Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

MATCHEDJE é a primeira marca de automóvel própria de Moçambique. Em entrevista ao “Notícias”, Carlo Nizia, director de vendas da Matchedje Motors Lda, afirma que a aposta da sua empresa é revolucionar o mercado de transportes moçambicano, contando para tal, com a recentemente estabelecida primeira indústria automobilística nacional.

Segundo Nizia, a Matchedje Motors projecta construir, nos próximos 5-10 anos, com um investimento de 150 milhões de dólares norte-americanos, um parque industrial de cerca de 590 hectares, o que possibilitará uma produção de um milhão de viaturas por ano, bem como de várias peças  que formam a cadeia da indústria automobilística de máquinas, produtos químicos e electrónica.

Passemos à entrevista:

 

NOTÍCIAS (Not.): Em que consiste o projecto Matchedje?

CARLO NIZIA (C.N.): O nome Matchedje, nas mentes dos moçambicanos relembra momentos históricos da libertação do País e da criação da República.

 Este nome foi escolhido exactamente pelo Governo para este projecto que representa uma revolução no mercado automobilístico.

O projecto vem sendo levado há três, quando os governos de Moçambique e da China e um grupo empresarial com capital estrangeiro estabeleceram um projecto de longo prazo, com investimentos previstos de 150 milhões de dólares norte-americanos e dividido  em três fases.

Na primeira fase, as viaturas são separadas em grandes pedaços que vêm ser montados aqui na fábrica da Matola. Essa primeira fase vai nos levar a ter uma capacidade produtiva de 30 mil unidades por ano. A segunda fase, onde vamos expandir a fábrica aumentaremos a nossa capacidade produtiva e o carro virá separado em centenas de peças que serão montadas aqui. Nessa fase serão montadas 100 mil unidades por ano.

Depois, vamos para uma terceira fase onde produziremos 500 mil viaturas. Na realidade o nosso alvo é produzir um milhão de viaturas.

 

Not. -  Qual é o horizonte temporal de cada fase?

 

C.N. – A primeira irá decorrer até 2017; entre 2017 e 2022 vamos ter a segunda fase, enquanto que a terceira será mais de longo prazo. A última fase inclui formação e treinamento de engenheiros, dos nossos trabalhadores para poder chegar ao nosso alvo maior. Vamos ter uma cidadela onde haverá uma rede de fornecedores à volta da fábrica, que ao invés de importarem as peças de outros países, as peças serão produzidas aqui.

Not. – Quais são os produtos que estão a produzir?

C.N. – Nesta primeira fase, estamos a trazer produtos robustos que são duradouros e que possam suportar as estradas de Moçambique. O nosso primeio destaque é o “pick-up” cabine dupla, todo terreno. Fizemos os testes nas dunas de Bilene e os resultados foram positivos.

Todavia, conforme as condições da indústria e as demandas do mercado de Moçambique, lançaremos os principais tipos de automóveis, autocarros, camionetas, camiões, enfim, todos os modelos automobilísticos de grande, médio e pequeno porte, a gasóleo e gasolina.

 

DESEMPENHO ECONÓMICO

ESTÁ A ATRAIR INVESTIDORES

Not. – Porquê a aposta em Moçambique, num momento em que existe uma incerteza sobre o rumo da economia global?

Carlo Nizia (C.N.) - Moçambique tem das mais altas taxas de crescimento do mundo e com bom desempenho económico de entre o grupo dos países em desenvolvimento e, portanto, este é um mercado do futuro.

Já não é a Ásia o mercado onde todo o mundo quer chegar; todos querem vir para África. O que se está a fazer agora é estabelecer as bases para o futuro; todos acreditam que os recursos humanos e os relacionados com o domínio das tecnologias estarão aqui.

 

Not. -  Moçambique se caracteriza por ser um grande mercado de viaturas importadas em segunda mão, a preços competitivos. Não será esta concorrência um factor de risco para o vosso investimento?

C.N. – Hoje em dia, quando não há nada num determinado local você procura o que necessita nos lugares onde existem. Por outras palavras, se não houver carros aqui irei procurar lá fora e o que existe até agora são carros de segunda mão.

