Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

A EMPRESA Pública Correios de Moçambique está à procura de soluções para livrar-se da crise financeira em que se encontra mergulhada há vários anos.

Para já o presidente do Conselho de Administração da instituição diz ter algumas ideias para a rentabilização da empresa, estando umas em implementação e outras ainda na fase de concepção.

Em entrevista ao “Notícias”, José Luís Rego fala da rentabilização das infra-estruturas espalhadas pelo país; da construção de um prédio de 30 andares na cidade de Maputo;  da Logística Global e da bancarização rural como algumas saídas para a rentabilidade dos Correios.

Na conversa que passamos a transcrever, José Luís Rego relata todo o esforço para saldar a dívida da empresa, estimada actualmente em mais de 100 milhões de meticais e referiu-se à estratégia para lidar com os trabalhadores excedentários, num total de 650.

Notícias (Not.) – Os Correios de Moçambique acaba de ser desafiada a rentabilizar as suas infra-estruturas. Qual vai ser o primeiro passo?

José Luís Rego (JLR) – Temos a consciência de que os Correios de Moçambique têm uma vasta infra-estrutura pelo país fora. Foi neste contexto que desenhámos o Plano Estratégico de Desenvolvimento e de Reestruturação da empresa que assentou nas infra-estruturas e rede postal. Com base nas infra-estruturas temos de modernizar os serviços que prestamos aos nossos clientes, passando a prestar atenção às especificidades das zonas rurais. Precisamos de encontrar mais parcerias que possam ajudar em vários outros serviços

O primeiro passo foi identificar as áreas tradicionais que ainda são rentáveis. E encontrámos, por exemplo, Correio-Expresso, cujo crescimento em ternos de encomendas é encorajador. Entendemos que era preciso dinamizar este sector. Então, buscámos uma parceria de agência especializada para tratar de encomendas e hoje temos a Correio-Expresso de Moçambique, vulgarmente conhecida por CORRE.

Not. Neste momento o que é feito dos edifícios das empresas em todo o país?

JLR – A rentabilização das instalações, principalmente nas grandes cidades, é um facto, porque o Correio de hoje não tem as exigências de ontem. Temos espaços enormes e nas grandes cidades colocamo-los sob arrendamento e estão a tornar-se em importantes fontes de receitas.

Not. – Há alguns anos a empresa projectou a construção do prédio mais alto de Maputo. Este projecto foi abandonado?

JLR – A ideia de construção de um prédio ainda existe e temos um novo parceiro depois que o primeiro desistiu. O Governo orientou-nos a encontrar um novo parceiro e ele já está a trabalhar connosco, tendo conseguido dar muitos passos no concernente à burocracia da construção.

Agora estamos numa fase de selecção do construtor e pensamos que dentro dos próximos meses as coisas comecem a acontecer.

Not. Que edifício teremos?

JLR- Será de multi-uso com cerca de 30 andares, comportando na sua base lojas, restaurantes, cafés e serviços afins. Teremos sete ou oito andares para parqueamento de viaturas. Os restantes andares serão maioritariamente escritórios. Temos ideias de usar a parte de cima para um hotel.

Not. O projecto continua desenhado para a Avenida 25 de Setembro?

JLR – Sim. Concretamente entre edifícios dos Correios e a Biblioteca Nacional. As obras vão durar três anos, com investimento de cerca de 70 milhões de dólares americanos.

A construção do edifício é um ganho económico porque vai criar emprego na fase de construção, além das pessoas que vão trabalhar nos serviços a serem criados no prédio. Enfim, a cidade de Maputo vai ter um edifício moderno e espaço para iniciativas empresariais.

Not. Fundamentalmente, de que vivem os Correios?

JLR –A carta já não representa grande negócio não só para os Correios de Moçambique mas para todo o mundo. Temos outros serviços que sustentam a empresa. Falamos, por exemplo, do serviço de transferências dos cidadãos internamente e de um país para outro, aproveitando a nossa infra-estrutura, contribuindo para a bancarização rural. No ano passado lançámos os serviços do “PostBus”, como parte do nosso plano estratégico. Estamos a trabalhar na criação de uma empresa de Logística Global para transportar desde carta até grandes mercadorias em contentores. Enfim, para implementarmos estes serviços contamos com parceiros.

