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O ILUSTRE Professor Castel-Branco assinou um artigo de opinião num semanário da praça, onde, através de contas feitas e demonstradas “cientificamente”, compara o custo entre uma “ponte chinesa” e outra em Maputo, exactamente a ponte entre Maputo e Katembe, tentando mostrar a discrepância existente entre as mesmas.

O centro da tese do ilustre professor é de que a ponte a ser feita em Moçambique é muito mais cara que a “ponte chinesa”, e a partir desta assumpção, começa a discorrer sobre a insustentabilidade da dívida pública.

A bem da verdade, o ilustre professor baseou-se num post da rede social Facebook, onde um internauta fez estes cálculos, e o professor, sem mãos a medir, levou este post que tinha uma função hilariante e “cientificou-a”, tentando mostrar que há gastos a mais na ponte Maputo-Katembe.

Ora, um amigo no Facebook rebateu esta tese, e apresentou dados que demonstram que as opiniões do professor Castel-Branco ainda são movidos pela emoção, apesar dos avisos que nos fartamos de dar ao respeitado professor.

A ciência é exacta, e não se compadece com emoções, porque estas, apesar de se apresentarem como definitivas, aparecem e passam, levando consigo toda a carga impura que as acompanha.

A ciência, pelo contrário, é como uma rocha firme, onde vendavais e tempestades descansam, para depois continuarem com o seu caminho, sem deixar nenhuma mácula, por isso que o que foi provado cientificamente, ainda hoje labora para o bem da humanidade. Aliás, a diferença entre a emoção e a ciência, é que a emoção é egoísta e somente olha para o umbigo, enquanto a ciência é benéfica e olha para o bem comum.

Ora vejamos:

No seu artigo intitulado “Sobre a “eficácia” e “eficiência” social e financeira da política económica do Governo – elementos sobre a dívida pública e as prioridades económicas e sociais”, o professor Carlos Nuno Castel-Branco diz que a “ponte chinesa” tem uma extensão de 42 kilómetros, o custo total de 2.4 biliões de dólares, e o custo por kilómetro é de 57 milhões de dólares; e a ponte Maputo-Katembe tem 3 kilómetros e um custo total de 725 milhões de dólares, sendo que o custo por kilómetro é de 242 milhões de dólares.

Assim, para o ilustre professor, a “ponte chinesa” (insisto nas aspas porque a China é vasta e tem muitas, mas muitas pontes mesmo), custaria por kilómetro 57 milhões de dólares, e a ponte Maputo-Katembe custaria cerca de 242 milhões de dólares por kilómetro.

O equívoco do grande professor, foi de não querer se maçar em investigar a fundo este ponto, porque se assim fosse, se quisesse usar a ciência para o benefício geral, saberia que a ponte Maputo-Katembe não tem 3 kilómetros, mas sim tem cerca de 172 kilómetros, se incluirmos os 102 kilómetros de estrada (Katembe-Ponta D´Ouro) e outros 70 kilómetros (Bela Vista-Boane), que é parte do mesmo projecto apelidada de ponte Maputo-Katembe.

Assim, e usando a lógica simplificadora do ilustríssimo Professor-Doutor, teríamos um valor de 4 milhões de dólares por kilómetro, e a “ponte chinesa” continuaria com os seus 57 milhões de dólares por kilómetro, o que põe esta ponte como mais cara que a ponte Maputo-Katembe.

Ainda segundo o ilustre professor, se a ponte Chinesa fosse construída em Moçambique custaria 10.122 Biliões de USD, e se a ponte moçambicana fosse construída na China custaria 171 milhões de USD.

Outros dados que o ilustre professor adianta com base naquele cálculo emocional, é de que o custo da ponte chinesa foi equivalente a 0,02% do PIB e 0,05% das receitas fiscais na China. A ponte da Catembe terá um custo equivalente a 5% do PIB e 25% das receitas fiscais de Moçambique.

Sobre estas coisas de PIB e não PIB não vou entrar porque não vejo game, mas tenho certeza absoluta que com a mudança das contas, esse tal de PIB também deverá mudar, assim como toda a conclusão do ilustre professor. Isto é, se as premissas estão erradas, todo o raciocínio o está, uma vez que sustenta-se e avança pelo erro até à conclusão.

Das leituras que fiz, e com ajuda de amigos abalizados na matéria, a avaliação orçamental à infraestruturas como pontes e estradas é determinada por padrões internacionalmente definidos, isto é, se a ponte ou estrada será do tipo A, B ou C; onde cada tipo tem seus parámetros internacionalmente definidos, como o material a ser usado, a tecnologia, a extensão,etc; o que consequentemente vai determinar o custo total da infraestrutura em referência.

