DEOLINGA Ngulela é uma das poucas basquetistas moçambicanas bem-sucedidas. A “capitã” da Selecção Nacional sénior feminina, que acaba de abraçar a missão de jogadora-treinadora pelo Costa do Sol, disse que, apesar de poucos ganhos materiais ou monetários alcançados ao longo de mais de 20 anos de carreira, sente-se pessoalmente realizada com o basquetebol.

Falando um pouco da sua carreira, apontou como um dos principais problemas do basquetebol moçambicano a falta da proactividade e fraca formação técnica. Olha para a aposta no desporto escolar como uma das saídas para o fortalecimento da prática da modalidade, com os talentos que emergirão e que serão projectados para a alta-competição.

Para o efeito, chama a complementaridade de esforços entre os ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano e da Juventude e Desportos com vista a estabelecer-se um forte movimento e regular nas escolas. Disse ainda que os clubes têm muito que fazer para elevar a qualidade da modalidade para uma melhor exposição de modo a atrair o empresariado, o que permitirá a sua profissionalização. 

Atleta desde aosoito anos de idade, entre as décadas 80 e princípios de 90, Deolinda ingressou no basquetebol pelo extinto Banco Popular de Desenvolvimento, onde fez o primeiro e segundo anos de iniciação. Fez maior parte da carreira na Académica, onde saiu em 2001 quando já era sénior, depois de ter ganho o primeiro título e o Campeonato Africano de clubes. Da Académica passou para o Desportivo, onde fez uma época a anteceder a ida aos Estados Unidos, onde ficou sete anos, alguns dos quais como jogadora e treinadora-adjunta. Regressou e jogou pela Liga Muçulmana de Maputo, em 2012 e 2013, antes de passar para o Costa do Sol, sua actual equipa.

Chamado a falar sobre os seus mais 20 anos de carreira, a “capitã” elucidou que já passou por todas as fases e várias situações que a transformaram numa atleta completa e cheia de experiência. Disse que, apesar de uma carreira não isenta de adversidades próprias de um país cheio de dificuldades, nunca pensou em desistir.

“Sempre encarei tudo como um desafio e encarei o basquetebol à semelhança da vida. Para mim, as coisas nem têm de vir fáceis. Devemos ir buscá-las para dar mais valor. Até o próprio básquete deu-me essa experiência mas nunca tive motivo para desistência”, comentou.

NÃO SE GANHA MUITO COM BASQUETEBOL 

Deolinda Ngulela é uma das atletas que se sente pessoalmente realizada pelo basquetebol. Revelou que, apesar de poucos ganhos como jogadora, tudo o que ela é foi em grande medida graças ao basquetebol.

“É quase que impossível uma realização em termos monetários no basquetebol. Mas sou o que sou hoje graças ao basquetebol”, frisou. Aliás, esta é uma das mensagens que deixa às crianças e jovens que sonham abraçar o basquetebol.

“É importante não olhar para ganhos monetários. Se jogares mal não será o dinheiro a corrigir isso, mas sim a sua dedicação, atitude e treino. Com a tecnologia é possível ver como se pode melhorar o drible, o lançamento e nós pertencemos à geração em que isso não existia”, elucidou, acrescentando que o dinheiro pode aparecer a qualquer momento desde que haja trabalho.

“Como jogadora, sinto-me 90 porcento realizada e 10 porcento não conta por não nunca ter ganho um Campeonato Africano ao nível de selecções”, anotou.

Questionado se terá havido nalgum momento de  crise no balneário sobretudo na etapa mais decisiva do Afrobasket-2013, na qual a Selecção Nacional sagrou-se vice-campeã ao perder a final com Angola, Deolinda Ngulela negou redondamente.

“Graças a Deus o nosso balneário sempre foi saudável. Até no dia que perdemos o campeonato, não houve desentendimento e nem mau estar. Claro que existiu aquela ansiedade de que eu deveria ter dado mais, mas isso não chegou a afectar o ambiente no grupo do trabalho”, esclareceu.

Quanto à participação no Mundial da Turquia, no qual a Selecção Nacional não logrou se quer uma vitória, a nossa entrevistada respondeu que estava fora de hipótesesvencer.

“Nunca houve essa expectativa, claro que se acontecesse seria dignificante. Mas encaramos equipas completamente diferentes. Eu penso que fizemos o objectivo final que foi de participar com alguma dignidade. E se notar nós fomos a única equipa africana que até agora participou com alguma qualidade”, afiançou.

DEVE-SE PROMOVER O DESPORTO ESCOLAR

Para a “capitã” da Selecção Nacional, o actual figurino dos jogos escolares,  que se realizam de dois em dois anos, não chega a preencher o que devia ser um movimento desportivo escolar, se se pretender que seja o alicerce da alta-competição.

Deolinda Ngulela defende um movimento forte, permanente e regular. Traz o exemplo do “Basket Show”, que tem enchido as plateias aos fins-de-semana.

“Com este tipo de competição podemos ter um grande movimento de talentos. É nisto que me refeiro: um movimento mais alargado e regular ao nível das escolas. Porque são os meninos da escola que enchem os campos quando este tipo de eventos acontece. Vamos ver como podemos fazer isso”, referiu, defendendo a complementaridade de esforços entre os ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano e da Juventude e Desportos.

Quanto ao papel do Governo, este deveria prestar apoio de modo geral para complementar, por exemplo, aquilo que é o papel das federações e clubes para o desenvolvimento do desporto. Deolinda Ngulela reconheceua alguma disposição e empenho quando se trata de selecções nacionais, em particular a selecção de basquetebol sénior feminino.

“Não sei onde começa e termina a responsabilidade do Governo, bem como das federações e dos clubes. Mas noto algum esforço para apoiar a selecção. Porém, não sei quais são os seus limites de intervenção. O que posso dizer, sem fundamentar, é que vejo muitas empresas e fundações a nascerem em Moçambique, e cada vez mais investidores estrangeiros. Não sei como isso poderia ser viável, mas já seria bom se alguém de direito pudesse dizer aos empresários estrangeiros, por exemplo, que se quiserem montar as suas empresas no país que devem, como uma das condições, apoiar o desporto desta ou daquela maneira”, observou.

Salientar que este é o penúltimo ano de carreira de Deolinda Ngulela como jogadora, para atender somente à função de treinadora.

SALVADOR NHANTUMBO

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