A forma ordeira e pacífica como foi assumido o ajustamento das tarifas do transporte semi-colectivo de passageiros, em vigor desde a última segunda-feira, nas rotas da cidade e província de Maputo, permite-nos acreditar que o público utente está a ganhar consciência do dever que tem de contribuir para a melhoria da qualidade destes serviços, através do pagamento de um preço adequado aos custos de operação.

O público utente aceitou o novo tarifário do “chapa”, mesmo consciente de que tal vai implicar um esforço adicional na sua estrutura de despesas.

Temos memória fresca de ocasiões em que o reajustamento do preço do transporte semi-colectivo foi usado como arma de arremesso por algumas correntes de opinião para promover desacatos e atacar a legitimidade da medida.

Na verdade, não são os novos preços que geram desconforto no cidadão, mas o facto de, geralmente, o ajustamento das tarifas não ser acompanhado por uma melhoria da qualidade do serviço disponibilizado, evitando-se, por exemplo, que alguns operadores continuem a penalizar o público com encurtamento de rotas ou com viagens sufocantes e sem o mínimo de dignidade, devido à superlotação das viaturas.  

Chegados aqui, parece-nos relevante recordar a urgência que há de se libertarem faixas exclusivas para a circulação do transporte colectivo de passageiros.

A rápida mobilidade do passageiro exige um funcionamento flexível deste ciclo de transporte, que começa com a disponibilidade de um número maior de viaturas com condições aceitáveis para exercer a actividade de transporte de passageiros.

Ligado a isto, as autoridades municipais e a Polícia de Trânsito têm responsabilidade na garantia da disciplina deste serviço, pois cabe a elas encontrar antídotos válidos para o encurtamento de rotas e para a superlotação das viaturas. Mesmo admitindo que o país continua com um défice no que à oferta de autocarros diz respeito, não nos parece aceitável que as viaturas circulem excessivamente carregadas, com a Polícia a fazer vista grossa a tão perigosas soluções.

A solução é mesmo melhorar a mobilidade, reduzindo os tempos de viagem de um ponto para outro e, consequentemente, os períodos de espera nas paragens.

A Polícia não deve continuar a fazer-se à rua para assistir ao caos e à anarquia criados pelos “chapeiros”, muitos dos quais não têm, sequer, habilitações para conduzir veículos automóveis. É preciso que se comece a responsabilizar os agentes da Polícia que, no lugar de ficar nas terminais e nos corredores intercalares para fazer cumprir as normas, envolvem-se em acordos criminosos com alguns “chapeiros”, para receber gorjetas a troco de deixar que a indisciplina e o caos continuem a fazer das nossas estradas os lugares mais perigosos para se estar.

É de reconhecer o esforço conjunto que nos últimos tempos vem sendo empreendido pelo Governo e pelo sector privado visando solucionar o crónico problema de transporte, mas pensamos que ainda há lugar para mais e mais investimentos, não só em meios circulantes, como também em infra-estruturas.

Está claro que o “chapa” não é capaz de solucionar, sozinho, o problema de transporte nas nossas cidades, sendo por isso que dizemos que valerá a pena aproveitar o impulso dado, para ensaiar outras soluções, aproveitando na plenitude as facilidades naturais existentes pelo país fora, que não estão a ser exploradas no domínio dos transportes, apenas por falta de iniciativa.

É altura, por exemplo, de se equacionar o uso de ferryboats nalgumas rotas que podem ajudar a descongestionar as estradas, uma experiência que chegou a ser ensaiada entre Maputo e Matola-rio, por exemplo, mas que não teve a necessária continuidade por razões que acreditamos que eram perfeitamente sanáveis.

Vemos mérito e esperamos estas e muitas outras soluções possam advir da implementação do Plano Director de Transportes e Mobilidade de Maputo, que prevê a melhoria da qualidade de circulação de pessoas na Região do Grande Maputo.

Uma coisa é certa: não se pode aceitar que as carrinhas de caixa aberta, vulgo “My Love”, continuem a funcionar como alternativa única à escassez de transporte, por significarem uma grande regressão na linha do desenvolvimento.

 

 

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 58,31 59,47
ZAR 4,74 4,83
EUR 70,23 71,64

25.01.2018   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

Não é que seja uma grande novidade falar de interrupções ...
2018-04-24 00:30:00
1024x768 Normal 0 false false false ...
2018-04-24 00:30:00
  1024x768 Normal 0 false ...
2018-04-24 00:30:00
VAMO-NOS servir do acidente de viação ocorrido na manhã de ...
2018-04-22 23:39:47
Dois factos – um decorrente do outro – marcaram a actualidade nacional ...
2018-04-22 23:37:36