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Categoria: Opinião & Análise
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NÃO consigo divorciar-me da actualidade política nacional. Afinal, tal como os outros homens, sou também um animal político.

Volto ao encontro de todos os moçambicanos para chamá-los a atenção sobre um fenómeno muito estranho que se vive na actualidade política nacional: as manobras dilatórias da Renamo e do seu líder, Afonso Dhlakama, tendentes a empurrar o país novamente para as hostilidades militares.

O diálogo político entre o Governo e a Renamo, que decorre há anos no Centro de Conferencias Joaquim Chissano me parece um aborto. Rios de dinheiro foram gastos para o funcionamento da Equipa Militar de Observação de Cessação de Hostilidades em Moçambique (EMOCHM), cujo resultado é completamente nulo e de nenhum efeito. Os observadores, cabisbaixos, regressaram as pátrias de origem sem que tivessem cumprido o seu mandato. Dinheiro do erário público que serviria para a construção de mais estradas e pontes, mais escolas e hospitais, mais fontes de abastecimento de água e extensão da rede de abastecimento de energia eléctrica, dinheiro que serviria para a construção de mais habitações, sobretudo para os jovens, dinheiro que serviria para potenciar a agricultura e pecuária, o comércio e o turismo, dinheiro que serviria para consolidar o sistema financeiro moçambicano, foi todo ele levado em sacos para o lixo. Tudo em prol da garantia da paz, uma paz ténue desde a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Outubro de 1992, em Roma, devido a teimosia da Renamo e do seu líder Afonso Dhlakama. Digo teimosia porque a Renamo, na sua qualidade de signatária do acordo de Roma não se conforma com as regras básicas da democracia de que ela própria se orgulha de ser pai. Vai as eleições, perde-as, evoca fraude e ameaça com o retorno a guerra. Não está certo.

Mais recentemente, o líder apareceu na cidade da Beira a dizer que estava disposto à reeditar a história de Santungira, caso as suas reivindicações não fossem ouvidas. O que reivindica afinal esta Renamo e o seu líder? A adopção da Lei Quadro das Autarquias Provinciais, um documento submetido à Assembleia da República pela bancada da Renamo e que depois de uma análise pormenorizada, o Orgão Legislativo decidiu chumbá-lo por estar ferido de vícios de constitucionalidade e de ilegalidades. Dhlakama diz que não: a lei é oportuna e mesmo atropelando a lei base ela deve vigorar. Uma vez mais, não está nada certo.

Estes fenómenos conduzem-nos a duvidar da agenda política deste partido. O que quer afinal Afonso Dhlakama e a sua Renamo?

No seu Conselho Nacional que decorre na cidade da Beira, Afonso Dhlakama surge com um discurso algo pacificador. Diz que a paz é melhor que a guerra, mas em contrapartida, nada faz para a preservação dessa paz. Pelo contrário, dificulta a manutenção da paz. Os moçambicanos vivem com o coração sempre nas mãos. Não podem desenvolver livremente as suas actividades por temerem o regresso às hostilidades militares. Isto não está certo.

Chamo atenção aos moçambicanos para que não se deixem levar por este abrandar do discurso de Afonso Dhlakama, pois, estamos perante um homem imprevisível. Muito imprevisível. Com este abrandar do discurso pode e muito bem, Dhlakama estar a engendrar manobras de distrair os moçambicanos para se furtar à vigilância popular e regressar a Santungira para o reacender das hostilidades.

Temos que estar vigilantes. Mas muito vigilantes porque não queremos mais a guerra em Moçambique.

Não se sabe ainda o que tal conselho nacional da “perdiz” vai decidir. Mas sabe-se que Afonso Dhlakama remeteu todas as decisões para este órgão. Sabe-se também que Dhlakama torce pelo regresso as matas, e sabe-se ainda mais que todas as decisões ou pretensões de Dhlakama prevalecem sobre todos os órgãos do partido. Então, não nos surpreendamos se o conselho nacional da Renamo determinar pelo incitamento do povo à violência porque tal é a pretensão deste homem imprevisível que se chama Afonso Dhlakama.

Agora, o que acho que devemos fazer, nós, moçambicanos de bem, é rejeitar o incitamento à violência. É estarmos mais unidos, como insistentemente tem pedido o nosso Presidente Filipe Nyusi, para que melhor possamos encarar os desafios do futuro. Temos que estar unidos para mantermos o nosso país uno e indivisível. Temos que mostrar ao mundo que o nosso país se prepara para comemorar os 40 anos da sua independência em paz e em liberdade. Os que se apartarem deste projecto, lá isso é com eles. O alerta já foi lançado: o caminho dos 40 anos está aberto para todos os moçambicanos, sem qualquer distinção. Unamo-nos em torno destas festividades.

Por fim, unamo-nos ainda mais e digamos em voz alta, não à guerra. Termino perguntando onde estão afinal, os nossos órgãos de administração da justiça para travarem as ambições políticas desmedidas deste homem imprevisível.

VICTORINO MAZUZE