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Quandoem 2013 começou a fabricar manteiga de amendoim, Octávio Muchanga não tinha a ideia do nível de interesse que a sua actividade pudesse suscitar na sociedade de um modo geral e na ciência, em particular. Pensava ele num simples negócio.

Acontece, porém, que depois de várias parcerias com agentes de negócios na perspectiva de expansão e de receber apoio de organizações com foco na área da nutrição, as academias ficaram de olho na sua micro-empresa e, de forma regular, enviam estudantes para aliarem a teoria à prática.

Depois da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a mais antiga do país, a enviar estudantes da área de ciência e tecnologia de alimentos, agora coube a vez ao Instituto Superior de Ciências e Saúde (ISCISA), que ministra curso de licenciatura em nutrição.  

Para Muchanga, esta atracção é motivo de satisfação pois reconhece que como micro-empresa e única no fabrico de manteiga de amendoim no país, muito tem de aprender dos que dominam a ciência e tecnologia.

“Sinto-me feliz por ter abraçado esta inovação e por saber que desperta interesse nas academias. Em cada sessão de estágio, os estudantes deixam-nos ganhos em termos de procedimentos a tomar, do ponto de vista científico, um conhecimento que nos faltava porque somos, na verdade, simples empreendedores”, disse.

Muchanga disse acreditar que com a contribuição da ciência, num futuro não muito distante, será possível reduzir os níveis de desnutrição crónica na população moçambicana.  

 “Os estudantes que fizeram o estágio interno no ISCISA trouxeram um valor acrescentado para nós, com a Faculdade de Veterinária da UEM também ganhámos e a nossa filosofia é abrirmo-nos a mais parcerias de modo a crescermos no mercado”, disse.

Ganhos recíprocos

Para a directora do curso de Nutrição no ISCISA, Yara Lívia Ngovene, em parcerias desta natureza há sempre ganhos recíprocos. Ganham os estudantes ao aliar a teoria adquirida na sala de aula à prática, além de que o próprio estágio pode ser porta de entrada para o emprego, por um lado.

Por outro, explica, os donos dos micro-empreendimentos acumulam subsídios significativos, conducentes à melhoria da sua prestação o que, provavelmente, não fosse possível fora desta aliança.

Tradicionalmente, o ISCISA tem enviado seus estudantes para estágios da área de nutrição em grandes empresas mas, este ano, teve uma nova experiência de colaborar com empresas emergentes, cujo foco é o processamento de alimentos.

Iolanda Cavaleiro Tinga, coordenadora do curso, disse que para além da Xikhaba, este semestre o ISCISA trabalhou com outras duas pequenas empresas, uma virada para a produção de compotas, frutas hidratadas e achar (Tsokotsa) e a outra, de derivados de carne (chefe), nos municípios de Maputo e Matola, respectivamente.

Foram perto de 40 estudantes que de forma rotativa escalaram a Xikhaba durante oito semanas. “Temos trabalhado com grandes empresas como a Ginwala, Fasol e Merec. Este semestre, pela primeira vez trabalhámos com micro-empreendimentos, por recomendação de um parceiro internacional da área de nutrição que trabalha em Moçambique, a Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN)”.

Um dos objectivos, pelo menos da Xikhaba é, a par do negócio, contribuir para a melhoria da nutrição dos moçambicanos, através dos seus produtos, o que segundo Yara Ngovene passa também pela diversificação do que confeccionam.

“Com o produto que manipulam, o amendoim, é possível contribuírem para esse fim mas, tal deve ser acompanhado pela diversificação de produtos de modo a abarcarem maior número de consumidores”, salienta.

 A coordenadora do curso faz uma ponte baseada na similaridade dos objectivos tanto do curso de nutrição, assim como das micro-empreendedores desta área.

”Nós, nos sentimos confortáveis quando os estudantes da tecnologia de alimentos e os de higiene e controlo da qualidade fazem lá o seu estágio. É preciso que o produto tenha o potencial nutritivo e esteja seguro para o consumo, uma segurança que pode ser também conferida na interacção com os estudantes que ao mesmo tempo melhoram as suas habilidades”, explicou.

O ISCISA tem turmas que farão os mesmos estágios nestas empresas e noutras ainda por identificar. A meta é formar 30 estudantes da área de Nutrição, número que no próximo ano poderá ir até 26 graduados.

Anabela Massingue 

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