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Categoria: Opinião & Análise
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COMPULSANDO sobre a degradação das estradas na Beira lembrei-me de uma caricatura de um artista nacional que certa vez usou toda a sua imaginação para descrever o que na altura estava a acontecer na cidade de Maputo em consequência do estado das vias públicas.

Tentando puxar pela cabeça vieram alguns nomes dos caricaturistas de então mas prefiro não correr riscos mencionando-os antes que dê a César o que não é de César!

O nosso compatriota caricaturista engendrou então uma história em que um certo individuo, creio que alheio à cidade de Maputo, pergunta a outro circunstante como podia chegar a um determinado lugar que procurava no momento.

E este, percebendo que conhecia o lugar, começou a explicar (a citação é livre e pode não estar muito perto da letra):

O senhor pode ir sempre em frente por esta estrada (e apontou). A direita vai encontrar um desvio onde tem um buraco. Siga por esse desvio mesmo. Ande uns 50 ou 60 metros depois vai encontrar um outro desvio onde também há um buraco com um pouco de água.

Ai, é só voltar a seguir em frente e onde encontrar uma estrada no buraco é exactamente o lugar que o senhor procura. Vai ver um letreiro a identificar o local. Muito simples!

Vem esta desconseguida tentativa de intróito a propósito do que está efectivamente a acontecer na cidade da Beira.

De facto, a segunda maior urbe do país vive momentos verdadeiramente difíceis. Está cada vez mais complicado circular na maioria das estradas que levam aos principais locais que fazem a vida da cidade.

Chegamos àquelas fases que já aconteceram em anos anteriores em que o automobilista tinha que gerir os buracos, buraquinhos e buracões.

Ou seja, optar em qual deles meter o seu carro. Já não se trata de fugir dos buracos. Trata-se de geri-los porque em muitos casos não há sequer para onde fugir. Em outros casos são mais felizes os que conhecem melhor a cidade porque pode optar por vias menos esburacadas para alcançarem os seus destinos. Está realmente muito feio. Muito feio mesmo!

Existem casos de estradas que já nem sequer têm sinais de algum dia terem sido asfaltadas. Naturalmente isto só aumenta a confusão que já é grande na cidade com o aumento do número de viaturas entre os quais os “chapas”, “tchopelas” e os vendedores de rua.

Portanto, a segurança rodoviária está em questão nos dias que passam por via desta situação. Aliás, os manuais de condução recordam-nos claramente que o estado da via pode ser causa de acidentes, fora do erro humano e do estado mecânico dos veículos.

Temos todos vários exemplos de situações em que um automobilista, fugindo de um ou outro buraco, acaba encostando num peão, noutro veículo ou num outro tipo de obstáculo.

Outra consequência, naturalmente, é que muitos automobilistas já estão a ter problemas mecânicos de diversa ordem nas suas viaturas, uma situação contra a qual não há argumentos. Entenda-se, ninguém vai assumir que não seja o próprio proprietário da viatura em questão.

Gostaria, antes de terminar, de deixar um apelo a quem de direito para que faca algo para reverter este estado de coisa quanto antes porque a situação é mesmo

Eliseu Bento