Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

ZÉ Mucavele é um homem de peito aberto. Pode-se ler isso nas letras que ele imprime nas suas canções. Mas sobretudo na maneira como ele as compõe. E no modo como toca a guitarra. Na voz, também. Quase rude.

Não entendo muito de música, mas gosto de ouvir aquilo que é bom. Não tenho argumentos científicos para defender que Zé Mucavele é um dos maiores compositores do mundo. Mesmo assim, enquanto não vier alguém desmentir a minha tese, vou continuar a dizer isso também de peito aberto.

Nunca convivi com ele. Nunca lhe apertei a mão. Mas já lhe vi muitas vezes na rua: eu no carro, e ele caminhando a pé, habitualmente na Avenida 24 de Julho. A sensação que tenho, sempre que contemplo a sua figura ao vivo, é de que traz a mesma jaqueta preta. Deve não ter outra para mudar (kkkkkkk). Até porque como aquilo é cabedal, resiste às intempéries. Significa que o homem pode usar a sua peça, que já se tornou no estilo pessoal de marca, durante toda vida. E a barbinha branca de “bode”, dá-lhe um outro toque. Quase original.

Zé Mucavele está na estrada da música há 50 anos. É um marco muito importante na sua vida. E se calhar na cultura moçambicana. Não é qualquer um que vence as vicissitudes de uma carreira musical durante meio século. Zé Mucavele triunfou.

Apesar de toda esta aura que eu vejo no Zé, há aqueles que virão perguntar: mas quantos albuns é que ele gravou durante este tempo todo? E eu, como seu fã, vou responder: O valor do músico não se mede pela quantidade dos discos que grava ou que vende. Mas pela sua personalidade. Pelo seu carácter artístico. E este homem tem uma grande personalidade no toque da guitarra. Na voz. E na composição.

É verdade que ele nos prometeu o Compassos II, e que até hoje ainda não saíu à rua. Eu pessoalmente não sei porquê, mas enquanto esperamos, ofereceu-nos “Ngwana ya Mulunguissi”. Sem dúvida uma obra de cristais. E é por aí que eu vejo o Zé. Mas também  vejo-o na “Balada Para As Filhas” !

Não vou falar da sua passagem pelo grupo RM, porque isso é muito repetitivo. Hoje, neste espaço, apenas quero despejar as minhas emoções, sem ciência sem nada. Apenas com o coração. Talvez dizer que ele poderia e deveria estar a brilhar noutras luzes como Paris, por onde passam os monstros. E onde vivem muitos galácticos africanos.

Alguns poderão vir à terreiro perguntar-me: então se Zé Mucavele é o astro de que tanto falo e  fala-se, por que é que não está em Paris? Por que é que anda a pé nas ruas de Maputo! Essas perguntas não é a mim que cabe responder. Hoje apenas vim aqui homenagear o “mestre” pela passagem dos cinquenta anos da sua carreira. Vim dar vazão a um sentimento.

O resto não é comigo.

 Muito obrigado !

Alfredo Macaringue

Sábados

CLICKADAS

TEMA DE ...

A multiplicidade étnica e religiosa é, sem dúvida, uma ...

...

A busca por um sistema educacional que incluísse as línguas, ...

Conselho de administração

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

Siga-nos

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction