O chefe do Exército sul-africano, general Lindile Yam, anunciou ontem cortes orçamentais neste ramo das Forças Armadas, que comprometem a capacidade de defender o país e a participação em missões de paz no estrangeiro.
"Estes cortes orçamentais têm consequências negativas nos esforços feitos para manter as operações", disse o responsável na sede daquele ramo das Forças Armadas sul-africanas, em Pretória.
Lançando fortes críticas ao Governo, o general afirmou a jornalistas que o Exército está com dificuldades até em adquirir uniformes.
De acordo com o general, o orçamento para o Exército está abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
"Caímos para menos de 1% e talvez estejamos a nos aproximar do 0%, não sei", declarou Lindile Yam, que acusa os políticos de estarem a fazer "um jogo perigoso".
A ministra da Defesa da África do Sul, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, afirmou no passado que os problemas orçamentais se deviam aos governos pós “apartheid” que priorizaram despesas para as populações negras pobres, até então negligenciadas.
O general Yam, nos comandos do Exército há dois anos, sublinhou que a África do Sul não está imune a movimentos extremistas, referindo-se ao crescimento de grupos islamitas em Moçambique, país vizinho.
"Vejam o que está a acontecer no nosso vizinho. Os terroristas (...) decapitam pessoas. Se acontece em Moçambique, acontece aqui", alertou o general.
Uma potência militar africana, a África do Sul tem tropas em missões de paz na República Democrática do Congo e na região sudanesa de Darfur.
O Exército sul-africano participou em operações logísticas montadas para as eleições em Madagáscar, algo que agora não consegue assegurar devido à falta de meios.
Segundo o general, é necessário um reforço de 50 000 milhões de randes para o Exército.


