Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

POR quanto tempo mais vai a cidade de Nampula “carregada” de várias situações anómalas? Esta é a pergunta que vai crescendo de tom nas ruas, bares e restaurantes, locais de concentração de pessoas, transportes públicos e outros sítios.

Compreende-se, efectivamente, o crescimento de tom e o fervor dos debates na cidade de Nampula, sobre a sua actual gestão, caracterizada por um ambiente quase de caos, transparecendo que o Município relegou para o plano secundário o exercício da sua autoridade para organizar a cidade e impedir o agravamento de situações preocupantes de desmandos que começaram depois da morte do então edil Mahamudo Amurane.

Nampula, já o escrevemos, mas voltamos a repisar, e sempre voltaremos a repisar, enquanto for, cada vez mais necessário, lembrar a uma cidade em que continua a enfrentar os problemas como por exemplo, de invasão cada vez mais de estradas e passeios pelos comerciantes informais, construções desordenadas, circulação de camiões de grande tonelagem nas vias proibidas provocando danos, paralisação de semáforos, falta de paragens dos autocarros condignas e outros tantos.

Todavia, não tardará que Nampula seja cidade menos arborizada de Moçambique, caso algo não seja feito por parte de quem de direito para travar o abate indiscriminado de árvores, com destaque para acácias e consequente destruição, tirando a beleza natural da urbe além de complicar a preservação do meio ambiente, neste caso urbano.

Se há convicção por parte dos actuais gestores do Município, de que vão resolver durante os próximos cinco anos do seu mandato aqueles e outros problemas, mas uma coisa é certa: a mudança do actual cenário que se vive na cidade de Nampula, que conforme está dito, está a constituir motivo de críticas e reprovação quase que geral, exigirá muita coragem por parte, sobretudo, do actual presidente do conselho autárquico Paulo Vahanle, do qual se espera competência e principalmente frontalidade na tomada de decisões que visem à melhoria do ambiente de convivência social, económica, politica e doutra índole.

Aliás, mesmo que possa “desprezar” as análises críticas dos grandes problemas que enfermam Nampula, precisa de impor a si mesmo algumas metas para ter a coragem de alcançá-las, porque de facto, como já diz um adágio popular, saber o que é correcto e não o fazer é não ter a coragem. Ele terá que tomar uma atitude de coragem para que se ultrapasse o desmazelo e impunidade que, quer se aceite, quer não, caracterizam neste momento a cidade de Nampula.

Faz todo sentido que assim seja, até porque a nossa esperança começa a despontar, embora acautelada, com o anúncio da elaboração de uma nova estratégia que vai permitir o município retirar, nos tempos que vêm, dos passeios, vendedores que ocuparam por completo esses espaços destinados aos peões nas ruas, que se antevê, logo à partida, tarefa difícil, até porque já se fala de que será uma “guerra”, que poderá não ser fácil as autoridades camarárias vencê-la, enquanto em parte, se “refugiarem” na tolerância política. 

O pior é que o aparente estado de abandono a que a cidade de Nampula está votada, depois da eleição intercalar realizada em Março deste ano, não parece dar mostras de acabar. Pelo contrário, é cada vez maior, a revelar, a cada momento, aquilo que transparece o desleixo dos que, a nível da edilidade, têm a obrigação de cuidar dela.

Não parece ser verdade que deste que o Paulo Vahanle tomou posse em Abril do presente ano como edil de Nampula, depois de vencer aquela eleição, ainda não tenha tido tempo suficiente para verificar por exemplo, as obras de construção de infra-estruturas autorizadas e não autorizadas, para daí mandar demolir as ilegais que se acredita serem muitas.

Haja coragem senhor presidente do conselho autárquico de Nampula, para se inverter o actual cenário em que se encontra mergulhada a cidade!

 

Mouzinho de Albuquerque

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O CARRO passou agressivo. A poeira criou nuvens castanhas, todos levaram as mãos as faces, entre a boca e os nariz. Pedro soltou alguns berros, radiografou o chão duro do percurso de terra batida do bairro Chamissava à procura de uma pedra. Encontrou, agarrou com a sua mão esquerda caluda e arremessou. O pedregulho apropriou-se da raiva dos homens que foram humilhados por andar a pé e conseguiu tocar o “4x4”, aquele animal de quatro rodas que desafia os buracos de zonas áridas.

O proprietário do carro ouviu o estrondo, pensou em pausar, mas aumentou a velocidade, causando mais poeira.

Pedro e outras pessoas que andam mais de 40 minutos para chegar à terminal de Chamissava pronunciaram alguns insultos. A maioria tinha a ver com o azar da mãe que nasceu aquele ser que conduzia aquela feroz viatura.

O chão está quente, já são 14.00 horas, mas o sol ainda é intenso. Entre descansos, pausas e momentos de reflexão, era feita a caminhada. As conversas eram em Changana, Ci-Ronga e Ci-Ndindinde, as línguas misturavam-se, as relações de afinidade interligavam aqueles peões.

A paragem está vazia, Pedro continua a caminhada. Repara para o bairro, percebe que desde as cheias nada mudou, as pessoas foram retiradas das suas residências em 2000 e transferidas para um lugar sem condições mínimas. “Energia só tem aqui, mas ali ainda não chega. Água tem aqui, mas ali ainda espera”, queixava-se uma das vendedoras informais que tem o seu posto de trabalho nas margens da estrada.

O carro de caixa aberta não chega. “Mas é melhor andar a pé. Aquele carro suba e desce, desça e sobe, balança, trava e nós quase cai. Melhor andar a pé”, dizia um senhor de aparentemente 40 anos, de Nampula, que vive na KaTembe há mais de 20 anos, por causa da guerra.

Agora já são 15.00 horas e a caminhada ainda está longe do fim. Passa um carro, my love, na direcção contrária dos peregrinos. Em uma hora o carro vai retornar, pois só sai da paragem depois de estar lotado de gente. Aqui se sofre.

Chega-se à estrada nova. “Como é bonito. Pena que não foi feita para nos”, dizia Pedro em Ci-Ronga.

Os pés já estão em chamas, um caco de uma garrafa de cerveja mordeu o mapa do pé de Pedro. Pausa, tira o pedaço de vidro e continua a andar.

Já são 16.00 horas. Oferryboat está a carregar ainda. Uma hora já se passou, os peões têm o bilhete na mão e partilham a fila para entrar na embarcação dos carros. Falta pouco, às 17:30 a embarcação vai avançar.

Com os vidros fechados, as viaturas lentamente entram no ferryboat. Mas nem todas, um “4x4” faz das suas e a sua roda traseira quase acaricia os dedos longos do pé de Pedro. O homem olha para o interior do carro, observa que o motorista está embalado pela música. No leitor de música vem escrito Frampton. Na melodia da música, o condutor segue a sua viagem.

Depois de 30 minutos a embarcação avança. Enquanto a viagem prossegue, Pedro junta os factos. Enquanto acaricia a ferida causada pelo caco de vidro, percebe que o “4x4” da poeira é o mesmo que reproduzia o som do músico britânico Peter Frampton.

Pedro olhou para ponte, que na altura ainda não havia sido inaugurada. E no carro feroz, o motorista escutava todos os temas do álbum “Somethin's Happening”. No momento escutava o coro da música “Golden Goose”: “Golden goose, turn me loose/ Golden goose, turn me loose/Golden goose, turn me loose”.

Embalado pelas ondas, os navegadores do barco rezavam para que os projectos implantados não tenham o mesmo impacto do filme: “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”.

 Hélio NGUANE- (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

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AS relações entre automobilistas e peões no país, sobretudo nas cidades, estão de tal modo degradadas, que nem se cumpre o que se aprende nas escolas de condução, nem o que é, vulgarmente praticado, quando ocorre um acidente de viação.

Uns e outros parecem estar de costas voltadas para as atitudes normais de socorro de vítimas em acidentes, que ocorrem na estrada, tanto envolvendo peões, como automobilistas. Pelo que se vê, são poucos os que se mantêm firmes em solidariedade com o próximo, porque o resto parece “estar-se nas tintas” quanto a isso.

É normal ver peões circulando às avessas do que está preconizado no Código da Estrada. Anda-se tão mal, que, como dizia alguém, “as pessoas só têm medo da chuva e não de carro”. O automobilista tem que vasculhar a estrada, porque esta está repleta de pessoas circulando na via, sem qualquer preocupação de se afastar da estrada, do veículo, pelo contrário, parece até que estão a desafiar o automobilista, como que a dizer, “bates-me e logo vês”.

Um destes dias assisti a um caso bizarro, numa destas nossas avenidas, em que há um intenso movimento de carros e alguém quis atravessar a estrada à corrida, como sempre acontece. Entre uma travagem brusca e tentativa de evitar bater o peão, o automobilista pisou-o num pé com as rodas fronteiras do seu carro. Este caiu combalido. Como sempre, houve uma aglomeração de gente curiosa e que “sabe tudo do trânsito e do que aconteceu” e muitos deles tentando roubar coisas do condutor, enquanto se tentava socorrer a pessoa que fora pisada.

Esta dizia que não queria ir ao hospital, porque “era coisa pequena” e que conseguiria chegar à casa. Só queria que o automobilista lhe desse mil meticais em pagamento do que lhe fez. Houve uma algazarra, uns a dizer que o dinheiro era pouco, outros a afirmar que era melhor ir ao hospital, porque “não dói agora, mas depois quando chegar à casa…. até que o condutor decidiu separar da turba, a vítima. Este persistiu que só queria mil meticais, porque ele se resolveria. O condutor pagou e foi-se embora. Não se sabe ao certo o que depois aconteceu com o acidentado, que não quis ir ao médico.

Pouco tempo depois, soubemos dum caso “de atropela e foge”. Num fim-de-semana, um peão bebera longe da sua casa e percorrera a estrada de grande movimento a cambalear, à noite, em direcção à sua casa. Foi atropelado por um incauto automobilista que, aparentemente, quis o socorrer. Carregou-o quase moribundo com o auxílio de pessoas para o seu carro e foi visto a zarpar. Para pouco tempo depois, sem que ninguém o visse, atirar a vítima num contentor de lixo e seguir viagem. Aparentemente, o peão teria desmaiado no momento do atropelamento, pelo que não se teria apercebido de nada do que estava a acontecer à sua volta.

O Inverno e as dores juntaram-se e eis que o homem começou a gemer devido aos ferimentos contraídos no acidente. Alguns catadores de lixo, que passaram pelo contentor, foram vê-lo, atraídos pelos gemidos. Vasculharam-no e encontraram nos bolsos um celular. Foi o suficiente para telefonar para um número ao acaso. A sorte é que o contacto era de facto da esposa, que já estava preocupada por o marido não ter ainda voltado, apesar do adiantado da hora.

Eles disseram-lhe que o dono do celular estava a gemer num contentor de lixo, numa determinada zona, e que ela fosse procurá-lo, pois, eles iam ficar com o celular como         “remuneração” pela “amabilidade”.

O indivíduo teve sorte, porque a esposa, com ajuda de amigos, foram recuperá-lo do lixo e conduziram-no para o hospital.

É onde chegamos com a degradação dos valores morais na sociedade, em que, quando acontece um acidente, as pessoas correm para roubar o motorista e não para socorrê-lo. Ficam a vandalizar o carro e/ou agridem o automobilista sob a alegação de que não estava a conduzir com a devida atenção, por isso atropelou seu familiar.

Os automobilistas, quando atropelam um peão e constatam que está sozinho, sem acompanhante, fogem do local a sete pés e sem deixar rasto, abandonando a vítima, e fugindo da sua responsabilidade.

No fundo, ninguém socorre ninguém, nestes tempos de erosão dos laços de afecto e de falta de solidariedade e de responsabilidade, nestes tempos de maior malvadez entre as pessoas.  

Alfredo Dacala - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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O JOVEM descia as escadas do prédio num louco frenesim. Pulava de quatro em quatro com um invulgar cálculo geométrico mental. Transpirava abundantemente e os calções estavam à beira de um colapso nas linhas retocadas pelo alfaiate da loja do Kumar, o indiano da esquina que anda sempre mal disposto. Assomou no vão do segundo andar arfando que nem um cavalo com sintomas de renite aguda. Joaquina, a doméstica dos Soviéticos do segundo andar, vassourava o varandim quando foi empurrada violentamente pelo jovem que descia meteoricamente as escadas.

A senhora, atónita e espalmada contra o rígido chão, ainda perguntou:

- Hi hawena Zeca! O que se passa desta vez?!

Zeca travou bruscamente e o efeito da inércia fê-lo tropeçar por entre os degraus. Olhava para trás atemorizado e trémulo. Parecia perseguido por um fantasma. Encolheu-se e em pose fetal tentou juntar pequenos cacos do alfabeto português para dizer alguma coisa à senhora, mas da boca apenas emergiu um assombrado sopro cadavérico.

- Zeca meu filho, queres ajuda? O que está a acontecer? – Insistiu Joaquina, levantando-se pesarosamente e com os joelhos esfacelados.

Zeca revirou os olhos, voltou a olhar para trás e lançou um grito lancinante e gelado que ecoou o prédio todo. Levantou-se e continuou a odisseia atlética, saltando as escadas, agora de seis em seis degraus, com o mesmo sentido geométrico de cálculo. Aflorou o pátio, derrubou a banca de Lopes, o machuabo agente mPesa e revendedor de crédito, que enfurecido recalcou:

- Fusseka Zeca, mananbwa! Mussólo unga pendi fedamãe!