Quando houver carros que são produzidos aqui, aos poucos, a demanda pelos carros estrangeiros vai diminuir. Aumentaremos as vendas, pois enquanto que os carros importados em segunda mão não têm peças e têm dificuldades de manutenção, o mesmo já não acontecerá connosco. Estamos a falar de uma revolução completa, vai revirar a concepção que se tem do mundo de automóveis em Moçambique

 

Not. – Como é que pensam sobreviver enquanto não tiverem a vossa própria rede de fornecedores de componentes como, por exemplo, pneus, em Moçambique?

C.N. – Teremos os preços mais favoráveis e esta é por si uma grande resposta ao factor competitividade. Queremos ser os primeiros no mercado e vamos chegar lá.

Até ontem, não existia a “Matchedje”; não havia nenhuma montadora de automóveis em Moçambique, mas hoje já há. Até ontem, não havia ninguém a produzir pneus, mas amanhã seguramente haverá, porque alguém dirá: “A Matchedje está a produzir e vai necessitar de pneus. Então vou investir neste sector (pneus) porque terei um mercado de 100 mil carros por ano.

 

NEGÓCIO COM ÁFRICA NO HORIZONTE

Not.- Para além de Moçambique, que outros mercados a “Matchedje” já identificou para vender as viaturas aqui montadas?

 

C.N. – Primeiro atacaremos os países localizados à volta de Moçambique e depois os demais. As mesmas necessidades que existem em Moçambique, existem igualmente nos outros países africanos, porque os únicos países que têm fábricas de montagem de viaturas são a África do Sul, o Egipto e os países do Magreb. Os restantes países só importam. Estamos a operar em regime de zona franca e por isso, podemos ir para além de Moçambique com as mesmas facilidades que o Governo nos garante.

Not. – Não vos assusta o facto de terem a África do Sul “aqui ao lado”?

C.N. – Temos valias que vão para além das grandes marcas. A especialização e o facto de termos escolhido no começo um nicho de mercado pequeno dá-nos alguma vantagem.

Para grandes marcas, o mercado moçambicano é pequeno, pois absorve cerca de 20 mil carros por ano.  Um mercado deste tamanho para grandes marcas é uma parte muito pequena. A Toyota tem fábricas que produzem cerca de 8 milhões de viaturas por ano e então, para fazerem um investimento que produza 5 mil ou 10 mil viaturas em Moçambique é muito pouco. Connosco é o contrário; queremos sair de pequeninos para depois sermos grandes.

Not. – Essa situação se deve também e em grande medida, ao fraco poder de compra dos moçambicanos. Como é que avaliam este poder de compra?

C.N. - Trabalhei durante vários anos nos serviços financeiros. Aqui na Matchedje; o meu trabalho, para além de ser o banco do grupo em vários países é também de achar soluções para que os clientes possam adquirir os produtos que vendemos.

Portanto, onde não houver possibilidade de ter dinheiro os bancos têm que entrar; os bancos são aqueles que vão facilitar através de leasing e de outros produtos financeiros que hoje existem. Vamos trabalhar com os bancos para acrescentar essa capacidade de aquisição.

 

Not. -  Este é o primeiro País onde irão instalar este tipo de indústria em África?

C.N. – Queremos levar a bandeira de Moçambique para o resto de África. Ao activarmos totalmente a indústria automobilítisca de Moçambique, pretendemos fundar a rede de vendas em todas províncias e construir, gradualmente, a rede de vendas que vai espalhar-se por toda a África.

 

Not. – Quais são os vossos grandes desafios?

C.N. -  O primeiro desafio já foi superado e era criarmos a primeira marca de automóveis de Moçambique produzida aqui no País. O segundo será entrar no mercado como se joga futebol: de pés juntos e com toda a força. O próximo desafio vai ser a distribuição através do estabelecimento de concessionários em todo o país. Hoje em dia, 80 por cento da venda de automóveis é feita em Maputo. Há concessionários no norte do País, mas a distribuição é um desafio, olhando para a qualidade das estradas nacionais.

O maior desafio será superar todas as fases até atingirmos a terceira fase.

Atacamos duas áreas que são extremamente importantes para Moçambique: Viaturas todo o terreno “pick up” dupla cabine e; autocarros – hoje em dia a situação em que as pessoas são transportadas é dramática, então os autocarros para o transporte público está também nas nossas prioridades. No primeiro ano iremos produzir 250 autocarros, aumentando posteriormente de acordo com as necessidades do mercado.

PAULO DA CONCEIÇÃO

 

 

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