Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

NOVA Iorque é uma cidade cheia de “filmes”. Alguns deles tornaram-se mais evidentes no cenário da realização da última Assembleia Geral das Nações Unidas que, não tendo sido a primeira a acontecer naquela cidade (foi a 73ª!) teve o condão de ocorrer em pleno consulado de Donald Trump, esse homem que faz diferença em tudo o que diz sobre o mundo à sua volta.

De facto, esta foi a segunda vez que o homem atendeu à reunião magna da ONU, instituição que em 2016 classificou de “fraca e incompetente” e um como um “clube para conversas”. Curiosamente, e talvez porque o mundo já não sabe mais o que esperar de Trump, foi do seu discurso que todos ficaram à espera, a ponto de, a sala de imprensa, onde se juntavam várias dezenas de jornalistas de todo o mundo, ter ficado “automaticamente” num silêncio sepulcral, assim que Trump subiu ao pódio…

Durante os dias em que Nova Iorque hospedou a reunião, os padrões de segurança na cidade foram elevados ao extremo.

Como era de prever, na zona próxima do edifício-sede da ONU, e nas áreas onde se localizam hotéis ocupados por dignitários que participavam no evento, o movimento era restrito, sobretudo para viaturas particulares e táxis, que muitas vezes eram forçados a cumprir longos desvios, já que muitas vias eram fechadas ao tráfego.

Por aqueles dias, ser peão acabava sendo a melhor opção já que o único inconveniente era ter de enfrentar aqueles gigantes feitos agentes da Polícia, posicionados em cada palmo da cidade, a distribuir olhares desconfiados por tudo que se mexesse à sua volta…

Em vários momentos, dei comigo parado, a contemplar aqueles “armários” com porte acima da média, equipados a rigor … Verdadeiras “máquinas de segurança” olhava para eles e imaginava o quanto cada um deles se podia equiparar a uma esquadra, não só pela qualidade de intervenção que a sua postura sugere, mas também pelo equipamento diverso que transportava consigo, que lhe permite responder a qualquer assunto no local onde estiver, muitas vezes sem precisar de solicitar reforço.

Capacidade à parte, infelizmente não faltaram episódios de arrogância e excessos na actuação de alguns daqueles agentes. Por exemplo, na véspera do início da participação moçambicana na reunião da Assembleia Geral, a equipa de jornalistas moçambicanos que cobria o evento foi ao Lotte New York Palace Hotel, onde estavam hospedadas várias delegações presidenciais, incluindo a nossa. O objectivo era conversar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, para uma antevisão sobre a participação moçambicana no encontro. No átrio do hotel, vários outros jornalistas, de outros países, desdobravam-se em entrevistas para irem actualizando os seus auditórios sobre o que se estava a passar.

Íamos iniciar a conversa com o Ministro José Pacheco quando um sujeito enorme se dirige a nós no seu inglês enrolado e em tom pouco cortês:

- Aqui vocês não podem filmar. É recinto do hotel e por isso não podem filmar…

Para nós aquela proibição não fazia qualquer sentido. Pelo menos nos termos em que estava a ser colocada. Havia gente a fazer o mesmo que nós apenas íamos começar. Além do mais, nós íamos falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros de um país membro das Nações Unidas…

Ainda tentamos explicar tudo isso àquele “grandalhão” que, infelizmente, agia como um robot.

- No, I said no! And I won’t talk anymore about it… For interviews, go outside the Hotel! (“Não, eu disse não! E não quero falar mais sobre este assunto… Façam entrevistas fora do recinto do hotel!”).

(In) felizmente o Ministro Pacheco acompanhou a cena daí que tenha sido fácil para ele compreender e aceder ao nosso pedido para irmos fazer a entrevista… num passeio, na agitada via pública, sem o sossego que o nosso trabalho exige, e sem a dignidade que merece um Ministro dos Negócios Estrangeiros…

Felizmente, e apesar da adversidade, o trabalho foi feito e as nossas audiências foram informadas sobre o essencial. O que ficou a doer mesmo, foi perceber que há gente que adora nivelar os outros por baixo!

Ainda bem que levava um estômago de reserva!

Júlio ManjateEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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