Os Bispos do Zimbabwe defendem, em Carta Pastoral, que os zimbabweanos devem evitar os caminhos que abalam o país, de forma a assegurar a reconstrução e esperança por um futuro melhor.
“Assistimos à reacção fragmentada e instintiva do governo ao agravamento da situação económica, exemplificado pela imposição unilateral da taxa de dois porcento sobre o principal sistema de transferência usado no país e o forte aumento nos preços do combustível de 12 de Janeiro de 2019, que é a causa directa das manifestações violentas e das revoltas, que levaram ao encerramento completo das principais cidades e centros comerciais rurais do Zimbabwe”, refere a Carta Pastoral.
Os Bispos endereçam ainda um apelo ao governo para que “desista da pesada repressão da dissensão e da negação do direito da população de exprimir as suas queixas, incluindo o bloqueio aos media sociais imposto em 15 de Janeiro”, para que os cidadãos “reivindiquem os direitos constitucionais” de maneira pacífica e não violenta. 
“Precisamos de voltar ao espírito de Novembro de 2017, quando prevaleciam as esperanças por um futuro melhor”, dizem os Bispos do Zimbabwe, a propósito dos dramáticos acontecimentos, que estão abalando o país, depois que o governo anunciou o aumento dos preços do combustível.

Em Novembro de 2017, uma decisão militar depôs o ex-presidente Robert Mugabe. Desde então, o país é governado por Emmerson Mnangagwa, que havia assumido o cargo de Chefe de Estado interino após a demissão de Mugabe para depois ser eleito nas eleições de 30 de Julho de 2018.

A campanha eleitoral e o período sucessivo à votação foram marcados por tensões e violência, como recordam os Bispos, que se dizem preocupados com o “ressurgimento da polarização política e social antes, durante e depois da disputada eleição nacional realizada em 30 de Julho de 2018, que culminou na violenta agitação de 1 de Agosto de 2018, durante a qual pelo menos seis civis foram mortos, muitos outros feridos e várias propriedades ficaram destruídas”.

Os prelados afirmam que “estão a assistir com tristeza e preocupação a dissolução da esperança por uma nação unida e um futuro promissor, quando os nossos políticos não acolheram a unidade tangível e a boa vontade, que reinava entre os zimbabweanos durante e imediatamente depois dos eventos políticos de Novembro de 2017”.

 

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