Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

XIMELI – uma garota de menos de 18 anos – veio a Maputo, ida de Machelene, em Gaza, à procura de emprego. Há menos de seis meses perdeu a mãe, vítima de doença. O pai trabalha para as minas da África do Sul, vão décadas.

Mesmo ciente da tenra idade, por que razão Ximeli não procuraria emprego para o sustento da família, se os irmãos mais novos – num total de cinco – ficaram à sua guarda?

Não tardou que ela encontrasse trabalho, num dos bairros periféricos da cidade da Matola, como empregada doméstica, onde até já era uma funcionária laboriosa. Cuidava da casa, com certo zelo e competência e preparava as refeições com requintes, para a família empregadora, tal como a tinham ensinado. Com bons patrões, ficou acordado que, tendo presente a sua fofa idade, à noite poderia matricular-se para dar seguimento aos estudos e aos fins de semana, podia ir à Igreja, ao encontro da palavra do Senhor. Afinal, o futuro é incerto. Os estudos dão-nos a ferramenta para melhor interpretarmos os fenómenos da vida e a Igreja, a consolação.

No fim de cada mês Ximeli enviava uma mensalidade para Machelene, para o sustento dos irmãos mais pequeninos. O que ganhava não dava para muita coisa, mas é o que ganhava e ela sabia fazer das tripas o coração. E assim foi vivendo.

Quando tudo indicava, de forma ténue mas segura, que Ximeli começava a prosperar, eis que o infortúnio lhe “bate” à porta. Uma doença arreliadora e repentina, lhe agride. Ximeli morre no leito hospitalar. Esse hospital não soube dizer de que padecia a rapariga, não obstante a insistência dos “patrões” da moça e, mais tarde, de alguns familiares que, de emergência, se deslocaram de Machelene a Maputo para acompanhar o quadro clínico da menina.

Mas a partir de certa altura, o mais preocupante para as famílias deixou de ser a morte em si, porque algo consumado, mas sim os aprestos para as exéquias que deveriam acontecer na terra de origem. Tal foi a vontade manifestada pelo pai, num contacto telefónico efectuado a partir de Maputo para algures na África do Sul onde ele trabalha.

As agências funerárias, exímias conhecedoras dos contornos para a realização de funerais, perfiladas junto à casa mortuária, essas não brincam em serviço. Funcionárias “solícitas” de diferentes agenciamentos, lá estão, cada uma delas, a apresentar os seus serviços e, em anexo, os elevados custos. As urnas, divididas em classes a preços que variam dos cinco mil meticais ao mais infinito; os custos do transporte da urna para Machelene ou outro qualquer lugar, o valor a pagar pelo embalsamento do corpo, entre outros itens, numa quantia que ascende os vinte mil meticais. E para o caso, todas as despesas suportadas pelos “patrões”. A dona de casa, desde sempre doméstica e o “patrão” reformado das minas da África do Sul. Aliás, a aumentar a factura, juntaram-se consumos como a alimentação para as famílias concentradas em Machelene, lá no campo, o luto para os íntimos, os salários da rapariga do tipo indemnização, a favor da família, tudo em estrito respeito e obediência aos ditames da tradição.

Vejamos então, o alto preço desta morte: Para vir a Maputo à procura de emprego, Ximeli desembolsou nada mais e nada menos que 200 meticais. O seu regresso à terra de origem vale pois, tudo o aqui descrito e, mais ainda, outras coisas omissas.

Descanse rapariga, na paz dos justos!

Salomao Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Sábados

CLICKADAS

TEMA DE ...

A multiplicidade étnica e religiosa é, sem dúvida, uma ...

...

A busca por um sistema educacional que incluísse as línguas, ...

Conselho de administração

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

Siga-nos

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction