BARACK Obama reconheceu, no seu último discurso, que apesar do carácter histórico da sua eleição como primeiro presidente negro, o racismo continua vivo nos EUA e que há “mais trabalho a fazer” para eliminar os preconceitos contra minorias.

“Depois da minha eleição, falou-se muito de uns Estados Unidos pós-raciais. Essa visão, ainda que bem-intencionada, nunca foi realista, porque a raça continua a ser uma força potente e frequentemente divisiva da nossa sociedade”, disse Obama, no seu último discurso como Presidente em Chicago.

Não esquecendo as polémicas em torno do seu sucessor, Obama alertou, na terça-feira à noite (madrugada de hoje, quarta-feira, em Maputo), que a democracia norte-americana enfrenta um duro teste, e apelou aos seus apoiantes que ‘passem o testemunho’ de modo a criar um novo “pacto social”.

“A democracia requer uma noção básica de solidariedade. Apesar de todas as nossas diferenças, estamos todos juntos nisto. Vamos vencer ou falhar juntos. Todos nós, independentemente do partido, devemos entregarmo-nos à tarefa de reconstruir as nossas instituições democráticas”, afirmou, adaptando o seu slogan de campanha “Yes we can” (“Sim, podemos) para “Yes we did” (“Sim, fizemos”).

Apesar de nunca mencionar directamente Trump, o Presidente reiterou o seu compromisso com uma transferência pacífica de poder: “Depende de todos nós assegurar que o nosso Governo nos pode ajudar a ultrapassar os muitos desafios que ainda enfrentamos”.

Eleito em 2008, Obama defendeu que o seu país é hoje “um lugar melhor e mais forte” e atribuiu esses desenvolvimentos aos norte-americanos. “Vocês foram a mudança”, afirmou.

Perante cerca de 20 mil pessoas que se juntaram no centro de convenções McCormick Place de Chicago – algumas gritando repetidamente “Mais quatro anos” – Obama agradeceu aos seus concidadãos por o terem feito um “melhor” Presidente e um “melhor homem” nos últimos oito anos.

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