Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Moçambiqueé um dos três países africanos mais vulneráveis à subida das taxas de juro nos Estados Unidos da América devido à dependência dos fluxos financeiros externos, diz a Moody's num relatório que também coloca Angola na lista de afectados.

"A nossa análise indica que Gana, Moçambique e Quénia são os mais vulneráveis nos vários indicadores de exposição", lê-se na nota enviada aos investidores pela agência de notação financeira Moody's, e a que a Lusa teve acesso.

Em causa está o previsível aumento das taxas de juro pela primeira vez desde a crise financeira de 2007/2008, o que, associado a uma desvalorização das moedas das economias emergentes como Moçambique e Angola, torna o destino menos apetecível para os investidores internacionais.

"Um aumento das taxas de juro ameaça aumentar a saída de capital dos mercados emergentes, propiciando uma política monetária e orçamental mais restritiva para prevenir a existência de desequilíbrios bruscos e crises na balança de pagamentos", escrevem os analistas da agência de 'rating' numa nota com o título 'Défices gémeos, dívida externa e estreita margem política aumentam a exposição à subida das taxas do Fed'.

Os países da África Subsahariana têm níveis menores de liquidez estrangeira de curto prazo que a maioria dos mercados emergentes, e por isso estão menos expostos às variações nos sentimentos dos investidores, explica a analista Rita Babihuga, alertando, no entanto, que há riscos.

"O ajustamento brusco e significativo já testemunhado em muitos países desta região em 2015 sugere que a região não está imune aos riscos de uma volatilidade dos mercados financeiros associada à normalização da política monetária norte-americana", afirma.

A vulnerabilidade elencada pela Moody's emerge dos grandes défices gémeos e de significativas necessidades de financiamento: os défices orçamentais não são completamente financiados por empréstimos concessionais [a taxas de juro muito mais baixas que as praticadas na banca comercial] e os défices da balança corrente não são totalmente financiados por investimento directo externo e empréstimos oficiais.

O resultado, diz a Moody's, é que a dependência da dívida e de fluxos financeiros externos "significa que estes países estão vulneráveis a mudanças nas preferências dos investidores quando as taxas de juro norte-americanas começarem a subir".

No caso de Angola, a vulnerabilidade também existe, mas o risco é menor dado que a posição orçamental e económica de partida é melhor que a do Gana, Moçambique e Quénia, apesar de não ser a ideal.

Vários países, incluindo Angola, "estão a entrar na fase de 'descolagem da Fed' numa posição já de si enfraquecida, seja por choques externos, seja por erros politicos, e a margem para ajustamento ao potencial choque da subida das taxas de juro é limitada", diz a analista e vice-presidente da agência.

 

 

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