Zeca nem sequer parou. Atravessou a avenida mais movimentada da cidade, saltou o portão de uma escola primária, passou pelo pátio feito um foguete, voltou a saltar o muro, desta vez o traseiro, e embrenhou-se por um mercado informal. Respirava mal. Estava ofegante. Entretanto o calção já há muito tinha deixado de cumprir com as suas mais elementares funções. Zeca estava literalmente encuecado. Parou numa banca e uma mulher de meia-idade, mas com a face calcorreada pelas amarguras e agruras da vida, acercou-se dele desanimada meneando a cabeça de forma reprovadora.

- O que se passa meu filho?!

- Mamã, tem um elefante no quarto de Jorginho. Grande mamã!

E desatou a chorar copiosamente. Chorava tanto que parecia que a alma ia abandona-lo a cada violento suspiro.

- Mamã tenho medo. Aquele bicho está lá em cima mamã!

Soluçava violentamente, criando sulcos assustadores no peito. Dir-se-ia que o paquiderme de que falava afinal estava dentro de si.

Entretanto, a mãe, vendedeira numa banca de mercado informal, sentou-se e anichou a cabeça de Zeca no seu farto mas desnutrido peito. Uma lágrima deslizou por entre a face enrugada pelo tempo e envelhecida pelos percalços da vida. Nunca se recompôs da perda do marido, um diligente funcionário do Estado, nem do filho Jorginho, fulminado por uma overdose de haxixe.

Olhou com ternura e compaixão para o filho e pressagiou:

- Zeca, meu filho, não aprendeste com o teu irmão Jorge.

Leonel Abranches

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Limpopo: Por favor, ó Abel!!!! - César Langa

 

QUANDO começou a caminhada rumo ao CAN-2019, a realizar-se nos Camarões e os Mambas tiveram uma épica façanha, trazendo do inferno de Ndola uma tão saborosa quanto histórica vitória diante da Selecção da Zâmbia, todo o povo entrou em festa como se mesmo Moçambique já estivesse presente na grande festa na terra de Roger Milla, Samuel Eto’o, Thomas Nkono e companhia.

E não era por pura emoção. Havia muita razão. É que nunca antes havia sido escrita tamanha proeza. Nos confrontos entre os dois combinados (Mambas e Chipolopolo e antes KK11), nunca Moçambique havia levado a melhor, pelo menos em competições oficiais. Dentro e fora do país. Por isso, havia mesmo que festejar de forma exuberante o feito do Estádio Levi Mwanawassa.

Porque Moçambique e moçambicanos amam a sua selecção e se identificam com ela, o desaire de Julho de 2017, frente ao Madagáscar, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto, ficou esquecido. Todo o estádio ficou pintado de vermelho, quando foi a vez de receber a Guiné Bissau, para a segunda jornada. Todos acreditávamos nestes rapazes, porque, de facto, eles têm potencial. Mas a desilusão tomou conta de todas as almas que ostentam o gentílico deste pedaço do Índico, justamente ao apagar das luzes. Onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Veio a dupla jornada, desta feita, frente à Namíbia. Primeiro, em solo pátrio, na partida que seria de redenção e reconciliação entre os moçambicanos, que ainda se ressentiam das sequelas nos ferimentos do seu orgulho. Até porque tudo começou bem, comandando a marcha do marcador, mas, uma vez mais, no último minuto, o desengano volta, em forma de projéctil, a espectar os nossos corações. E a mesma pergunta se repete: onde esteve a concentração que se recomenda, ó Abel?

Trémulos quais cordeiros diante do lobo, lá se viajou para Windhoek, para um jogo que serviria para a restauração de esperanças que a matemática teima em nos iludir sobre a sua existência, nesta caminhada prestes a atingir a meta. Os Mambas aguentaram a primeira parte, mas, na derradeira etapa, os namibianos marcaram o golo que lhes conferiu a festa e fazerem das nossas esperanças a sua convicção na qualificação para os Camarões. Muita tristeza junta, não é, ó Abel?

Cegados por esta matemática que mantém miraculosamente aberta a possibilidade de estar de novo num CAN, nove anos depois, voltamos, próximo domingo, a mais um encontro com a Zâmbia. As redes sociais anteveem este jogo como “filme de terror”, porque, de facto, todos estamos tomados pelo medo, ainda que, de tempos em tempos, a matemática me faça repousar de constantes pesadelos.

Pode ser domingo, dia da leitura da sentença. Também pode ser que se adie para uma data a anunciar. Curioso é que os Mambas são os juízes da própria causa e poderão ser eles mesmos a lê-la. Cá, do meu cantinho, nas bandas do Limpopo, só me resta pedir e pedir: por favor, ó Abel!!! Vamos lá jogar limpo(po)...

César Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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