Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

ESTA semana foi notícia a repetição, na cidade de Maputo, do exame de Física da 12ª classe, após ter sido detectado que cópias desta prova tinham circulado entre os examinandos, em mais um caso gritante de fraude académica.

Este episódio, recorrente, veio adensar a preocupação com relação às fraudes que tiram seriedade ao sistema de avaliação rigoroso e objectivo, um crivo que procura testar conhecimentos e deixar passar somente quem sabe. Até porque mais do que uma simples avaliação, um exame é o determinante do valor académico dos alunos e da qualidade de ensino das escolas onde se formam.

Esta situação veio demonstrar que os alertas de tolerância zero a fraudes académicas e às chamadas de atenção feitas na véspera de cada época de exames pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) de que os alunos não devem fazer parte de esquemas desta natureza não estão a surtir os efeitos desejados.

As advertências parecem não serem suficientes para evitar que estas práticas continuem. É preciso passar para a responsabilização pública, disciplinar e criminal de todos os actores envolvidos nestes actos, que em nada prestigiam.

Na verdade, os alunos estão a ser beneficiários de um esquema que está montado e que precisa ser desbaratado, pois, em última análise, estes casos anualmente reportados tiram seriedade de todo um processo e descredibilizam o Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalência.

Assim o dissemos porque é nossa percepção que não são os alunos que vão à reprografia copiar e retirar de lá os testes. Quem tira os exames só podem ser alguns funcionários do ministério, dado que se tratava de exame nacional. Neste contexto, achamos nós que a investigação deve começar daqui. É preciso fazer mais, pois sabe-se que muitos professores também só tomam conhecimento do exame no momento da sua realização nas escolas.

O mais preocupante é o facto de não estarmos perante a fraude tradicional, a do aluno cábula que tenta copiar, mas de um sistema que envolve gente que acreditamos não ser estranha ao ministério do pelouro.

Independentemente de o exame ser anulado e repetido, o que é óbvio, achamos que tem de haver um controlo muito cerrado sobre as provas porque, caso contrário, fica, definitivamente, descredibilizada esta avaliação final.

Ou seja, estamos a falar de uma realidade incómoda, a da existência de funcionários que criam mecanismos informais, mas eficazes, para ajudar alunos que não se esforçam ao longo do ano a obter melhores resultados nos exames.

Precisamos de sair em defesa do interesse nacional e da credibilidade das instituições que tem sido beliscada, com este tipo de comportamentos e atitudes, pelo que urge desmascarar a rede de mafiosos instalada nas instituições.

Estes não devem continuar impunes. Por isso devemos ir à raiz primária do problema que é saber como é que os exames acabam por dar às mãos dos alunos, quando se sabe que devem estar revestidos de máximo sigilo.

A elaboração dos exames e sua respectiva distribuição deve ser fiel, tendo em conta que estamos num processo de formação de futuros engenheiros, médicos, professores, governantes deste país. E se esta geração for mal formada é o futuro da nação que estará comprometido. Os que vendem os enunciados dos exames devem se lembrar do que representa os seus actos irreflectidos.

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