A PRODUÇÃO nacional está a ganhar espaço nos principais mercados da capital, apesar de não satisfazer as necessidades do consumo interno durante todo o ano, mesmo com os esforços do Governo para inverter o cenário.

A realidade foi constatada pela brigada composta por representantes dos ministérios da Agricultura e Segurança Alimentar; Indústria e Comércio; Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional; Administração Estatal e Função Pública; do Interior e da Defesa, na visita de três dias à cidade de Maputo, no âmbito da monitoria da produção agrícola e pesqueira.

Por exemplo, a importação da batata-reno, cebola e cenoura tem sido uma alternativa para cobrir o défice destes produtos que são bastante procurados sobretudo na quadra festiva.

Diariamente, 12 camiões de batata, 10 de cebola e oito de cenoura dão entrada só no Mercado Grossista do Zimpeto, sendo que parte é fornecida por produtores locais.

Ester Isabel, administradora do “grossista” do Zimpeto, esclareceu que neste momento grande parte do tomate e repolho ali comercializado provém da Moamba e Catuane, na província de Maputo, e Chókwè e Chibuto, em Gaza.

“O que está a acontecer é que os nacionais estão na fase de colheita, daí que estão a conseguir colocar os produtos no mercado. Se os camponeses conseguissem aumentar a produção podiam dominar o mercado, mas na maior parte do ano dependemos das importações”, disse.

Elídio Massingue, do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar e chefe da brigada de monitoria, disse haver necessidade de potenciar cada vez mais a produção nacional porque tem qualidade para concorrer com as importações.

“Olhando concretamente para este mercado, concluímos que existe produção nacional, por isso os outros centros comerciais têm aqui uma fonte fértil de busca de mercadoria para a revenda. Tivemos oportunidade de conversar com um nacional que disse ter vendido a sua batata em 24 horas, enquanto os importadores precisam de três a quatro dias”, apontou.

O interlocutor precisou que se deve trabalhar mais com os produtores nacionais para melhor estruturar o sector agrário e trazer mais ganhos para toda a cadeia, da produção à comercialização.

“A presente campanha foi boa. Por isso os produtos nacionais estão a substituir as importações. O que temos de fazer é trabalhar também com os importadores para trazer a nossa produção aos centros comerciais e vender a preços justos”, precisou.

Sidónio dos Santos, director da Indústria e Comércio da cidade de Maputo, esclareceu que há um trabalho em curso envolvendo camponeses, associação de hotéis e grandes centros comerciais para estes absorverem a produção interna.

“Dentro de dias vamos discutir as formas de aproximação das partes, bem como a qualidade e quantidades a serem disponibilizadas. Queremos que haja ligação e venda directa dos produtos nacionais”, afirmou.

A visita iniciada na passada terça-feira terminou ontem.

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