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Categoria: Desporto
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A SELECÇÃO Nacional de Basquetebol de seniores masculinos despede-se hoje do palco da 27ª edição do Afrobasket de Abidjan-2013, fazendo um dos quatro jogos das classificativas do nono ao 16º lugar.

Infelizmente, até ao momento em que enviamos este material e fechamos a presente edição, ainda não era conhecido o adversário e a hora do jogo de Moçambique, porquanto a FIBA-África ainda esperava pela realização de mais três jogos dos oitavos-de-final que estavam agendados para o dia de ontem, à noite.

Nesses jogos, os três derrotados, mais a Tunísia, Burquina-Faso, Mali e a Argélia, um deles será adversário da equipa nacional num jogo em que, em princípio, será para se saber terminará a prova entre o nono e o 12º lugar.

É que, com a surpreendente eliminação da Tunísia, certo é que o campeão africano em título será colocado para jogar entre o nono e décimo lugar, faltando saber o seu adversário, que deverá aquele que, entre os eliminados nos oitavos-de-final, terá tido um bom desempenho na primeira fase.

No entanto, no seio da equipa moçambicana, a questão do momento não está relacionada com uma saída airosa do Afrobasket, mas sim com o clima de insatisfação que se apoderou dos jogadores depois de terem cá chegado e estarem quase a terminar a competição sem terem recebido um único tostão do dinheiro de bolso (pocket money) que havia sido prometido pela Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB).

Ao que apurámos dos jogadores, para além de não terem recebido um centavo dos 60 dólares americanos (cerca de 1.800 Meticais), que a FMB prometeu como a sua diária aqui na Costa do Marfim, a entidade responsável pelo basquetebol nacional tem uma dívida de cerca de 500 randes (cerca de 1.500 meticais) para cada jogador, que ficou de dar aos atletas aquando do primeiro estágio de preparação deste Afrobasket, havido na Suazilândia por aproximadamente 10 dias.

Estas dívidas, aliadas a sucessivas promessas de disponibilização do dinheiro que não foram cumpridas nas datas previstas estão a desmotivar os jogadores, que assim não se sentem compelidos a dar o seu máximo na quadra dos jogos.

A má exibição diante dos Camarões na passada segunda-feira, em que a equipa de Milagre Macome e José Delfino depois de um início prometedor, baixou os braços e virou a cara à luta, entregou e perdeu bolas fáceis e falhou quando menos se esperava no ataque e acabou perdendo por 75-42, foi uma pequena demonstração do clima de desmotivação e desinteresse pelo jogo que se apoderou dos jogadores moçambicanos.

Instado a se referir se a pálida exibição diante dos Camarões reflectia a falta de motivação dos jogadores por não terem sido pagos os respectivos “pocket-money” desde que no passado dia 18 de Agosto chegaram a Abidjan, o seleccionador nacional-adjunto, José Delfino, disse que não era sua competência abordar questões administrativas, mas não punha de lado que tal facto tivesse influência negativa no grupo de trabalho.

“Há coisas que não sou eu quem tem que responder, porque há quem é de direito fazê-lo. A mim, na qualidade de treinador, cabe-me treinar a equipa para ganhar jogos. O vice-presidente da FMB e o coordenador da selecção, respectivamente Amad Mogne e João Chirindza, são quem podem dizer porque até agora os jogadores não receberam o que lhes é devido”, disse José Delfino.

Entretanto, sem negar que de facto a FMB ainda não pagou nenhum centavo aos atletas desde que chegaram a Abidjan a 18 de Agosto, o antigo jogador do “cinco” nacional e coordenador da equipa, João Chirindza, admitiu que era possível a desmotivação estar associada ao não cumprimento das promessas feitas aos atletas.

“Quando saímos de Maputo os atletas já haviam sido informados das dificuldades que a FMB tinha para fazer esta operação e foi no meio delas que fomos fazendo a preparação até chegarmos a Abidjan. Eles foram prometidos que receberiam o dinheiro aqui na Costa do Marfim e assim será. Veja que também ainda não pagámos o hotel onde estamos alojados e na altura de pagarmos o hotel os atletas vão receber o seu dinheiro, que chega esta quarta-feira (hoje), com o presidente Francisco Mabjaia”, disse Chirindza que, não obstante, reconhece ser difícil para um atleta estar numa competição exigente sem nenhum dinheiro no bolso.

“Eu acho que é um pouco chato as pessoas (atletas) não terem o dinheiro, mas houve uma justificação porquê o dinheiro ia chegar tarde. Desde a altura em que saímos da Espanha para Portugal e de lá para a Costa do Marfim, todos os jogadores sabiam quando iam receber o dinheiro. No entanto, acho que é mau a pessoa não ter o dinheiro no tempo em que precisa, mas também não se pode fazer nada sem que o dinheiro esteja cá. Nós que estamos cá não podemos fazer outro jogo de cintura a não ser esperar para que o dinheiro chegue”, reconheceu a fonte que, fazendo uso da sua experiência entanto que jogador da Selecção Nacional, solidariza-se com os jogadores.

“Estes jogadores têm as suas profissões que são o que garante o sustento das respectivas famílias fora do basquetebol. Naturalmente por saberem que têm outros rendimentos fora do basquetebol, ao chegarem aqui e não verem cumpridas certas situações para com eles, claro que eles podem se desmotivar”, disse a terminar João Chirindza para quem, mesmo assim, não foi abordado por nenhum jogador e nem pelos capitães da equipa sobre uma alegada desmotivação do grupo devido ao não pagamento do “pocket-money”.

Refira-se que aos atletas foi dito que o dinheiro do “pocket Money” chegaria com o médico da equipa, Dr. Abreu, depois com o ex-presidente da FMB, Aníbal Manave, que está aqui na qualidade de Comissário da FIBA-África e, finalmente, com Rui Albasine, responsável do Departamento do Desporto de Alto-Rendimento no Instituto Nacional do Desporto (INADE), o que não aconteceu.

Hoje, finalmente, espera-se pela chegada do presidente da FMB, Francisco Mabjaia.

NARCISO NHACILA, em Abidjan