Mas que grande recital de futebol a Selecção Nacional proporcionou na tarde de ontem aos cerca de seis mil adeptos que assistiram, no Estádio de Lobatsi, em Gaberone, a partida com o Botswana, de carácter amigável inserido na data-FIFA (período reservado para as selecções efectuarem jogos de preparação)!

A vitória por 2-1 foi justíssima, mas pecou por ser escassa, atendendo ao número de oportunidades criadas pela equipa moçambicana, que mesmo tendo feito alinhar no onze inicial sete atletas dos Sub-23 teve o controlo do jogo. É caso para dizer temos equipa para um futuro próximo.

A equipa nacional entrou a jogar de forma desinibida. Reflexo disso é que foi a primeira a causar apuros. Assistimos a um bom trabalho de Clésio pela esquerda, que culminou com um centro para Kito, que em boa posição para fazer golo deu mais um toque na bola e perdeu ângulo de remate.

Apesar do maior atrevimento dos “Mambas” foram as “Zebras” a rematarem primeiro. Estavam jogados seis minutos quando Sengolame atirou por cima. A reacção da selecção moçambicana foi pronta, na medida em que no minuto seguinte os respondeu com um remate violento de Gildo, no entanto longe do alvo.

Mas era no contra-ataque que a equipa tswana demonstrava ser perigosa. Já se tinha visto duas ou três investidas pelo flanco esquerdo. Numa jogada rápida, por esse corredor, Kebatho quase marcava, tendo valido a defesa arrojada de César para canto. Na sequência do pontapé de canto a turma da casa chegou ao golo. Nato, solto de marcação, cabeceou colocado. Após o golo, sofrido aos 10 minutos, começou a ver-se a turma nacional a jogar mais no meio-campo adversário. Esta mudança de atitude deveu-se ao acerto defensivo e no meio e à classe de Dominguez, que viria a brindar os espectadores presentes no Lobatsi Stadium com uma daquelas suas jogadas mágicas. Num gesto bonito, sentou literalmente um adversário, pena que o remate tivesse saído ao lado. Apesar da boa reacção, era do lado direito que o Botswana causava perigo. O defesa lateral direito Allan, talvez traído pela sua juventude, acusava algum nervosismo. Não acertava nas marcações. Foi desse lado que saiu a jogada que quase causava o segundo golo dos tswanas. Kebatho, jogador mais esclarecido dos anfitriões, ganhou a bola na zona central, tirou Salomão do caminho e rematou ao poste. O ferro disse não ao golo dos comandados do inglês Peter Butler, e ainda bem, já que na jogada seguinte, e na sequência de um pontapé de canto, Moçambique chega ao golo de empate, aos 28 minutos, por intermédio de Luís. Nota de realce para o cruzamento milimétrico de Gildo, que encontrou Luís, curiosamente o jogador de menor estatura, a fazer um golo de cabeça, uma situação pouco habitual.

A partida aumentou de intensidade. Ficou mais aberta, com as duas selecções a procurarem chegar ao golo. Saiu a ganhar o espectáculo e as dezenas de espectadores, em particular os moçambicanos residentes no Botswana.

Até ao apito para o intervalo ainda houve espaço para duas oportunidades de golo, uma para cada lado, a primeira a pertencer à equipa moçambicana. Kito, com tudo para fazer o golo, cabeceou forte, mas na direcção do guarda-redes Phoko, e depois foi Kebatho, a ficar perto de gizar com sucesso as redes moçambicanas, César opôs-se com categoria ao remate do craque do Botswana.

A Selecção Nacional entrou melhor na segunda parte, com Luís em grande plano. Primeiro a desferir um remate fortíssimo e depois a oferecer de bandeja golos a Clésio e Jojó. Em ambos os lances não se percebe como os avançados não conseguiram fazer balançar as redes. Os primeiros 15 minutos foram caracterizados por um festival de falhanços. Até de Dominguez, que tem sido mais objectivo, mostrou-se hesitante na hora de atirar a marcar. Só com o guarda-redes pela frente, quis fintar, até conseguiu, mas perdeu ângulo do remate. Pelo meio destas perdidas dos comandados de João Chissano as “Zebras” poderiam ter feito o golo através de um cabeceamento portentoso de Richard a que César respondeu com mais uma estupenda defesa.

Diga-se de passagem  que o minuto 52 acabou sendo de sorte para o conjunto nacional, já que o melhor jogador do Botswana lesionou-se e teve que ser substituído. Kebatho vinha sendo um quebra-cabeças para a defesa nacional. Ainda bem porque os anfitriões passaram a ser menos perigosos e os “Mambas” passaram a atacar mais, e em mais uma oportunidade de golo, aos 87 minutos, poderiam ter chegado à vitória, quando Mosho desviou a bola ao poste na tentativa de fazer o corte.

Mas pelo que a selecção fez estava escrito que tinha que ganhar e foi na última jogada do encontro que deu a machadada final. E quem havia de ser? Dominguez! Ele mesmo deu o toque final após um trabalho excelente de Parkim, que partiu a defesa tswana até oferecer o golo ao “puto-maravilha”. O desafio terminou em festa gigantesca da claque moçambicana, que entrou no campo para saudar os jogadores, com Dominguez a ser o mais aplaudido até por alguns fãs do Botswana, que decidiram entrar nos festejos. Afinal o futebol é isto mesmo, uma festa sem fronteiras.

A equipa de arbitragem realizou um excelente trabalho. Apesar de ser do Bostwana, foi de uma imparcialidade de se-lhe tirar o chapéu.

FICHA TÉCNICA

ÁRBITRO: Omphile Phuthego, auxiliado por Meshak Medupe e Ketlogetswe Goitsemodimo. Quarto árbitro: Kutlawano Leso.

BOTSWANA: Phoko; Nato, Tapiwa, Katlego, Mosha; Obuile, Senwelo; Kabelo (Makgantai (Obonye) Sengolame; Tshireletso (Mpho) e Kebatho (Joel)

MOÇAMBIQUE: César; Allan (Cremildo), Salomão, Elias e Dito; Momed Hagy (Ussama), Kito (Isac) e Dominguez; Luís (Reinildo), Clésio (Jojó) e Gildo (Parkim)

DISCIPLINA: Amarelo para Obuile e Elias.

GOLOS: Nato (10 min), Luís (28’) e Dominguez (92’).

IvoTavares, em Gaberone

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