Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

Uma combinação de factores, nomeadamente, a incidência de pragas e doenças, as mudanças climatéricas e tensão político militar estão a influenciar o desempenho do sector do caju na campanha de produção e comercialização 2013/14 actualmente em curso no país.

O sector do caju prevê produzir, na presente campanha cerca de 95 mil toneladas de castanha, cifra que segundo Filomena Maiopué, directora do Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) pode não ser alcançada devido a factores combinados cujo impacto real ainda não é possível determinar.

Em declarações ao “Notícias”, a directora do INCAJU precisou que, neste momento, há diferentes cenários sendo que na zona Norte, sobretudo, em Nampula e Cabo Delgado, as condições climatéricas nos últimos tempos da floração e frutificação das plantas não foram favoráveis. Garante, no entanto, que para o caso concreto da presente campanha a redução não será drástica, ou seja, muito abaixo das 90 mil toneladas.

Maiopué salienta, que devido a situação acima descrita, o prognóstico é de que as duas províncias nortenhas do país possam registar menos produção comparativamente à campanha anterior.

“Portanto, até que níveis não temos certeza neste momento, mas o aspecto fisiológico das plantas, no dizer dos operadores que têm experiência ao longo dos anos, prenuncia que vamos ter menos produção que a campanha anterior”, sublinhou Maiopué.

Já na região Centro, fundamentalmente, em Sofala, o cenário segundo a responsável do INCAJU mostra-se diferente. Neste momento, há muita castanha, os produtores e camponeses estão na fase de colheita. A província da Zambézia também aparece com um cenário relativamente melhor, que a campanha passada, embora algumas zonas como Gilé tenham sofrido os efeitos das mudanças climáticas.

A nossa fonte explica que na Zambézia coexistem cenários em que há castanha, mas o calor também está a apertar pelo que as árvores apresentam três ciclos de produção, floração, frutificação e colheita. Significa que para as últimas, existe a certeza de que se vai colher a castanha, mas as duas primeiras fases, nomeadamente frutificação e floração não dão ainda uma clareza do que poderá acontecer futuramente.

“Portanto, significa que em caso duma mudança radical do tempo podemos não colher, mas globalmente, podemos dizer que a situação é favorável neste momento”, sustentou.

Maiopué acrescentou que em Sofala, regista-se um fenómeno um pouco fora do controlo das autoridades que é a falta de compradores devido à situação de tensão político militar que se vive.

A fonte exclui a possibilidade tal fenómeno estar relacionado com a falta de compradores, sublinhando que este ano, a comercialização da castanha começou com bons preços sendo que em Nampula fala-se de 15 a 16 meticais por quilograma o que já é um bom indicador para o que iria acontecer em Sofala.

Descrevendo o cenário na zona Sul, Maiopué apontou que em Inhambane e Gaza a situação é claramente favorável.

Disse que em Inhambane, por exemplo, os produtores têm castanha, muito sumo. Cenário idêntico é descrito em Gaza.

“Este é o cenário que está a acontecer, em quase todas as províncias produtoras da castanha, mas vamos saber dentro de um ou dois meses, ou seja, até Fevereiro teremos a ideia do que é que, realmente, vai acontecer em termos de produção global do país”, sustentou.

Nova doença afecta Cabo Delgado e Nampula

Durante a conversa com a nossa Reportagem a directora do INCAJU manifestou preocupação com uma nova doença que está a afectar a produção do caju, principalmente em Cabo Delgado e Nampula. A mesma caracteriza-se por levar a que tanto a folha como a própria castanha fiquem preta como se tivessem sido queimadas.

Flimonena Maiopué afirma que esta nova doença apresenta-se como mais severa que o Oídio.

“É uma doença que para além de Cabo Delgado também está já a afectar Nampula e isto está a ser uma preocupação do INcaju. Os nossos investigadores estão a trabalhar no assunto e estão a desenvolver ensaios de aplicação de pesticidas e também procuram melhores clones e melhores variedades que possam ser tolerantes a esta doença”.

Para a nossa fonte, até ao momento o país só tem clones que são tolerantes à doença de Oídio, mas que não resistem a esta nova doença que está a aparecer há já uns cinco anos e que tende a crescer de ano para ano.

“Porque ainda não temos os clones considerados tolerantes a preocupação que temos é descobrir o melhor momento e a dosagem necessária para a aplicação dos produtos químicos disponíveis. Devo dizer que ainda não tivemos sucesso nos ensaios que fizemos, mas conseguimos notar que a doença aparece com maior severidade quando temos temperaturas altas e humidade junta”, referiu.

