Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

SÓ posso começar o presente texto dizendo mesmo isto: INAE, já era sem tempo. Há muito que ansiávamos por uma acção do tipo que a INAE vai realizar, a de fiscalizar a publicidade veiculada diariamente, tanto através dos meios de comunicação, como por outros. É uma iniciativa da qual se espera venha a contribuir para pôr fim, ou pelo menos para minorar a mediocridade e a desordem que campeia no mercado de publicidade.

O mercado de publicidade envolve, como se sabe, por um lado, empresas produtoras de materiais publicitários, as mensagens em spots, vinhetas, textos e/ou outros formatos e, por outro, as empresas emissoras dessa publicidade. Espero, portanto, que a actividade inspectiva a ser realizada pela INAE incida, principalmente, na vertente qualidade informativa/comunicativa das mensagens veiculadas. Por outro lado, deve-se também prestar atenção especial à prática da publicidade enganosa que se transformou “no pão-nosso de cada dia” de muitas empresas. Hoje por hoje, vende-se muito gato por lebre.

No que à qualidade do produto (as mensagens publicitárias) diz respeito, há muitas luas que os cidadãos estão preocupados, nomeadamente com as machadadas que são desfechadas contra a língua portuguesa. Muitos de nós estamos cansados e exasperados de ver e ouvir, através dos meios de comunicação social, mensagens que assassinam autenticamente a língua portuguesa, que é o veículo privilegiado que permite que todos, ou quase todos os cidadãos viventes neste país, se comuniquem no seu quotidiano, quer para falar de coisas triviais, quer para tratar de negócios, quer para fazer políticas, quer para falar de futebol, etc e tal.

Lembra-se, caro leitor, daquela de “saúde orral”, passada “n” vezes nas rádios e nas televisões? São machadadas como estas, trazidas até nós, através de anúncios publicitários, que arrepiam, ferem o ouvido e a vista.São baboseiras como estas, que desinformam e deformam os nossos filhos, netos e sobrinhos, para além de transmitir, em alguns momentos, informação enganosa.

Como atrás referi, o mercado de publicidade tem como principais actores, empresas produtoras de materiais publicitários e as empresas emissoras desses materiais.Quer isto dizer que os erros (ou os méritos), caso ocorram, têm de ser partilhados pelas duas entidades. Assim, às empresas produtoras exige-se-lhes que tragam “cá p’ra fora”, um produto de qualidade. Em palavras mais simples: que os spots, as vinhetas, as páginas gráficas, entre outros materiais, devem apresentar informação com qualidade inquestionável, que facilite a compreensão da mensagem que se pretende veicular.

Às empresas emissoras, por seu turno, estações de rádio, estações de televisão, entre outros meios de disseminação de materiais audio-visuais, exige-se-lhes, para além, claro, de condições técnicas apropriadas, capacidade de análise da qualidade na componente técnica e de construção frásica das mensagens, de forma a garantir qualidade informativa dos materiais. Devem, por outro lado, possuir capacidade e autoridade moral, para recusar disseminar materiais cujas mensagens atentem contra a moral pública, ou que desvirtuem outros valores da sociedade.

Outro aspecto que considero importante: as empresas emissoras não podem, simplesmente, aceitar tudo quanto lhes é entregue para publicitação, sob a alegação de que precisam de dinheiro para se manterem. É um facto que precisam de dinheiro, porém, não é menos verdade que precisam de defender (ou criar) prestígio de bem servir. E bem servir é apresentar ao público um produto de qualidade. Por isso, considero bem-vinda a iniciativa da INAE. Espero é que a sua acção inspectiva abarque todos os aspectos que “intervêm” neste mercado: a qualidade do produto, o material publicitário e a responsabilização das empresas utilizadas para a sua veiculação. O mesmo é dizer que tanto os produtores assim como os veiculadores, podem ou devem ser penalizados ou premiados caso não cumpram ou caso assumam  integralmente as suas responsabilidades.

MARCELINO SILVAEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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