O autarca da Beira, Daviz Simango, convidou ontem, a Rainha da Espanha, Letizia Ortiz, a abraçar o projecto de reconstrução daquela cidade severamente destruída pelo ciclone Idai, há um mês e meio.

Simango, que falou após a audiência com a rainha, momentos depois da sua chegada à cidade da Beira, em Sofala, pediu que os reis espanhóis se juntassem na mobilização de fundos junto da União Europeia (UE) e no mundo para “reerguer e reconstruir a cidade”.

“Esperamos que o reino da Espanha possa participar com vivacidade e possa mobilizar os recursos de que a Beira precisa para reconstruir aquilo que foi destruído pelo ciclone”, disse Daviz Simango, adiantando que foi apresentado à Rainha o panorama de destruição de áreas cruciais para a província e cidade.

Segundo o autarca, Beira precisa fazer obras de protecção costeira, estradas, hospitais e escolas severamente atingidos pelo ciclone, além do apoio ao sector privado, pelos danos que sofreu.

“Imagine a cidade da Beira, com mais de 112 anos: tudo foi destruído em pouco tempo, os recursos que nós temos são escassos, há que naturalmente convidar parceiros nacionais e internacionais para reerguermos e construirmos a nossa cidade”, reiterou Daviz Simango, citado pela Lusa.

O autarca lembrou, contudo, que Espanha enviou para Beira, após a cidade ser abatida pelo ciclone, várias missões, sobretudo nas áreas da saúde e protecção civil, reconhecendo que é importante que se possa “avaliar, monitorar e compreender” os rastos da destruição.

A cidade da Beira adiou para 29 a 31 de Maio a conferência internacional de investidores, uma iniciativa do governo e do município, inicialmente marcada para finais de Abril, para impulsionar a reconstrução e a economia.

“Neste momento já terminámos os levantamentos das necessidades de reconstrução”, precisou Daviz Simango, defendendo a criação urgente de “uma linha de apoio” para a comunidade empresarial na Beira, para evitar o risco de aumento de desemprego, com consequências no aumento de vícios e crimes violentos.

Pela parte moçambicana, para além de outros quadros, a Rainha Letizia era acompanhada pela Ministra da Saúde, Nazira Abdula, enquanto a delegação espanhola integrava o Secretário de Estado da Cooperação Internacional e para Iberoamérica e Caribe, Juan Pablo de Laiglesia, e a directora de Cooperação com África e Ásia da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Cristina Díaz.

Após as boas-vindas, no Aeroporto Internacional da Beira, a Rainha seguiu para Dondo, onde visitou a primeira missão da Equipa Técnica Espanhola de Ajuda e Resposta a Emergências (STAR), que instalou um hospital de campanha do tamanho de um campo de futebol na região sinistrada.

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A delegação da Rainha de Espanha, que recentemente visitou o nosso país, considerou “impressionante” a ajuda do Reino em resposta à emergência em Moçambique, após a devastação por um ciclone de nível cinco, a 15 de Março.

José Garcia, chefe-adjunto da Missão Espanhola em Moçambique e porta-voz da delegação da Rainha, fazendo um balanço da visita de Letizia Ortiz, assegurou que além da intervenção clínica e formação de quadros na área de Saúde, a Espanha vai reabilitar o hospital de Dondo, a segunda cidade mais destruída pelo ciclone, a 30 quilómetros a oeste da Beira.

“Estamos aqui para dar a conhecer boas iniciativas, financiadas pelos impostos dos espanhóis, para ajuda ao povo moçambicano em situação de emergência. É uma iniciativa mais interessante e mais bonita de todas”, disse José Garcia, em alusão à implantação, no Dondo, de um hospital de campanha do tamanho de um campo de futebol, na região sinistrada.

O responsável sublinhou o facto daquele reino europeu ter enviado, pela primeira vez a Moçambique, a Equipa Técnica Espanhola de Ajuda e Resposta a Emergências (STAR), considerando o gesto como "exemplo de coordenação eficaz a nível interministerial e interterritorial".

Segundo a Lusa, assegurou que no fim da missão todo o material médico do hospital de campanha será doado à unidade hospitalar de Dondo e ao ministério moçambicano da Saúde.

Fazendo o balanço das actividades do hospital de campanha, José Garcia disse que desde a sua implantação foram feitas 2275 assistências médicas, uma média diária de 85 assistências, entre crianças, homens e mulheres, incluindo grávidas.

Do total dos assistidos, continuou, 6% sofriam de patologias directa e indirectamente relacionadas com o ciclone Idai, sendo as principais relacionadas com ginecologia-obstetrícia e traumatologias.

“Trabalhamos muito para evitar mortes de bebés, sobretudo nos nascimentos, porque tivemos muitos partos”, disse José Garcia, salientando que algumas grávidas chegavam ao centro exaustas, após vários dias tentando se salvar das inundações provocadas pelo ciclone.