Assim, uma ponte de 4 kilómetros pode ser mais cara que uma de 25 kilómetros, tudo dependendo das especificações internacionalmente aceites para a descrição da qualidade de cada ponte, que não tem a extensão como base única para a sua avaliação.

A extensão de uma infraestrutura de superfície não é condição única para se avaliar o seu custo, embora faça parte de um pacote inseparável de variáveis para essa avaliação. Por isso, o ilustre professor Castel-Branco deixou-se levar outra vez pela emoção, e por querer demonstrar, com base nesta mesma emoção, que o país está mal.

Porém, nem os meus e nem os cálculos do professor Castel-Branco estão certos, uma vez que este é uma área específica e precisa de padrões suis generis para se fazer estes cálculos de custos, e para isso não é somente acordar, espreitar no Facebook e tirar uma verdade científica.

É necessário estar na academia específica, neste caso, é necessário estudar engenharia (ou sei lá que ciência estuda estas coisas), e as suas vicissitudes, e somente uma pessoa que teve a santa paciência de fazer este curso é que pode se dar ao luxo de fazer estas comparações e emitir uma opinião válida e internacionalmente aceite.

Que eu saiba, o professor Castel-Branco é um economista de renome, e eu sou um humilde motorista e pastor mazione sem nenhuma formação teológica, e os dois não estamos qualificados para entrar num terreno lodoso para os nossos conhecimentos, uma vez que vamos derrapar e dar curvas vergonhosas.

Acho que uma contenção e uma atenção normal poderá evitar equívocos como estes, tanto para o autor do artigo, assim como para o jornal que publicou estes cálculos sem se dar ao trabalho de refazer as contas.

Há necessidade de se olhar para as coisas como elas são, porque um debate assim, movido por emoções, normalmente acaba com a nossa reputação, e de cientistas cotados a nível mundial, passamos a ser vistos como os vendilhões do templo que foram escorraçados por Jesus.

Nesta situação, a nossa opinião será vista, revista, revistada, testada, desconfiada e quiçá descartada, uma vez que por querer queimar a casa do vizinho, nem chegamos a notar que o fogo primeiro atingiu as nossas calças, e que a casa do vizinho está bem encostada à nossa.

Acho isto triste vindo de um cientista social que reclama um espaço paradigmático no debate nacional, uma vez que está a pouco e pouco a se deixar manietar pelas emoções, e está ostensivamente a pegar as golas da ciência e a subjugá-la de uma forma vergonhosa.

Espero que o caro e ilustre professor, não se deixe ser levado pelas emoções momentâneas, nunca mais. Ele é um cientista social que tem obras publicadas, e não pode, a meu ver, deixar esse legado ser varrido pela tempestade de instabilidade emocional, uma vez que isso seria mau, não só para ele, mas para a credibilidade de todos os nossos cientistas sociais que tiram suas ideias cá para fora.

Temos que ter certeza sobre o que nós definimos como verdade, e ainda sendo um opinion maker como o ilustríssimo professor, uma vez que os nossos erros são gravados na pedra, mas os nossos sucessos são gravados na areia da praia.

Acho que o professor-Doutor Carlos Nuno Castel-Branco tem ferramentas para fazer melhor e oferecer ao público, publicações que contribuam para o bem geral, porém para isso deve se despir da emoção e de se dislumbrar com qualquer coisa que lhe aparece à frente que pareça reforçar essas emoções.

O Professor-Doutor Carlos Nuno Castel-Branco está cheio de ferramentas para tal. Tem muitas que podem ser enferrujados pela emoção se preferir esta à ciência que suporta essas ferramentas.

Espero que a próxima análise do ilustre professor demonstre que ele definitivamente aparta-se da emoção, e volta a abraçar amorosamente as ferramentas científicas que abundam na sua mente.

Um abraço.

PS: Sobre os pré-candidatos não eleitos pela Comissão Política, e ainda na senda do Facebook. Há duas páginas naquela rede social, uma está em nome do Dr Eneas Comiche e outra em nome da Dra Luisa Diogo. Estas páginas parecem de pessoas que não são do partido Frelimo, uma vez que o que publicam está mais para prejudicar o partido que para promover a imagem dos nomes que representam. E cá para mim, se os donos dos nomes não se pronunciam, isso demonstra que eles apoiam estes ataques que os administradores das páginas estão fazendo contra a sua organização. Não estou contra a criação das páginas, mas que os nomes que estas páginas representam pronunciem-se (distanciando-se ou apoiando-as).

Não acho elegante que se ataque uma organização usando o nome de um membro da mesma, e o dono do nome não se pronunciar! Acho que para a promoção dos nomes não há necessidade de se atacar a mesma organização que poderá suportar a mesma pessoa caso as suas pretensões se realizem. Está a se matar a galinha dos ovos de ouro.

Américo Matavele

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