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A UNIVERSIDADE Eduardo Mondlane atribuiu no passado dia 28 de Agosto, em memória póstuma, os títulos de Doutor Honoris Causa ao Eng. Aquino de Bragança, em Ciência Política e à drª. Ruth First, em Sociologia, em sindicância aos contributos prestados por estes, não só na luta contra o colonialismo, contra o apartheid e outras formas de discriminação mas também através dos seus trabalhos académicos desenvolvidos no Centro de Estudos Africanos (CEA) desta Universidade.

O Reitor da UEM, Prof. Doutor Orlando Quilambo, classificou a atribuição dos títulos honoríficos como um tributo justo à estes dois académicos, dois nacionalistas, dois internacionalistas, um homem e uma mulher de origens diferentes e de dimensões transcendentais que durante anos estiveram envolvidos na docência e na pesquisa no CEA.

Tomás Aquino de Bragança, nascido em 1924 em Goa na Índia, foi fundador do Centro de Estudos Africanos em 1976, concretizando o sonho dos nacionalistas africanos das ex-colónias portuguesas em Lisboa, quando nos anos 50, a polícia política impediu o desenvolvimento de um centro de reflexão e crítica sobre os problemas que afectavam Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e príncipe, perspectivando em simultâneo o futuro do continente.

A sua ligação com Moçambique e com Marcelino dos Santos, histórico dirigente da FRELIMO, fê-lo optar por este país sua pátria, onde liderou e transformou o CEA num dos centros de pesquisa em ciências sociais mais prestigiados na África Austral, e com reconhecimento internacional de excelência.

Paralelamente ao trabalho académico, Aquino de Bragança manteve as suas actividades de carácter diplomático e jornalístico, que fizeram dele o “ministro sem pasta” de Samora Machel.

Por seu turno, Ruth First nasceu a 4 de Maio de 1925. A sua vida foi marcada por perseguições, detenções e prisões. Depois de um período de exílio na Suíça, onde se refugiou do regime do apartheid na África do Sul, Ruth First mudou-se para Moçambique, em finais da década de 1970, a convite de Aquino de Bragança, então director do CEA.

Na tarde do dia 17 de Agosto de 1982, durante uma reunião, a sul-africana morreria nas instalações daquele Centro, vítima de uma carta-bomba enviada pelos serviços secretos sul-africanos.

O director do CEA, Professor Catedrático Armindo Ngunga, salientou a dinâmica imprimida pelos homenageados na abordagem das Ciências Sociais em Moçambique que, segundo ele, consistiu em trazer à mesa de debate questões relativas ao papel social do pesquisador. Ngunga lembrou que, sob direcção destes, o CEA realizou várias pesquisas que tinham como finalidade procurar soluções para os problemas do país e da região Austral de África.

As insígnias doutorais foram recebidas pela filha de Ruth First, Gillian Slovo, e pelo filho de Aquino de Bragança, Engo Radeck

Silvia de Bragança, viúva de Aquino, aproveitou a ocasião para ofertar à UEM uma colectânea de manuscritos do seu ente-querido, escritos no período compreendido entre 1963 a 1986 através dos quais os futuros investigadores poderão constatar como a libertação dos seus países foi feita não só através das armas, mas também através da palavra.

O Primeiro-ministro, Alberto Vaquina, em representação do Governo, disse usando da palavra, que falar daquelas personalidades significa reviver a história de Moçambique, dos movimentos de libertação das então colónias portuguesas e em particular da luta de libertação de Moçambique.

“Falar de Aquino de Bragança e da Ruth First é falar da solidariedade e do engajamento pela vontade de construir um mundo melhor”, disse.

Aquino de Bragança (1924 – 1986)

Tomaz Aquino Messias de Bragança, conhecido no mundo académico e diplomático como Aquino de Bragança, nasceu em 1924 em Bardez, a na Índia. No seu país natal terminou a sua primeira graduação. A sua juventude foi influenciada pela ligação que a sua família tinha com o jornalismo e o mundo da cultura. A situação política de Goa levou Aquino a vivenciar uma juventude de contestação e revolta contra o sistema colonial português.

Ainda muito jovem, deixou Goa. Em 1948, teve uma brevíssima passagem por Moçambique. objecto de várias manifestações de racismo, depois de ter trabalhado em Lourenço Marques e na cidade da Beira, partiu para Europa para continuar os seus estudos, no mesmo ano. Com uma breve passagem por Lisboa fixou-se em França, onde estudou Física em Grenoblew em Paris.

