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HÁ alguns anos a tónica das conversas corriqueiras eram as queixas sobre os conteúdos que estavam a ser transmitidos pelas estações de televisão. As reclamações iam à volta da invasão de valores culturais de outras geografias nas nossas casas, através da televisão.

Sem descurar a possibilidade de colher aprendizados positivos – até porque é disso que estamos em constante busca, de conhecimentos que nos ajudem a desenvolver –, pesava nessa preocupação o risco de a sociedade apropriar-se dos hábitos e costumes nefastos para a nossa cultura, tradição…enfim, a nossa forma de ver o mundo que ali eram distribuídos.

Outrossim, é que o medo sempre residiu no facto de a exposição à televisão – que é inevitável no nosso quotidiano – deslocar e distanciar a sociedade, sobretudo, os menores, dos nossos valores identitários.

Quando o nudismo nas telenovelas que são transmitidas de noite atingiu o estágio de desfilar a qualquer hora, voltou-se a apelar para que se observasse o bom senso, devido ao perigoso destino a que se estava a submeter a sociedade com este tipo de audiências.

Já não interessava a natureza do programa, tanto fosse para adultos ou concebidos para a família, no horário da tarde, lá estavam a incutir a sensualidade, sexualidade e outros quejandos, com a maior naturalidade.

Quem fazia essas queixas, nalguns sectores, era acusado de conservador, arcaico e mais algum adjectivo que o colocasse numa situação marginal ao rumo da caravana que já ia à alta velocidade, animado com o bamboleio das partes mais pudendas do corpo humano.

Como se profetas fossem, os que defendiam que se impedisse a transmissão, com todo o repúdio, deste tipo de conteúdos em prol da moral, previam que um dia o mal se alastraria. E é o que já está acontecer. É só observar o que acontece na nossa música jovem… os videoclips desta rapaziada só fazem sentido quando se exibe os corpos nus ou seminus de mulheres e de homens. O mesmo depois ocorre nas suas aparições nos palcos e nos mesmos programas de televisão que reproduzem os seus vídeos.

Descendo a escada, para o indivíduo comum, anónimo, nota-se traços ou a reprodução, na íntegra, daqueles comportamentos distribuídos pela televisão. Sem qualquer tipo de avaliação, descriminação, a sociedade apropria-se e vive como se de algo normal se tratasse.

O que é que justifica esta união da televisão, a apropriação da cultura dos outros, o nudismo nestas circunstâncias? A razão é simples: a cultura a que somos expostos, em muitos casos, a partir da televisão, é de contextos culturais e economicamente diferentes do nosso o que leva a que as relações humanas e amorosas tenham uma configuração específica que, num meio diferente, é pouco provável que resulte no mesmo.

Com efeito, de forma a alcançar aquele tipo de relacionamentos e de vida, que acabamos assumindo como modelo, acabamos por nos submeter a peripécias ridículas, como ter que expor o corpo ou exibir bens que não possuímos.

O mais grave é que por se estar com os olhos apenas postos nos resultados, sem acompanhar o processo de construção daquela cultura e estilo de vida, acabamos nos baralhando pelo caminho. Para dizer, no final que, temos que definir os nossos caminhos em função dos nossos contextos, para que possamos encontrar a felicidade, sob o risco de acabarmos frustrados.

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