RESIDENTES da zona de Muthita, arredores da cidade de Nampula, estão agastados com uma empresa fabricante de cervejas, responsabilizando-a pela libertação de águas residuais, poluindo o ambiente, particularmente o rio Muepelume, o que configura atentado à sua saúde.

António Moisés, morador da zona, revelou que para além do mau cheiro provocado pelas águas residuais resultantes da laboração da fábrica, o rio Muepelume deixou de ser fonte de irrigação dos campos agrícolas, o que influi na renda de cada família

“Por exemplo, a cana-de-açúcar plantada nas margens do rio já não tem sabor; as hortaliças não crescem como deve ser, tudo porque utilizamos a água poluída pela fábrica para irrigar os terrenos”, disse.

Acrescentou terem havido várias tentativas de aproximação aos responsáveis da fábrica, para encontrar uma solução ao bem da comunidade e do ambiente em Muthita, porém, estes nunca mostraram vontade de resolver o assunto.

Anastácio Mário, um dos moradores igualmente agastado com a situação, disse que as águas residuais já provocaram o surgimento de um pequeno riacho que atravessa os quintais dos residentes, para além de terem causado problemas graves de erosão que ameaça destruir algumas residências.

“Se o actual cenário prevalecer, acredito que corremos o risco de contrair doenças nesta zona. Muepelume é o único rio em que aproveitamos as águas para lavar a roupa e tomar banho, uma vez que há escassez do precioso líquido da rede pública”, sustentou Anastácio Mário.

A nossa Reportagem auscultou os relatos dos moradores e também viu que o problema, sobretudo relacionado com a erosão dos solos, começa exactamente na zona onde termina o principal tubo instalado pela fábrica e que serve de canal para o escoamento das águas residuais para o rio Muepelume.

Aliás, uma parte considerável desta tubagem de evacuação foi removida, desconhecendo-se se pela fúria das águas pluviais ou pelos próprios moradores de Muthita.

Vamos instalar novos tubos

O director da fábrica, Gastão Cuembelo, explicou que assim que terminar o período chuvoso vão ser colocados novos tubos nas partes onde neste momento não existem, para evitar que as águas residuais continuem a passar ao ar livre nas comunidades, antes de chegarem ao rio.

“As águas residuais evacuadas lá para fora não têm qualquer contaminação. Fazemos isso dentro dos limites ambientais recomendados pela legislação sobre a matéria. Aliás, não correspondem à verdade as alegações segundo as quais não mostramos vontade de resolver o problema com as comunidades. Nós estamos com as portas abertas para isso e para outros problemas que dizem respeito à nossa fabrica e ao nosso funcionamento ”, referiu Cuembelo.

O gestor ambiental da fábrica, Amade Nota, assegurou que as águas residuais escoadas daquela unidade industrial para a zona residencial circunvizinha e para o rio Muepelume não constituem perigo para a saúde pública, uma vez que sofrem, antes, vários processos de tratamento dentro da fábrica, através de uma tecnologia apropriada.

Detalhou que depois de tratada, a água é armazenada num tanque construído especialmente para o efeito e, de seguida, é usada para a realização de outros trabalhos, como a rega da relva e lavagem de materiais ligados à laboração da fábrica, sendo a restante escoada.

Segundo a fonte, os produtores podem utilizar a água para a prática de agricultura nas suas machambas ou hortas, pois constitui também um fertilizante para os solos.

A fábrica diz que vai, a partir de agora, trabalhar com as comunidades circunvizinhas, promovendo encontros no sentido de explicar que não obstante o cheiro que liberta a água não constitui perigo para a saúde pública.

Mouzinho de Albuquerque

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