Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

ESTOU com o rádio - acoplado no meu celular – ligado vinte e quatro sobre vinte quatro, desde que começou a campanha eleitoral para as municipais. A estação  que tenho sintonizado é a Rádio Moçambique, pela possibilidade que me dá de acompanhar o que se passa em todo o país quase em tempo real.

Hoje há muitas vozes novas que eu não conheço falando aos microfones. Algumas delas isentas de qualquer particularidade para me cativarem. Mesmo assim fico ligado porque quero estar informado.  Mas nunca é demais repetir que a forma como a informação chega até nós, conta muito: a voz, o timbre, a dicção e a arte de comunicar.

Isto não tem nada a ver com o sotaque, que muitos pensam ser fundamental. Falar bem não é necessariamente ter sotaque aportuguesado. Falar bem em Rádio, é falar com arte, independentemente do sotaque. E nesta senda a Rádio Moçambique já teve um grande artista, sem dúvida. Chama-se Modiasse Piasse Mahachi, falecido em 2014, vítima de doença.

Se estivesse vivo, este ano completaria 60 anos. Seria um sexagenário feito de cristais. Tinha uma maneira natural de se apresentar como profissional, muito própria. Original. Que muito cedo granjegou curiosidade e admiração por parte dos que o ouviam, e por parte dos colegas que tinham por ele uma grande estima.

Felisberto Laíce, profissional de fotografia do “Notícias”, agora reformado, sempre que fosse à Tete em serviço, procurava Modiasse Piasse Mahachi para lhe ouvir ao vivo e conversar nas tertúlias. Era bom de papo. Mas o seu forte mesmo era a música. Dançava sem se cansar os ritmos zimbabweanos e também os sons tradicionais de Tete.

Desde que começou a campanha eleitoral para a escolha dos conselhos municipais, sentí que há uma voz que falta. Que faz falta. E essa voz é a de Modiasse Piasse Mahachi. Um homem que eu conhecí e com ele conviví pessoalmente durante as comemorações do décimo aniversário da Independência Nacional quando fui cobrir essas festividades em Tete. Tinha uma compleição física bem composta e forte. Lia-se nas suas conversas e no seu olhar, uma pessoa honesta e trabalhadora.

Conta-se que numa das oportunidades em que o jornalista Faruco Sadique, actual PCA da TVM esteve em Tete, Modiasse Piasse Mahachi pagou 12 (doze) refrescos ao bom do Sadique. Quer dizer, cada rodada de cerveja paga pelo Modiasse aos demais colegas e amigos na mesa, representava um refresco para Sadique. Ele que, como um bom muçulumano, não bebe. E como foram 12 (doze) rodadas........ o que não sei é se Faruco Sadique  teve efectivamente estômago para tanto. O que sei é que se manteve na mesa com o Modiasse, ouvindo-o a falar e admirando-o na dança.

Lembrei-me, durante esta campanha, deste homem divertido. Contador de histórias. Contagiante.  Nascido em Bindura, no Zimbabwe, de pai shona e mãe moçambicana.  Era gêmeo de uma menina. Gostava de ouvir as suas intervenções. Arrebatava-me a sua forma musical de comunicar, numa mistura de sotaque shona e nyúngwè. Imaginem a beleza dessa simbiose associada à língua portuguesa! Eu delirava quando no fim ele dizia: De Tete para a Rádio Moçambique, falou-vos Modiasse Piasse Mahachi !

A Luta Continua!

Alfredo Macaringue

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