NÃO é só Gonçalo Mabunda, o artista plástico moçambicano com uma obra exposta no Vaticano, que possui a habilidade de se aproveitar de instrumentos bélicos para finalidades positivas.

Como vemos neste registo, a aptidão de mira adquirida na carreira do tiro pode ser convertida para o registo de momentos, o eternizar de episódios únicos na vida, tanto de uma pessoa, assim como de um país. É preciso assumir que, de algum modo, o trabalho de Mabunda não deixa de constituir a construção de um mundo alternativo, na medida em que transforma o caos em narrativas positivas, que são as suas obras. Esta atitude é, em si, uma motivação para, independentemente das circunstâncias, jamais desistir da vida e de correr atrás das coisas. A sua obra é vasta, de tal forma que emana a inocência que habita nas brincadeiras das crianças, entretanto sem a mesma ingenuidade, claro, pois há consciência dos efeitos que o seu trabalho pode vir a ter, o que não parece haver nestes “putos”, que ignoram a possibilidade de nessa de “I believe, I can fly” esparramarem-se feridos no chão. Para além da sua dimensão universal, Mabunda narra o seu povo e as suas lutas, que às vezes também são as lutas dele. E é essa força de enfrentar desafios que, diariamente, os impele a não parar de lutar e, deste modo, continuar a semear flores e vontades pelo mundo. 

 

   

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25.01.2018   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

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