Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

AMANHÃ é dia de São Valentim. Dia dos namorados. A data é assinalada em homenagem ao Bispo Valentim, do século III, que celebrava casamentos à revelia do imperador Cláudio II, no Reino de Roma. O Imperador era contra os casamentos, pois queria que os jovens não formassem família para não terem dificuldades de ir à tropa para defender o seu reinado.

Mas porque Valentim desafiou a autoridade, continuando a celebrar matrimónios, acabou preso e decapitado a 14 de Fevereiro do ano 207.

Dezoito séculos depois, a data continua a ser celebrada em todo o mundo. Nos dias que correm, é comum ouvir dos jovens que ainda pretendem formar família ou dos parceiros, já vivendo em família, que se trata de uma ocasião para renovar o amor e fazer uma reflexão à volta dessa coisa que Luís Vaz de Camões a definiu como fogo que arde sem se ver.

Naturalmente que amanhã voltaremos a ouvir estas mesmas palavras, através das televisões, das rádios e dos jornais.

Não duvido da seriedade dessas palavras. E se o que é dito reflecte o que feito, desta vez há motivos para se fazer muito mais. Há razões mais do que suficientes para uma reflexão mais profunda à volta do amor, que parece estar em crise, à semelhança do que acontece em relação a muitos outros valores da sociedade moçambicana.

Celebra-se o dia do amor amanhã, com lágrimas e incredulidade nalgumas famílias moçambicanas que perderam os seus entes por causa de problemas de amor. Alguns destes episódios deixaram menores com futuro incerto porque o pai foi morto pela mãe ou vice-versa ou ainda porque um deles decidiu pôr termo à vida do companheiro depois à sua, devido a problemas de amor. Nem fazem sequer contas das consequências dos seus actos, tanto para a família como para a sociedade. Até onde chegamos por causa dos problemas do amor que o diálogo não está a conseguir resolver? Ou deixamo-nos influenciar por personagens dos filmes/novelas ou dos romances que, a dado momento do enredo, dizem mataram por amor?

Se esta data foi sempre ocasião para uma reflexão, o 14 de Fevereiro deste ano tem que servir mesmo para o aprofundamento do diálogo no seio dos casais e das famílias para que mais sangue não jorre devido a razões passionais, como tem estado a acontecer.

Motivo de reflexão tem que ser também o simbolismo da data, que tem a ver com a troca de presentes entre parceiros. É nesta data que se reportam casos de indivíduos que reivindicam presentes a todo o custo. Outros há, sobretudo entre as mulheres, que coleccionam e com um quê de orgulho, oferendas de vários parceiros com os quais têm intimidade numa relação baseada em bens materiais, esvaziando o sentido de amor. Nalgumas vezes, é aqui onde muitos problemas começam, descamba depois para a violência

Não sou pessimista. Não pretendo com isto dizer que já não há amor na sociedade, mas sim que o mesmo está a ficar abalado por algumas adversidades. Continuo a acreditar muito na existência de amor verdadeiro, como continuaram a acreditar nele os jovens que faziam romaria ao cárcere do Bispo Valentim, levando consigo flores e bilhetes em reconhecimento do que ele promovera em liberdade. De forma antecipada, feliz dia dos namorados!

 

Lazaro Manhiça

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