A INSPECÇÃO Nacional das Actividades Económicas (INAE) andou, recentemente, em campanhas de fiscalização a estabelecimentos de restauração da cidade de Maputo e, como resultado, foram detectados casos graves de imundície que culminaram com o encerramento de algumas casas, advertência a outras e imposição de multas por  irregularidades apuradas.

Até aí tudo bem. Afinal, a intenção é garantir que os restaurantes, bares e snack-bares prestem ao cidadão um serviço com cada vez mais qualidade e em melhores condições de higiene e saneamento. No entanto, os resultados dessas operações criaram uma série de dúvidas aos clientes dos estabelecimentos em causa, mesmo até para o mais incauto cidadão, afinal trata-se de lugares de renome na praça. Mais curioso foi o facto de estas fiscalizações terem sido dirigidas ao nível do topo, ou seja, pela inspectora-chefe, na maioria dos casos. Não que isto seja problema, mesmo porque este é também trabalho da sua responsabilidade. Mas a pergunta que não quer calar é: onde andaram os inspectores da cidade de Maputo durante todo este tempo, a ponto de os restaurantes acumularem tanto lixo e imundície até atingir proporções alarmantes e que atentam contra a saúde dos seus utentes…? A capital tem uma unidade que deveria, de forma regular, fiscalizar a actividade e as condições de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, de restauração e de outros serviços, de modo a garantir que estes estejam em condições de continuar a operar. Mas, pelos vistos, andaram não sei aonde e a fazer o quê, a ponto de a chefe decidir mostrar, no terreno, como deve ser feito o trabalho. E os resultados não tardaram. Depois de encerrados alguns restaurantes e impostas algumas multas, vieram ao de cima as queixas de alguns clientes que, pelos vistos, não eram tomadas em consideração. Antes desta operação, a comunicação social anunciou campanhas de inspecção às casas de pasto, na capital, mas em poucas ou raras ocasiões foram divulgados resultados similares aos apresentados, com a intervenção liderada pela chefe do pelouro. E acontecia, habitualmente, que depois da fiscalização fossem emitidos certificados de qualidade a estes mesmos restaurantes, que continuavam a funcionar em péssimas condições de higiene, tal como testemunharam as imagens tornadas públicas, daí a surpresa de todos. Este foi um exemplo de como as inspecções devem ser sérias e os inspectores fazer de forma regular o trabalho nos estabelecimentos que prestam serviços públicos ao cidadão em todo o país. Não vão querer os inspectores das demais regiões do país que a inspectora-chefe da INAE também se desloque a cada uma das províncias para garantir que os serviços de restauração sejam prestados com cada vez mais qualidade e higiene. Bem-haja à direcção da INAE!

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17.03.2017   Banco de Moçambique

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