Explicou que a diferença com o Oídio é que ela aparece na floração e pode-se nessa altura aplicar-se o químico preventivo, o que já não acontece com a nova doença que ainda não tem um medicamento clarificado como eficaz para o seu combate.

Salientou que dada a larga experiência que a Tanzânia apresenta na área de pesquisa, o Ministério da Agricultura através do Incaju tem estado a colaborar com instituições de pesquisa daquele país visando a partilha de informações na área de investigação.

“Nós já procuramos apoio da Tanzânia e uma equipa de técnicos especialistas locais estão já a trabalhar connosco no sentido de montarmos também Moçambique um centro de investigação e estudo do Caju. Este centro estará localizado em Nampula, na região de Nassuruma” precisou a directora do Incaju.

Acrescentou que “neste âmbito, uma delegação de Moçambique, desloca-se esta semana a Tanzânia para inteirar-se de aspectos ligados a pesquisa, extensão, assistência técnica aos produtores e fundamentalmente na área de comercialização e exportação de castanha de caju”.

Segundo a directora do Incaju, a Tanzânia tem um modelo de comercialização diferente do de Moçambique daí que com esta deslocação os moçambicanos pretendem inteira-se sobre as vantagens que este modelo traz aos produtores.

Segundo soubemos, o modelo tanzaniano cria condições para que o produtor tenha um preço bom na comercialização da sua castanha através de leilões.

Em Moçambique, a comercialização da castanha é feita por comerciantes licenciados que vão ao campo e compram o produto junto dos camponeses. O que se diz é que de algum modo, o modelo nacional aperta os industriais que para além de comprar têm despesas de armazenamento e processamento o que já sucede com os comerciantes que apenas adquirem para exportar em bruto.

Feiras para promover o valor da cultura

Para além das actividades acima referidas o INCAJU está, igualmente, a promover em Cabo Delgado, a primeira feira nacional do Caju, um evento no qual participam produtores de caju, comerciantes e exportadores, industriais, fornecedores de insumos diversos, universidades, investigadores, extensionistas e parceiros.

Segundo explicações dada por Filomena Maiopué, o que se pretende é que as feiras sejam momentos de promoção e divulgação das actividades de maneio integrado do caju e dos resultados, que são os benefícios obtidos pela comercialização da castanha de caju, de aguardente de caju e outros subprodutos do caju.

Considera que as feiras também promovem a interacção directa e integrada entre os técnicos, os produtores, os industriais e os compradores da castanha de caju, com vista a troca de informações sobre os mercados da castanha e subprodutos de caju, de modo a reduzir a retenção da castanha de caju por parte de muitos produtores, incrementar os níveis de comercialização e de receitas, contribuindo deste modo no combate à pobreza das famílias rurais envolvidos.

Especificou que as feiras também podem promover a capacidade de negociação de preços entre produtores e compradores de castanha e subprodutos do caju, para além da transferência de tecnologias sobre fomento, maneio integrado do caju e boas práticas sobre pós colheita.

A feira de Cabo Delgado, é a primeira de uma série de outros eventos a serem levadas a cabo na presente campanha agrícola em quase todas as regiões produtoras da castanha de caju em Moçambique.

Espera-se que depois de Cabo Delgado seja realizada, durante a segunda quinzena de Dezembro, a feira de Nampula para mais tarde, ou seja, em Fevereiro, se realizar as feiras da região Sul do país.

Filomena Maiopué considera que a sua instituição espera com a realização deste tipo de iniciativas que se reduzam os níveis de retenção da castanha de caju junto dos camponeses, aumentem as receitas dos produtores pela comercialização do produto para além do fortalecimento e consolidação dos mecanismos de interacção directa e activa entre as instituições que superintendem as políticas de desenvolvimento do país a diferentes níveis, os produtores do caju, os industriais do caju e os técnicos.

A fonte acrescentou que espera ainda que sejam fortalecidos e consolidadas as estratégias de intervenção dos mercados rurais de comercialização da castanha de caju e incentivada a capacidade de negociação do preço de venda entre os produtores e os compradores da castanha de caju.

Outros resultados esperados com a realização das feiras, são a garantia para a indústria nacional de processamento, de matéria-prima com elevada qualidade industrial e comercial. Também poderão proporcionar elevadas taxas de receitas para os produtores e para o país com a comercialização primária e pela exportação de maior volume de castanha de caju.

 

 

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