A laicidade é uma das características de um Estado de Direito Democrático como é o nosso. Aliás, o é, de qualquer nação que se pretenda inclusiva. Até porque, diga-se, não deixa de constituir um manifesto de respeito pela democracia e reconhecimento do outro como um ser tão digno de consideração como nós mesmos.

Relatos de atrocidades por motivações, supostamente, religiosas de radicais que perderam-se, e permaneceram parados, em algum momento da evolução das nossas sociedades, já nos chegam dos periféricos países do Médio Oriente, assim como, com cada vez mais intensidade do centro do mundo, ou seja, no Ocidente, há já vários anos.

O ponto mais alto da violência sustentada por argumentos, supostamente, religiosos, atingiu o seu clímax no ataque da Al Qaeda às torres gémeas de Nova Iorque, nos Estados Unidos de América, a 11 de Setembro de 2001. A seguir é o que se assistiu.

Em África, a região norte, começou com alguns focos que pareciam coisa pequena, desentendimentos domésticos que com pequenas movimentações poderiam ser resolvidas. Entretanto, às catadupas, narrativas atrozes, cuja barbaridade é de bradar aos Céus, foram chegando, como, por exemplo, o caso das raparigas nigerianas que foram raptadas pelos radicais do Boko Haram.

No nosso país, laico que é, as religiões sempre coabitaram em harmonia, de tal forma, que é comum, numa só família as pessoas professarem diferentes seitas e doutrinas religiosas. Em alguns casos, inclusive, a residirem na mesma casa.

Porque exemplos não faltam, podemos ascender a outros níveis em que, sem discriminação, autoridades religiosas, independentemente de qual seja a sua orientação são encarados pela sociedade como poderios morais capazes de contribuir para mudanças de atitudes, sempre no sentido positivo.

Entretanto, com tristeza, de Mocimboa da Praia – aquele distrito de Cabo Delegado, estacionado na costa, se beneficiando das brisas do Indico – já acompanhamos relatos de alguns focos de radicais.

Alguns noticiários descrevem que parte dos atacantes que invadiu o Comando Distrital da corporação na vila da Mocímboa da Praia, o Posto de Controlo e a 2ª Companhia de Protecção dos Recursos Naturais, localizados na região de Oasse, foram localizados, concentrados numa “casa” pertencente a um grupo religioso, enraizado na região. Até porque é parte da cultura da região norte do país.

Este tipo de incidentes a priori instala medo às pessoas, não só da aldeia que foi vítima, mas de todo o país. A curto prazo, caso se prove, que de facto, há motivações, supostamente, religiosas em meio a esta algazarra, a sociedade, para se proteger, tenderá a isolar os seus praticantes, o que poderá desembocar em actos de xenofobia, racismo entre outro tipo de violência.

A olhar para o que acontece em vários países que já registaram incidentes similares, é caso para dizer que urge resolver este caso tão cedo quanto antes, e com a necessária seriedade, de modo que o fenómeno não se alastre por todo o país. Até porque a nossa esperança é que o caso de Mocimbua não passe de foco isolado, senão…. 

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