Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

COMO tem sido tradição desde que foi fundada a AMIZAVA, no último fim-de-semana de cada mês de Agosto realiza-se na pacata vila municipal de Quissico, distrito de Zavala, a sul da província de Inhambane, o festival de timbila denominado AMIZAVA.

A sigla AMIZAVA tem por significado Associação dos Amigos de Zavala, e tem como elemento diferenciador de todas as associações deste país por não se identificar nem admitir nos seus estatutos os termos “naturais de” como tem sido característica deste tipo de associações.

O festival da AMIZAVA, nas suas edições anteriores, sempre se caracterizou por afluência de turistas nacionais e estrangeiros, que acorrem àquela vila das baleias de Quissico, não só para ver in loco o m´saho ou n´godo de timbila, mas também para degustar os pratos típicos da região, desfrutando das lindas paisagens das dunas de areia que separam o Oceano Índico das lagoas de Quissico, num frenesim de pequeno Brasil.

Este ano o festival não vai contar com dois dos mais prestigiados filhos da terra. Refiro-me ao mestre Venâncio Mbande, o conceituado e mais conhecido compositor e maestro de timbila da actualidade, e o Frei Elias Jacinto Malate, padre franciscano, que nos últimos anos se encontrava afecto à Paróquia da Sé Catedral da Beira, no centro do país.

Por paradoxo que pareça, os dois ícones da música e de liderança espiritual, respectivamente, tinham estado juntos no dia 2 de Maio do ano em curso numa cerimónia privada de família, havida naquela vila municipal de Quissico, sede do distrito de Zavala, onde o Frei Elias cuidou da parte espiritual, celebrando a liturgia naquela cerimónia privada de família e o velho músico Mbande abrilhantando, com exuberância, a festa com o seu famoso n´godo de timbila ta Venanci.

Foi uma festa típica de gente alegre e exuberante e pelo estado físico e de espírito que cada um aparentava nada podia indicar que em menos tempo aquelas duas figuras emblemáticas pudessem desaparecer fisicamente dos olhos de quem os viu naquela festa, como tristemente veio a acontecer.

As cerimónias fúnebres, tanto de um, como de outro realizaram-se naquele distrito do sul de Inhambane, nos cemitérios familiares das suas casas de origem (é tradicional no sul do Save ter o cemitério da família ao lado da casa para “viver com os nossos antepassados juntos”), havendo menção não menos relevante a fazer o facto de que os missionários católicos geralmente são enterrados em determinados lugares, ainda que não especiais, mas reservados para eles em reconhecimento dos serviços relevantes prestados às comunidades.

Frei Elias, como era conhecido e carinhosamente tratado, foi a enterrar em Mavulula, zona próxima de Chissibuca, para sul do distrito, e tudo indica que foi a pedido da família, com a qual tinha estado de férias durante um mês antes da sua morte precoce, e o velho Mbande, no cemitério da sua casa na zona de Guilundo, norte do distrito.

De realçar que o Frei Elias, como que a despedir-se das suas comunidades de origem, durante a sua estadia de férias fez uma digressão pelas missões de Santo António de Mavila e de Nossa Senhora do Amparo de Quissico, no distrito de Zavala, e também em Mandhakazi, distrito próximo da sua terra natal, onde celebrou missas dominicais num ambiente de festa e de alegria como era característica das suas pregações.

É caso para dizer: a AMIZAVA deste ano vai chorar pelos seus dois filhos, que Deus os tenha no melhor lugar de sempre e que os compense porque é merecido!

Alberto Nhavoto

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction