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Categoria: Opinião & Análise
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NUM dia em que os Estados Unidos da América (EUA) recordam com profunda dor e consternação o atentado de 11 de Setembro de 2001, o Limpopo aparece para o seu habitual convívio com o leitor, não para tratar do assunto das torres gêmeas do complexo empresarial de World Trade Centre (WTC), mas para voltar à praça desportiva, porque a nação, semana passada, despiu-se de todas as marcas e ficou toda desportiva ou, particularizando, toda futebolística, incluindo o futebol de praia.

Toda a nação, à boa hospitalidade dos moçambicanos, esmerou-se durante mais de dois meses, para receber um dos participantes do último CAN de 2017, no Gabão e que se tornou formação revelação da competição, para a disputa da segunda jornada rumo ao outro CAN, desta feita o dos Camarões, no próximo ano.

Os dois conjuntos iam para o encontro de sábado em igualdade de circunstâncias, em razão das respectivas vitórias na ronda inaugural, em que Moçambique derrotou a Zâmbia e a Guiné Bissau venceu a Namíbia. Mas antes importa esclarecer que o que me move a voltar à praça desportiva é a tendência e a busca desenfreada de diabolização de certos sectores ou certas individualidades que directa ou indirectamente fazem o futebol moçambicano.

Não conheço nenhum treinador que se faça ao campo com vontade de jogar e perder, nem mesmo empatar. Neste caso, é indiscutível que Abel Xavier não quisesse sair do Estádio Nacional do Zimpeto com três pontos, que possibilitariam ao seu conjunto assumir isoladamente a liderança do Grupo “K”. Não conheço nenhum jogador que se faça às quatro linhas para não dar o máximo de si, porque num jogo, todos querem ganhar. Podem “engolir” um empate, mas nunca uma derrota, seja por razões colectivas, mas principalmente individuais, pois, cada um, à sua maneira, quer construir o seu currículo, na sua passagem por estas andanças.

Mas o primeiro mesmo que queria ganhar este jogo, não porque seja mais ou menos moçambicano que os outros, é Alberto Simango Jr., na qualidade de indivíduo a quem todo o moçambicano, independentemente das suas convicções políticas, religiosas, origem étnica ou outras formas que o singularizam, deposita expectativas em torno desta parcela do Índico. Por isso, Simango queria ganhar!

A venda atempada dos bilhetes, a experiência de se não vender ingressos nas bilheteiras do estádio, no mesmo dia do jogo, a mobilização de todo o aparato de organização, a presença da Imprensa moçambicana em peso, antes, durante e após o jogo, a superlotação do ENZ (não foi bonito ver pessoas sentadas nas escadas da bancada VIP), tudo isto revelou uma entrega colectiva e espontânea a uma causa: o nome de Moçambique. Não havia e nem há nenhum mercenário, aqui, passe algum extremismo.

É por estas e ouras razões que, como todo um país em que estivemos a uns segundos de ganhar três pontos, mas que acabámos perdendo dois, apelo à manutenção de todo o espírito de fair-play, também como forma de fazer jus aos elogios do Comissário da CAF para o jogo do passado sábado. É preciso que reconheçamos que mesmo sendo nós a mandar em casa, a Guiné Bissau não é uma pera doce.

Já tivemos desaires em solo pátrio (lembro-me da derrota frente ao Madagáscar), mas há coisas boas que, neste momento, devemos capitalizar, como a vitória na zâmbia e o empate desta mesma Zâmnbia com a Namíbia, para encararmos o jogo do próximo dia 13 de Outubro, na ressaca do processo eleitoral autárquico, com optimismo, rumo ao CAN dos Camarões, nove anos depois. Para tal, vamos lá jogar limpo(po)...

César LangaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.