O CLUBE dos Desportos de Chingale vai de mal a pior. Os jogadores, apesar de terem os salários e os prémios de jogo em dia, não estão a render o suficiente para salvar a equipa, que de jornada a jornada está afundando e a agravar a situação da sua permanência no Moçambola da próxima edição.

Depois de uma derrota vergonhosa e humilhante em sua casa perante o Estrela Vermelha da Beira por duas bolas sem resposta, o Chingale está sim a perder pontos em casa e fora, situação não cómoda para a massa associativa do clube, os adeptos e outros amantes do desporto-rei na província de Tete.

Com este jogo de domingo último em casa se esperava uma outra atitude e comportamento dos atletas perante o Desportivo de Nacala com uma vitória para amainar os ânimos do seu público e encurtar a distância do caminho da despromoção para evitar ser o companheiro precoce do já despromovido Matchedje.

O JOGO

O Desportivo de Nacala, que foi a Tete a saber que iria encontrar dificuldades sérias para se impor, iniciou a partida a defender ao máximo e utilizando o sistema de contra-ataques para apanhar o adversário em contrapé. Este sistema de jogo levou o Chingale a ocupar sem dificuldades o rectângulo de jogos e a trocar a bola com passes de graça e a enviar a bola para a frente, mas na hora da verdade os seus artilheiros se encontravam distraídos e completamente falhados, sem o mínimo poder de pontaria.

Aos 10 minutos Charly rematou forte, obrigando Victor a uma defesa de se lhe tirar o chapéu. O Chingale, que tinha outras obrigações, continuou na mó de cima, com ataques sucessivos mas sem veneno porque todos os tiros chegavam sem velocidade suficiente para a baliza de Victor. Foi um sufoco total para os homens de Nacala, que devido à alta temperatura que se fazia sentir na cidade de Tete naquele domingo não conseguiam correr para colocar e travar as jogadas dos inspirados atacantes do Chingale Charly e Tony, que de facto correram muito, mas sem lograr os objectivos.

O treinador do Desportivo de Nacala, Nacir Armando, que estava ainda sentado no banco para estudar o adversário, vendo as coisas mal paradas, preferiu levantar-se para um puxão de orelhas aos seus jogadores. Mas o empate prevaleceu até ao intervalo.

Na segunda parte o Nacala, vendo a pressão do adversário, voltou a concentrar-se na sua defesa, o que permitiu ao Chingale acampar no meio-campo do adversário à procura de um outro resultado, porque o empate não lhe interessava. A crise estava instalada no Chingale, com o banco técnico assumido por Ferreirinha, treinador-adjunto, e Gilberto Fidélis, director desportivo, a trocarem palavras feias perante o público, com o treinador Rogério Marianni fora do banco a cumprir um castigo do Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol.

Os jogadores do Chingale também, lá dentro do rectângulo de jogos, começaram a trocar palavras, principalmente entre Magaba e Silvério, o que influenciou bastante no rendimento da equipa. Nos últimos dez minutos o Chingale correu atrás do prejuízo, mas nada conseguiu porque mesmo com a baliza aberta e sem adversário os seus atacantes não conseguiram marcar. Para o Desportivo de Nacala, que praticamente já está assegurada a sua presença no próximo Moçambola, pegar um ponto em Tete já era muito bom e foi assim que não se esforçou à procura de um outro resultado melhor.

Os árbitros Samuel Chiridza, José Mula, Adão Tchume e Ribeiro Manuel estiveram bem.

FICHA TÉCNICA

CHINGALE:Goodfrey; Clarêncio, Stélio, Tony, Silvério, Zé (Louis), Luís, Bem Chengo (Parkim), Alone (Magaba), Marlon e Charly.

DESPORTIVO DE NACALA:Víctor; Osvaldo, Tawinha, Billy, Rodjas, Daudo (Jonas), Leonel (Joaquim), Gito, Délcio, Gabito, Elfídio (Lamá).

BERNARDO CARLOS

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