Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

ANTES do PRE (Programa de Reabilitação Económica), para quem se tenha esquecido, os produtos da primeira necessidade não eram vendidos de qualquer maneira nas lojas. As escassas distribuições de bens de consumo eram feitas sob controlo de gabinetes, GOAM, por exemplo.

Nessa fase de terrível memória, vi uma senhora em soluços, para que numa loja tivessem compaixão dela e lhe vendessem duas panelas de alumínio, porque um curandeiro prometera resolver os problemas conjugais que a filha tinha no seu lar. Creio que a senhora deve ter conseguido adquirir as panelas, mas o casamento da filha jamais teve cura.

Mas importa sublinhar que é de facto incrível, a maneira como os crentes nas artes mágicas acreditam e fazem de tudo, por mais absurdo que seja, para satisfazer esses pedidos irracionais. Não hesitam até, em praticar crimes, dando o que têm e o que não têm, esperando por resultado satisfatório.

Até há duas décadas e meia, tínhamos nas cidades e arredores, curandeiros desocupados, à espera da clientela. E como o velho ditado bem diz:«os santos da casa não fazem milagres», alguns diziam-se provenientes dos países vizinhos, para ganhar maior credibilidade.

Recordo-me agora que uma senhora de Tete, com uma criança cuja doença exigia uma intervenção cirúrgica, andava de loja em loja, a coitada, à procura duma nota encarnada de 100 escudos que o então Banco Nacional Ultramarino emitiu na década 30, do século passado. Um curandeiro malawiano tinha dito a ela: «EU EVITO QUE A TUA CRIANÇA SEJA OPERADA. VOU-LHE CURAR SE ME TROUXERES UMA NOTA ENCARNADA QUE CIRCULOU EM MOÇAMBIQUE NO TEMPO COLONIAL».

Hoje, infelizmente, a turba dos curandeiros charlatães, não só aumentou a fasquia publicitária, como também actua publicamente, em competição com um grande número de seitas, que se dizem religiosas, usando os mesmos estratagemas para enganar os incautos!

Recordo que em devido tempo foram sendo desaconselhados todos os curandeiros, ervanários ou médicos tradicionais, que nunca devem publicitar a cura de doenças incuráveis, só com objectivo de ganhar fama e dinheiro.

Hoje, parece que temos de gritar em coro, com Roberto Carlos, apelando a Jesus: “MEU AMIGO VOLTE LOGO, VEM DIZER TUDO DE NOVO...”. O apelo tem que ser lançado de novo e com toda a contundência, para que os diversos anúncios enganosos que proliferam pelas cidades, sejam desencorajados.

Na verdade, estes são anúncios que representam uma afronta à nobre actividade dos hospitais e dos verdadeiros médicos tradicionais que até colaboram com a medicina moderna. Espalhar publicidade enganosa devia ser punível, ou pelo menos, não autorizada.

Sauzande Jeque

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