O período de Bragança em França levou-o a estabelecer ligações profundas com os nacionalistas e movimentos de libertação das então colónias portuguesas. Em 1957, Bragança vai viver para Marrocos. Neste país, na cidade de Rabat, criou-se a CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), e Aquino foi eleito membro do seu secretariado, como representante do Goan’s People Party. O processo de libertação de Goa pela Índia em 1961 levou-o entretanto a consagrar-se à causa da liberdade africana. Em 1962, transferiu-se para Argélia onde fixou residência. Aquino de Bragança ficou conhecido pelas suas actividades diplomáticas e como jornalista. Trabalhou em jornais progressistas como Afrique-Asie em Paris, e Révolution Africaine (Argélia).

A sua ligação com Marcelino dos Santos e com Moçambique levou-o a optar por e4scolher este país como sua pátria. Bragança tornou-se docente da Universidade Eduardo Mondlane depois de 1975, tendo sido o primeiro director do Centro dos Estudos Africanos (CEA) em 1976. Sob sua liderança, esta instituição tornou-se num dos centros de pesquisa em ciências sociais mais prestigiados na África Austral, e com reconhecimento internacional de excelência. Os cursos de desenvolvimento e as pesquisas então levadas a cabo permitiram não só a formação de quadros nacionais como o encontro com as realidades nacionais que as políticas económicas e sociais tinham que fazer face, sem descurar a África Austral e suas transformações. Paralelamente ao trabalho académico, Aquino de Bragança manteve as suas actividades de carácter diplomático e jornalístico, que fez dele o “ministro sem pasta” de Samora Machel, de quem era confidente, sobretudo para as questões de política regional.

A 19 de Outubro de 1986, Aquino de Bragança pereceu no desastre aéreo que vitimou Samora Machel e outros membros do governo moçambicano.

Foi a última das suas missões diplomáticas na África Austral.

Ruth First (1925 – 1982)

Heloise Ruth First, mais conhecida como Ruth First, nasceu em Joanesburgo a 4 de Maio de 1925. filha de imigrantes judeus em membros fundadores do Partido Comunista da África do Sul, Ruth cresceu numa família marcada por permanentes debates políticos entre indivíduos de diferentes classes e raças. O roteiro familiar e a sua vivência durante a juventude marcaram de forma indelével a sua personalidade e a sua prematura maturidade política. Fez os seus estudos universitários na área de ciências sociais e documentação na Universidade de Witwatersrand, onde desempenhou um papel importante na criação da “Federation of Progressive Students” e como secretária da Liga da Juventude Comunista. Entre os seus companheiros na universidade contam-se nomes como Ismael Meer, Nelson Mandela e Eduardo Mondlane.

Ruth trabalhou na Câmara Municipal de Johannesburgo, lugar que renunciou em 1964, tendo abraçado a carreira jornalística. Entre 1964 e 1946 e 1962, foi editora e jornalista de vários periódicos, onde se destacou pelos seus artigos de crítica fina e incisiva e pela denúncia à segregação racial e à situação social e laboral na África do Sul.

Em 1949 casa com Joe Slovo. A sua vida familiar foi marcada por detenções, prisões, revistas domiciliárias, banimento político e o exílio. Ruth First recebe a primeira ordem de banimento político em 1954; em 1956, juntamente com o seu esposo é detida pela polícia; em 1963, First é feita prisioneira, por 117 dias. Com Joe impedido de regressar ao país para evitar uma eminente prisão, em Março de 1964, acompanhada de suas filhas, Ruth p+arte para o exílio onde a família se reencontra no Reino Unido. No exílio, desencadeou uma luta anti-apartheid e fez campanhas a favor do ANC, tendo-se tornado activista e oradora de renome.

No Reino Unido, First desenvolveu trabalho de pesquisa social sobre o continente africano e a África do Sul, e a partir de 1972 centrou os seus esforços na área académica. Foi pesquisadora da Universidade de Manchester em 1972; em 1973 trabalhou como docente e pesquisadora da Universidade de Durham; entre 1973 e 1978 ensinou na Universidade de Dar-Es-Salaam, altura em que estabeleceu os primeiros contactos com Moçambique. em 1977, a convite de Aquino de Bragança, director do Centro dos Estudos Africanos (CEA) na Universidade Eduardo Mondlane, Ruth First dirige a pesquisa “O Mineiro Moçambicano”, aceitando em 1978, o posto de directora de pesquisa do CEA. Ruth First participou na formação de quadros nacionais e deu um imenso contributo na reflexão sobre o papel das ciências sociais na reconstrução do país.

Ruth First faleceu a 17 de Agosto de 1982, barbaramente assassinada, quando a carta bomba enviada pela contrainteligência do regime sul-africano explodiu nas suas mãos, no seu local de trabalho, o Centro de Estudos Africanos (CEA). Na ocasião, ficaram feridos Bridget O’Laughlin, Pallo Jordan e Aquino de Bragança, que estavam com ela no gabinete de trabalho.

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