O FERROVIÁRIO da Beira festejou ontem por antecipação e no campo da União Desportiva do Songo a conquista histórica do Campeonato Nacional de Futebol, ao vencer a equipa local por uma bola a zero.

Dizemos conquista histórica por ser a primeira vez que tal acontece, ainda por cima a uma jornada do fim da prova, na qual vai defrontar no próximo domingo, na sua consagração, a Liga Desportiva, na Beira.

Logo depois do apito final, um minuto depois dos seis de compensação dados pelo árbitro Celso Amaral, foi a explosão de alegria, com os jogadores, equipa técnica, dirigentes e centenas de adeptos que acompanharam a equipa a invadirem o relvado cantando e dançando pela vitória e pela conquista do Moçambola.

Na tribuna de honra os dirigentes do Ferroviário, liderados pelo respectivo presidente, Boaventura Mahave, não cabiam em si de contentes, vendo-se envolvidos em inúmeros abraços e palmadas de felicitações de outros dirigentes presentes.

A festa “locomotiva” estendeu-se para além das quatro linhas e por algumas das artérias da pacata vila do Songo, perante o desalento dos donos da casa.

Do outro lado da bancada era desilusão completa. Artur Semedo e seus colegas da equipa técnica permaneceram no banco muito para além do fim do jogo e quando dentro do estádio já praticamente ninguém estava.

Já fora do recinto, e na presença de um forte aparato policial, os adeptos também não arredavam pé, permanecendo incrédulos e provocando mesmo alguma agitação. Ao que tudo indicava queriam pedir contas ao treinador.

 

O JOGO

A equipa da casa entrou a pressionar e podia ter marcado logo aos seis minutos, quando Soarito saiu em falso e teve que ser Amorim a salvar, numa altura em que todo o banco do Songo já estava de pé, pronto a festejar.

A pressão continuou resultando em pelo menos dois pontapés de canto, mas sem qualquer efeito prático, pois a defesa “locomotiva”, superiormente comandada por Cufa, aliviava tudo.

A resposta do Ferroviário só viria a surgir aos 11 minutos, quando num contra-ataque Dayo isolou-se, fintou o guarda-redes Swini mas no momento do remate permitiu a intervenção de um contrário.

No contra-golpe, Luís, muito policiado neste jogo, quase marcava, mas não teve a destreza necessária para bater Soarito.

Aos 29 minutos surgiu o golo do Ferroviário por intermédio de Moniz, que acabara de entrar para o lugar do lesionado Mfiki num lance de contra-ataque.

O Songo ressentiu-se disso e acelerou à busca do empate de todas as formas mas a postura defensiva do adversário não permitiu veleidades até ao intervalo.

O segundo tempo começou com a equipa da casa novamente ao ataque e à procura, “por terra, ar e mar”, o golo do empate, mas o “patrão” Cufa comandava os seus colegas para este importante triunfo.

Aos 76 minutos Tony teve também o golo nos pés, mas desta vez Soarito afastou a bola para canto.

O Songo tanto atacou que em determinados momentos desguarneceu a sua baliza e podia ter sofrido o segundo, o que não aconteceu por alguma imperícia dos avançados “locomotivas”.

O jogo viria a terminar com a vitória da equipa visitante, que conseguiu manter o resultado mesmo perante os seis minutos de compensação que o árbitro deu.

No cômputo geral, diríamos que o Ferroviário ganhou bem este jogo porque soube marcar e defender-se, mas pelo que fez o Songo podia ter conseguido outro resultado, o que não seria de modo algum um escândalo.

FICHA TÉCNICA

ÁRBITRO: Celso Amaral, coadjuvado por Arsénio Marrengula e Lúcio Namarrói

UD SONGO: Swini; Sataca Jr, Mano, Mucuapele, Tony, Tchitcho (Jacob), Kambala, Cremildo, Banda (Lanito), Chereque (Bongane) e Luís.

FER. BEIRA: Soarito; Hagy, Amorim, Cufa, Edson, Dayo, Fabrice, Thomas, Maninho, Mfiki (Moniz e depois Mussa) e Nelito (Ricardo).

ACÇÃO DISCIPLINAR: Cartões amarelos para Soarito, Amorim, Hagy, Fabrice e Thomas, do Ferroviário, e Cambala, da UD Songo

 

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