O DISTRITO de Marrupa, em Niassa, passou a dispor desde a passada segunda-feira, dia 14, de um balcão do BCI, Banco Comercial de Investimentos, cuja cerimónia de inauguração foi presidida pelo governador David Ngoane Malizane.

Com a inauguração daquela instituição financeira, fica assim resolvido um dos grandes problemas que apoquentava as comunidades daquela parcela do país, com destaque para os funcionários públicos, que eram obrigados a percorrer, todos os meses, grandes e insuportáveis distâncias para levantar os seus ordenados nas cidades de Lichinga e Cuamba.

Um professor, visivelmente radiante com o acto que acabava de testemunhar, classificou os esforços conjuntos do BCI e governo de Niassa de louváveis, sublinhando que “com a instalação de um balcão em Marrupa fica resolvido o problema de professores que se ausentavam das suas escolas, deixando os alunos ao “deus-dará”, para se deslocarem a Cuamba ou Lichinga para levantarem os seus salários, com prejuízos incalculáveis para o processo de ensino e aprendizagem e da economia do país

De recordar que a maior parte dos distritos do Niassa ficam muito distantes das duas cidades onde existe a concentração de bancos, sendo que algumas distâncias chegam a ultrapassar 300 quilómetros, situação agravada pelas precárias condições das vias de acesso, que impedem que os funcionários façam uma deslocação de curta duração.

Aliás, durante a sua intervenção, o governador de Niassa fez saber que a instalação de um banco em Marrupa resulta de um esforço conjunto, visando a bancarizção das zonas rurais, um exercício que evita que as comunidades se movimentem desnecessariamente para as duas cidades que monopolizam as agências bancárias ao nível da província de Niassa.  

Os números avançados pelo director do Banco de Moçambique em Niassa, Luis Poio, indicam um crescimento de balcões nos últimos anos, passando dos cinco, que existiam em 2008, para os actuais 12, representando 2.3 por cento do total de balcões existentes ao nível nacional. “Mesmo assim, os desafios para aproximar o banco ao cidadão continuam maiores”, acrescentou aquele representante do banco emissor.

Para aquele representante do Banco Central, a inauguração do balcão de Marrupa demonstra a determinação do BCI de contribuir para a concretização do objectivo de alargamento dos serviços financeiros pelo país, permitindo constante crescimento e desenvolvimento equilibrado de todo o território nacional.

“Queremos ser o parceiro no aconselhamento das melhores soluções de financiamento para as mais diversas finalidades, desde o investimento nas áreas ligadas à agricultura e a todas a cadeia de actividades a ela ligadas, nomeadamente agro-indústria, agro-florestal e a própria pecuária, no turismo, no sector de infraestruturas e logística, na aquisição de equipamentos e pagamentos de fornecedores, bem como na aquisição de maquinaria e veículos”, sugeriu Paulo Sousa, Presidente da Comissão Executiva do BCI, ao mesmo tempo que anunciando, por outro lado, a disponibilização por aquele banco de uma linha de crédito “BCI Negócios PME”, cujo valor foi reforçado para um montante de mil milhões de meticais para financiamento de curto e médio prazos.

De recordar que Niassa é uma das província potencial em recursos agrícolas, florestais e minerais, sendo que, de acordo com o governador Malizane, a abertura do BCI vai potenciar o investidor nessas áreas estratégicas para que os recursos naturais sejam explorados sustentável e racionalmente.

Malizane justificou a pertinência da colocação de balcões bancários nas zonas rurais a circulação de muitos valores, exemplificando que as empresas de fomento de culturas de rendimento, nomeadamente tabaco e algodão, deixaram nas mãos dos produtores mais de 873,5 milhões de meticais, para além dos ganhos de outras culturas alimentares.

Enquanto isso, e no decurso da inauguração, em Lichinga, de uma agência reabilitada e modernizada, o PCE do Banco Comercial de Investimento prometeu que ainda este ano vai colocar à disposição dos cidadãos de Niassa mais duas agências, designadamente em Lichinga e Megantura, no distrito do Lago. 

André Jonas

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