No hospital de campanha foram realizadas 21 cesarianas e 15 partos normais, totalizando 36 nascimentos.

Também foram realizadas 75 cirurgias de emergência, além do tratamento de lesões traumatológicas, infecções diversas, incluindo respiratórias agudas, sobretudo em crianças e, ao todo, 124 pessoas precisaram de ser internadas.

A rainha Letizia felicitou e encorajou os profissionais da Missão Espanhola a Moçambique, na terça-feira, após a reunião que marcou o fim da sua visita a Moçambique, iniciada no domingo. Antes, manteve uma reunião com o autarca da Beira e com o governador de Sofala, para se inteirar dos danos provocados pelo ciclone.

Acompanhavam a Rainha da Espanha, o Secretário de Estado da Cooperação Internacional e para Iberoamérica e Caribe, Juan Pablo de Laiglesia, e a directora de Cooperação com África e Ásia da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Cristina Díaz.

A visita da Rainha da Espanha a Moçambique decorreu no âmbito do aprofundamento das relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países.

A cooperação entre a República de Moçambique e o Reino da Espanha abrange várias áreas, com destaque para Saúde, Educação, Agricultura e Segurança Alimentar, Administração da Justiça, Finanças, Gestão de Recursos Hídricos, igualdade do género e desenvolvimento rural, segundo um comunicado do governo.

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O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) oficializou, ontem, a entrega de um milhão de dólares norte-americanos ao Instituto de Gestão de Calamidades (INGC), através do Ministério das Finanças, como primeira fase do apoio daquela instituição financeira ao Governo de Moçambique para a compra de tendas e mantimentos para as zonas mais afectadas pelo ciclone Idai.

O apoio do BAD integra-se numa abordagem multifacetada do BAD a nível regional, que compreende, para além do montante concedido ao INGC para financiar as necessidades de emergência, um projecto de financiamento até 100 milhões de dólares para a reconstrução dos países afectados pelo desastre natural, nomeadamente Moçambique, Malawi e Zimbabwe.
A formalização da entrega do apoio teve lugar na terça-feira, no final da missão do BAD que, desde o passado dia 24 de Abril corrente, visitava Maputo, em resposta ao pedido de assistência do Governo de Moçambique para a criação de soluções de longo prazo para a gestão dos riscos catastróficos climáticos.
A abordagem do BAD, de acordo com um comunicado de imprensa daquela instituição financeira, a que a AIM teve acesso, inclui a reprogramação pontual da assistência, bem como a assistência técnica ao governo na sua colaboração com as Nações Unidas, União Europeia e com o Banco Mundial, para o levantamento dos estragos causados pelo ciclone, “um esforço de mobilização de recursos liderado pelo presidente Akinwumi Adesina”.
A missão, que integrou funcionários do African Risk Capacit (ARC), foi liderada pela directora do Departamento de Agricultura, Finanças e Desenvolvimento Rural desta instituição, Atsuko Toda.
Durante a visita, a missão reuniu-se com o ministro moçambicano das Finanças, Adriano Maleiane, para aprofundar o diálogo sobre as opções do seguro climático, além de uma série de encontros técnicos com o Instituto Nacional de Meteorologia, parceiros de desenvolvimento e bancos locais. 
“A missão faz parte das diferentes acções do BAD para concretizar o apoio, recentemente oficializado a Moçambique, sobre o Plano de Reconstrução das Zonas Afectadas”, refere o comunicado.
Na cerimónia de formalização da entrega do apoio, Atsuko Toda endereçou, em nome da sua instituição, uma mensagem de condolências às vítimas dos desastres naturais que continuam a fustigar o nosso país.
“O Banco Africano de Desenvolvimento envia ao povo moçambicano condolências pelas vítimas do ciclone Idai e do ciclone Kenneth. Estamos comprometidos em apoiar o país na procura de soluções sustentáveis para as vulnerabilidades climáticas, através de produtos financeiros sustentáveis. Quereremos criar um consórcio que possa apoiar o país a ser mais resiliente às mudanças climáticas”, disse Toda, citada no comunicado. 
Por sua vez, Maleiane recordou que Moçambique está sendo fustigado por calamidades naturais severas.
“Neste momento em que decorre esta cerimónia, prosseguem trabalhos de assistência humanitária às vítimas do ciclone Idai, enquanto no norte, mais especificamente em Cabo Delgado, decorrem operações de busca e salvamento das pessoas afectadas pelo ciclone Kenneth que, na semana passada, atingiu aquela parcela do nosso país”, disse.
Maleiane informou que o ciclone Idai afectou pouco mais de 1.5 milhão de pessoas, a maioria das quais perdeu completamente as suas habitações, tendo causado 603 óbitos e destruiu diversas infra-estruturas públicas e privadas, incluindo escolas, unidades sanitárias e vias de acesso.

 

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