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“TIMBILA Ta Venâncio”, uma das principais orquestras de timbila de Zavala, em Inhambane, ficou sem o seu líder, Venâncio Mbande. Perdeu a orquestra, perdeu o distrito de Zavala e perdeu o país. Mas também a humanidade inteira, porque a timbila já transcendia as fronteiras do distrito de que é originária, da província de Inhambane e do país, porque património de toda a humanidade.

O país perdeu um Mestre de tocar timbila. A humanidade ficou sem o principal promotor desta arte. Em suma, a timbila ficou órfã. Resta agora prosseguir e eternizar os ensinamentos de Venâncio Mbande, o Mestre Venâncio, para a maioria dos marimbeiros (designação dos tocadores de timbila).

Venâncio Mbande perdeu a vida na noite do dia dos 40 anos da Independência Nacional, 25 de Junho de 2015. “Libertou-se da vida”, depois de internado 35 dias na Clínica do Hospital Central de Maputo, para onde foi conduzido ao sentir-se mal quando participava numa cerimónia oficial na Presidência da República.

Aos 82 anos de idade calou-se a voz de um homem que desde a infância, a partir dos 6 anos, dedicou-se à promoção e valorização da cultura chopi, moçambicana e agora património mundial, a timbila.

Mestre Venâncio começou a envolver-se com a música cantando e dançando ngalanga, uma dança originária da sua terra natal, Zavala, sob influência do seu avô materno, Chikhemuane, e outros familiares, no grupo Ngalanga de Nhocuene.

A sua relação com a timbila, particularmente, data de 1948, na vizinha África do Sul, para onde migrou aos 18 anos de idade para trabalhar na empresa mineira de Merveille e noutras três companhias pelas quais passou naquele país.

Mesmo nas minas da África do Sul, onde foi procurar emprego, Venâncio Mbande fabricou e tocou timbila. Foi nesse período, entre 1949 e 1956, que criou a sua primeira orquestra para representar e manter a sua cultura, no estrangeiro.

A partir desse período, Venâncio Mbande inicia a sua ascensão, como um dos maiores tocadores e promotores da música chopi, com a timbila. Actuou em vários países do continente europeu, América do Norte e Austrália até pouco antes da década de 1990.

Foi com base nessas suas aparições que em 1991 foi convidado, com base num contrato de 60 dias, para fabricar timbila e instruir alguns professores na Universidade Hing da Holanda, um reconhecimento ao seu mérito.

Venâncio Mbande regressa ao país, sua terra natal, em 1995. Nesse mesmo ano cria a sua orquestra “Timbila Ta Venâncio”, que tem como parte dos elementos alguns dos seus filhos a quem transmitiu o amor pela timbila.

De lá para cá, “Timbila Ta Venâncio” e o seu mentor, em particular, tornaram-se referência na promoção da cultura chopi e inspiraram músicos e grupos culturais, entre eles a orquestra Timbila Muzimba e a Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD).

Como reconhecimento desses ensinamentos, a CNCD preparou uma homenagem ao Mestre que culminou com a gravação ao vivo de um disco também intitulado “Timbila Ta Venâncio”, produzido pouco depois de ele regressar ao país.

Numa iniciativa da Associação dos Amigos de Zavala (AMIZAVA), o Mestre Venâncio e a sua orquestra foram as principais atracções do Festival Cultural M’saho que decorre anualmente no mês de Agosto, em Quissico, distrito de Zavala, em Inhambane.

O auge da sua carreira foi a atribuição dos prémios FUNDAC e a Medalha de Mérito Artes e Letras nos anos 2009 e 2014, respectivamente.

Venâncio Mbande, ou Londholani como os familiares afirmam que o Mestre gostava de se identificar, viria a morrer aos 82 anos deixando para trás o seu sonho de erguer um Centro Cultural em Zavala para ensinar a timbila. Deixou viúvas as suas duas esposas e órfãos os seus 20 filhos, que lhe deram 41 netos e 21 bisnetos.

 

Nossa fonte de inspiração

NO velório realizado na manhã de segunda-feira, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, foram várias as mensagens de condolências apresentadas à família e outras de reconhecimento das qualidades de Venâncio Mbande. Entre as figuras que se fizeram presentes na cerimónia, destaca-se a orquestra Timbila Muzimba, cuja representante, Tinoca Zimba, afirmou que o grupo perdeu o seu mestre e a sua fonte de inspiração.

“Ensinaste-nos a timbila e com ela crescemos. Sempre estiveste por detrás da nossa existência como nosso protector. Foi-se o teu corpo, mas os ensinamentos continuarão nas nossas mentes e isso vai dar-nos forças para prosseguirmos com os teus ideais”, disse Tinoca Zimba.

Para os Timbila Muzimba, aquele não foi um momento de despedida, mas de começar a assumir maior responsabilidade na preservação e promoção cultura chopi, no geral, e da timbila, em particular, tal como sempre fez o Mestre Venâncio.

 

Um maestro e conselheiro

 

PARA a directora artística da CNCD, Cândida Mata, a morte de Venâncio Mbande significou uma perda para o país, o mundo e para a cultura em particular, porque se perdeu um maestro, um mestre e um conselheiro que viveu para as artes e cultura.

Cândida Mata disse que a CNCD aprendeu muito com o malogrado e prova disso é que a companhia passou a compor temas com timbila. “Ensinou-nos a conhecer esse instrumento e hoje ele faz parte dos nossos trabalhos”, afirmou Mata, para quem, como forma de agradecimento, a CNCD e seus parceiros organizaram a gravação do seu disco “Timbila Ta Venâncio” e um vídeo, num esforço para deixar o seu legado para os moçambicanos, uma vez que todos os seus trabalhos reconhecidos tinham sido feitos e conservados no estrangeiro.

De acordo com Cândida Mata, foi esta entrada triunfal que abriu caminho para esta história de sucesso que se seguiu, marcada por atribuição de vários prémios e consolidou o seu estatuto de “Rei da Timbila”.

 

Orgulho dos músicos

BAPTISTA Tsinine, da Associação dos Músicos Moçambicanos, disse que não havia palavras suficientes para descrever as qualidades de Venâncio Mbande, uma figura que humildemente foi conquistando o seu espaço e teve o seu reconhecimento.

“Uma coisa que se pode afirmar é que o ‘mestre’ elevou a bandeira nacional além-fronteiras, sendo por isso razão de orgulho para todos os músicos moçambicanos”, acrescentou.

Segundo disse, a maneira de se preservar o legado do “Marimbeiro-mor” é seguir à risca os seus ensinamentos e difundir.

 

Perdemos um preservador

do património da humanidade

PARA a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), órgão que em 2005 proclamou a timbila como obra-prima do património oral e imaterial da humanidade, perdeu-se um artista nato e preservador do património da humanidade.

Moussa Elkadhum Djaffer, representante da UNESCO no país, refere que a humanidade deve imortalizar pessoas como Venâncio Mbande. “Ele viveu para preservar a cultura chopi e, para tal, recorreu à transmissão oral para passar o seu testemunho aos mais novos”, acrescentou.

Referiu ainda que é preciso valorizar os trabalhos do malogrado, que teve um papel fundamental na partilha de conhecimentos sobre a timbila, e a sua organização vai continuar a garantir que essa arte seja salvaguardada.

 

 “M’saho” vai homenagear

Mestre Venâncio Mbande

O FESTIVAL Cultural M’saho, que este ano se realiza nos dias 29 e 30 de Agosto, em Zavala, terá nalguns dos seus momentos cerimónias de homenagem ao Mestre Venâncio Mbande, segundo garantias dadas pelo secretário-geral da AMIZAVA, Rodrigues Mário.

Segundo disse, a morte de Mbande é uma perda irreparável de uma pessoa que sempre contribuiu com os seus conhecimentos e ensinamentos para a preservação da cultura chopi, daí a vénia que será feita durante o M’saho 2015.

“A organização do festival já está quase concluída, já temos um tema, mas durante o evento vamos ter vários momentos para homenagear o Mestre. Era também alguém que participava na preparação desse certame”, afirmou Mário, para quem esta iniciativa tem agora mais motivos para continuar como forma de preservar aquilo que foram os ensinamentos sobre a timbila e toda a cultura chopi.

ALCIDES TAMELE

 

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