Bissopo que é (era) o verdadeiro cérebro e o elo de ligação entre os fazedores anónimos da instabilidade, liderados por Dhlakama (?) e a actual chefia máxima da Renamo liderada por António Muchanga.

Este que já esteve ao lado do seu “chefe”, e sentindo as dificuldades que lá existem, aliado ao facto de poder perder o assento na Assembleia da República, optou por voltar à cidade, onde tenta manter um canal saudável de comunicação entre os liderados por Afonso Dhlakama e os liderados por António Muchanga. Mas pelos vistos ainda há dificuldades, porque o líder da ala militar ainda recorre às teleconferências para marcar a sua posição.

Assim, Bissopo foi acoplado à ala citadina, aliás, ele experimentou a vida dura que o seu líder leva no mato, e também já experimentou a vida na cidade, e ele não é tão parvo para abandonar as suas benesses de deputado, as facilidades da vida na cidade em comparação com as do local onde se encontra Dhlakama, e certamente, usando a Racional Choice Theory, ele não poderia aliar-se a Dhlakama  no mato onde se encontra. Ele fez uma escolha racional.

Aliás, esta escolha racional fizeram quase todos os quadros seniores da perdiz, abandonando o sacrificado Dhlakama no mato, com todas as dificuldades que fazem com que ele vá se debilitando a cada dia que passa, pois a idade do kota já não permite gincanas que ele fazia quando era jovem.

Estes membros seniores, capitalistas com interesses vários pela cidade, com casas e famílias sólidas, com responsabilidades sociais nas suas zonas de residência, não iriam abandonar este status para se atirarem no meio do mato, somente para dar chapadas a mosquitos e comer carne assada com racionamento de sal.

Eles descobriram quem podia fazer isso por eles, e ainda saírem com as suas imagens mais fortificadas, tanto na opinião pública, assim como nos parceiros deste “partido”: essa pessoa é Afonso Dhlakama.

Assim, com a sua arrogância peculiar, Dhlakama está servindo interesses dos seus subordinados, e está se sacrificando para que estes vivam uma vida social mais calma, com o seu futuro mais ou menos garantido junto dos moçambicanos, enquanto ele como líder vai servindo de peão que é empurrado de acordo com as vontades e os interesses destes seus subordinados.

Dhlakama não perde somente a liderança formal da Renamo, mas perde o seu status, a sua base de apoio interna no partido pela emergência de novas lideranças de facto, perde a harmonia familiar, perde a saúde, perde o seu desenvolvimento como pessoa, aliás, enquanto ele perde, os outros, os seus subordinados, vão ganhando e consolidando tudo isso.

Em suma, Dhlakama foi driblado e foi transformado em bode expiatório para que certas pessoas (seus subordinados) ganhassem notoriedade, tanto dentro da Renamo (liderança), assim como nos parceiros (financiamentos e parcerias), na opinião pública (carisma), e até na família (respeito familiar e consolidação de laços).

Não achamos que Dhlakama entenda esta dinâmica, porque convenceram-no de que o que ele faz é o certo, e que tem um apoio forte no seio dos moçambicanos, e tudo o que seja contrário a isso não o poderá convencer a tomar nenhuma outra postura.

A recuperação de Dhlakama, a abertura da sua visão para o presente, vai depender muito do seu atributo, da sua capacidade de introspecção e da vontade de viver o presente e suas dinâmicas, o que nos parece remoto, porque os que o usam como seu escudo humano, farão de tudo para que ele não ressurja, e que continue onde está e como está.

Assim, o afogamento de Dhlakama é a salvação da actual liderança da Renamo que já tem um plano “B” desenhado, que inclui atirar todas as culpas para Dhlakama e sua teimosia. Não, eles não vão fazer nenhuma ruptura porque isso corta todo o aproveitamento que possam fazer (e que estão a fazer), das bases que Dhlakama firmou junto dos que acreditavam nele como alternativa política. Eles vão usar estas bases contra o seu criador, e daí vão tirar o mel.

 

Américo Matavele  

 

*Título da nossa autoria

 

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