AS famílias transferidas da baixa do bairro de Hulene, na capital, onde eram ciclicamente afectadas pelas inundações, exigem a colocação de infra-estruturas e de serviços básicos na zona  onde foram reassentadas, na vila de Marracuene.

Falando ao nosso Jornal, que recentemente escalou o bairro Phazimane, a sete quilómetros da Estrada Nacional Número Um (EN1), parte das 210 famílias já reassentadas lamentaram a falta de vias de acesso, energia eléctrica, escola, hospital, mercado, entre outros serviços que tornariam o local mais habitável.

Ainda assim, as famílias reconhecem que a zona é melhor que Hulene “B”, onde passavam quase todo o ano com água dentro das casas e nos quintais.

Laura Machava disse que o novo bairro é bonito, devidamente parcelado e com os solos permeáveis. Os únicos entraves são a falta de estrada que liga o bairro à EN1, transporte semicolectivo de passageiros, energia eléctrica e mercado.

Face ao cenário, os residentes de Phazimane têm de percorrer longas distâncias até ao ponto onde podem tomar o “chapa” e fazer compras, situação que se complica em caso de doença, uma vez que a unidade sanitária mais próxima se localiza na vila de Marracuene.

Sandra Cossa também disse que estava satisfeita pela nova zona, mas deplorou o facto de não estarem ainda estabelecidas as autoridades locais como, por exemplo, chefes de quarteirão e outras. “Em caso de problemas não temos a quem recorrer porque o Governo de Marracuene diz que nós pertencemos a Hulene, mas vivemos aqui em Phazimane”, lamentou.

Sobre a falta de infra-estruturas e serviços básicos, a moradora considerou de  dramáticos os efeitos desta situação. “Estamos a sofrer. As crianças, incluindo as da 1.ª e 2.ª classes, percorrem longas distâncias até à escola e atravessam matas com risco de serem picadas por cobras”, afirmou, lembrando que há semanas um menor foi picado por uma serpente e só chegou à área residencial com ajuda de outros meninos, tendo sido salva graças a saberes tradicionais locais.    

O secretário do bairro de Hulene “B”, Armindo Alfiado Tai, que na quinta-feira interagiu com os seus antigos moradores, reconheceu as dificuldades e prometeu fazer diligências junto do Conselho Municipal de Maputo em prol da melhoria da situação dos reassentados.

Falando num breve encontro com a população que fez parte da sua zona de jurisdição, Tai lançou um apelo à calma, tendo em conta as dificuldades que o país vive a nível económico.

O processo de integração das famílias é acompanhado por organizações da sociedade civil, como a Livaningo, que na quinta-feira esteve em Phazimane para avaliar o estágio actual.

Aquela ONG, que no caso dos reassentados de Hulene trabalha em parceria com programa “Diálogo” e a “Sustainable Energy”, entende que o Município deu um passo importante, ao iniciar o reassentamento das famílias que vinham sofrendo desde 2000, mas é urgente que, em colaboração com o Governo de Marracuene, se criem condições básicas de habitação no novo bairro, pois actualmente elas não existem.

Alves Talala, gestor do Programa de Governação Urbana na Livaningo, enfatizou que não basta apenas colocar as famílias em Phazimane, há que criar as necessárias condições básicas que, aliás, vêm plasmadas na Lei de Reassentamento. 

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