Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

SEMANA passada foi caracterizada, entre várias realizações, pela homenagem ao médico decano Branco Neves. De origem portuguesa, o otorrinolaringologista está ao serviço da medicina moçambicana há mais de meio século, fazendo parte do seu invejável “CV” a remoção de um pedaço de osso de galinha na garganta do saudoso primeiro Presidente de Moçambique Independente, Samora Moisés Machel.

A iniciativa da homenagem foi da Ordem dos Médicos de Moçambique, que decidiu condecorar o homem que trata as delicadas operações a laringes por “tu”, com o título de “Membro Honorário” desta organização sócio-profissional, tendo juntado, na ocasião, diversos e renomados profissionais da saúde.

Foi interessante ouvir diferentes depoimentos sobre a carreira do decano mas, acima de tudo, sobre o actual estágio dos serviços da saúde no nosso país, seus problemas, suas causas e possíveis soluções. Percebi que o problema é um: a ausência de humanismo nos serviços. Entretanto, as causas e soluções, no entender dos intervenientes, são diferentes.

Há quem diga que a forma (desumana) de atendimento tenha a ver com a origem de cada agente de saúde, com particular ênfase para os enfermeiros, o que condiciona a sua forma de ser, estar e lidar com doentes. Outros são de opinião que o tratamento desumano tenha a ver com a formação, neste caso atribuindo-se a responsabilidade à qualidade dos docentes do ramo da medicina.

É aqui onde entra o antigo ministro da Saúde, Ivo Garrido, ao afirmar que não é com base em palestras ou colóquios que se pode prover de humanismo aos serviços da saúde, pois é ao longo do processo de formação que estas qualidades devem ser adquiridas e treinadas.

Mas o que me chamou especial atenção foi a explicação dada por este antigo governante ao facto de não fazer parte do corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane. Disse e eu acompanhei através da Televisão de Moçambique, que não exercia a docência por ter sido despedido pelo Prof. Dr. Brazão Mazula. E ele fez questão de sublinhar que foi, de facto, despedido!

Na ocasião, solicitou-se que falasse das causas deste despedimento, mas endossou a pergunta ao antigo reitor da UEM, que foi, igualmente, o primeiro presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) nesta nossa jovem democracia. Peço que me perdoem neste meu subjectivismo, mas a verdade é que ficou claro que Ivo Garrido não engoliu e lhe continua atravessado este seu despedimento do corpo docente desta que é a faculdade de referência na nossa medicina.

O que terá motivado a esta grande figura da academia moçambicana a prescindir dos serviços da outra incontornável individualidade deste pedaço do Índico, que ainda depende de grande parte de mão-de-obra importada para as suas instituições de ensino? Será que Brazão Mazula não disse? Ivo Garrido não perguntou? Ou, talvez, mais grave ainda, cada um confinou-se orgulhosamente só no seu silêncio?

Pode ser que tenha havido problema, mas não quero acreditar que tenha sido (ou seja) de uma solução de impossível alcance por parte de qualquer dos visados neste assunto. A verdade é que no dia de homenagem a um otorrinolaringologista, o Dr. Ivo Garrido manifestou ter algo atravessado na sua garganta, mas que a sua remoção não poderá ser feita por Branco Neves. O otorrinolaringologista de Ivo Garrido só pode ser Brazão Mazula. Pode ser, Prof. Dr.?

Seria uma forma de jogar limpo(po)...

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César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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