PROJECTO DO BANCO RURAL

Not. Como vai a intenção da bancarização rural?

JLR – Já encontrámos parceiros interessados, com os quais estamos a desenhar o plano de negócio de bancarização. Estamos a caminhar para assinatura dos últimos documentos como memorandos de entendimentos para dentro em breve submetermos toda a documentação para a obtenção da licença de Banco Postal. Cremos que dentro do mês de Abril poderemos cumprir com os aspectos burocráticos

Not. Que avaliação faz do “PostBus”?

JLR – Este serviço surpreendeu a todos. Quando desenhámos o projecto não tínhamos a mínima ideia de que teria aceitação no mercado, atendendo que também existem vários outros operadores de transporte de passageiros. A função principal do “PostBus” é transportar mercadorias postais para os diferentes pontos do país, com destaque para as capitais provinciais.

Achamos que poderíamos reduzir os custos de transportes de mercadorias, uma vez que as pessoas deixam de usar terceiros para movimentar os seus bens de um ponto para outro. Entendemos que por uma questão de rentabilidade era preciso apostar num auto-carro e não camião.

Neste momento toda nossa correspondência é transportada através do “PostBus” e chega ao destino passando um ou dois dias. Os nossos concorrentes também usam o mesmo serviço para a distribuição dos seus produtos. Achamos que somos muitos em relação a este serviço.

Not. – Que desafios se colocam a este serviço?

JLR – Os desafios têm a ver com a especialização. Estamos a pensar nos clientes que querem fazer compras em lojas especializadas em Maputo, no sentido de sermos nós a prestar esse serviço. Há aqueles que querem levar à capital do país algum objecto que, por exemplo, está em Pemba, Nampula ou Beira.

Estes desafios levam-nos a repensar o próprio “PostBus” para melhor atender o cliente.

Not. Pensam em nova frotaa?

JLR – Não necessariamente. Como sabe, este serviço é novo e nesta fase estamos preocupados em consolidar o negócio. Precisamos de afinar a máquina e é cedo para pensarmos em novos autocarros. Precisamos de operar no mínimo seis a dez meses, porque a procura existe. Temos sido solicitados para algumas rotas numa base diária. Conseguimos uma base bi-diária para Tete e Quelimane. Por isso não podemos pensar, por enquanto, em novas unidades.

Not. Para quando as ligações regionais?

JLR – Estamos a sofrer pressão para fazer transporte inter-regional, mas é um mercado complexo para o qual precisamos de mais algum tempo. Estamos a pensar nas ligações entre a cidade de Maputo e Joanesburgo, Maputo e Mbabane, Beira e Harare e Tete e Blayntire.

SAÚDE FINANCEIRA DA EMPRESA

Not. Qual é a situação financeira?

JLR – A “saúde” financeira dos Correios de Moçambique não é boa. Mas a empresa vem acumulando prejuízos, tem uma dívida elevada com os seus parceiros e isso faz com que no final do dia tenhamos resultados negativos. É uma situação não alarmante porque há dois ou três anos o cenário era pior. Estamos a ter resultados negativos, mas com tendência a melhorar e esperemos que dentro de dois ou três anos a situação se normalize. É por isso que pensamos no Correios-Expresso, “PostBus”, Banco Postal, a Logística Global e mais na imobiliária. Pensamos que estamos num bom caminho.

Not. Quanto é que a empresa deve?

JLR – Anda à volta de 100 milhões de meticais porque conseguimos reduzir em cerca de 50 porcento. Continuamos a trabalhar para cumprir com os nossos compromissos.

Not. – A situação financeira não afecta os salários?

JLR- Sim, afecta. As receitas postais já não conseguem cobrir os custos com os trabalhadores. Outro aspecto é que a empresa tem 650 trabalhadores excedentários. Mas a nossa prioridade é sempre o pagamento do salário dos trabalhadores. Queremos requalificar os nossos trabalhadores para outras áreas.

Horácio João

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