Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

NÃO é apenas o Brasil que perde com a eleição de Jair Bolsonaro. Então, o que é que o Brasil perde com a vitória deste ilustre e controverso indivíduo? Para começar, perde o prestígio que vinha alcançando no que ao seu papel na promoção dos direitos humanos e, consequentemente, dos valores da democracia diz respeito. Em segundo lugar, perde o peso político e diplomático, factores que lhe “autorizavam” a impor-se durante os debates internacionais sobre temas estruturantes, tais como os relacionados com as mudanças climáticas, acordos comerciais, entre outros aspectos.

Membro do grupo político-económico conhecido por BRICS – Brasil, Índia, China e África do Sul, o país corre o riso de perder o pouco de influência que ainda detinha junto da organização. Em jeito de lembrete: o fórum foi criado, como se sabe, como contraponto ao chamado G-7, que é integrado pelos países mais desenvolvidos. A força do Brasil no grupo BRICS começou a declinar-se nos últimos anos do governo de Dilma Rousseff, tendo piorado durante o consulado de Michel Temer.

Por estes dias, o maior receio é, na minha opinião, o país ser retirado do fórum pelo actual presidente por achar irrelevante a sua presença. A exemplo do que aconteceu com os Estados Unidos da América – que foi retirado de vários organismos internacionais por determinação do controverso e polémico chefe do Estado, Donald Trump (DT). Aliás, e seguindo as peugadas do líder americano, JB acaba de surpreender (talvez nem tanto) o mundo com o anúncio de que tão cedo quanto possível, o Brasil vai transferir a sua embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém.

O anúncio foi feito através de uma comunicação na página de twitter do novo presidente. “Como afirmado durante a campanha, pretendemos transferir a Embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém. Israel é um Estado soberano e nós o respeitamos”, afirmou a propósito Jair Bolsonaro. A acontecer, o Brasil torna-se no maior país a fazer a mudança, que vai contra as aspirações dos palestinos que querem que Jerusalém seja a capital do seu futuro estado. 

O anúncio da transferência da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, vem juntar-se aos já conhecidos discursos xenófobos, misóginos, homofóbicos, racistas, fascistas, fascistas ditatoriais, muitos deles pronunciados durante a campanha eleitoral. Ora, tanto uma como outra das situações, merecem a condenação veemente da comunidade internacional. Ou seja, o Brasil, ao “inclinar-se” para as posições assumidas e defendidas pelos (actuais) Estados Unidos da América, põe-se à jeito para a condenação internacional.

O que África pode perder

Imediatamente após a vitória de Lula da Silva, África conheceu uma “corrida” significativa do Brasil, decidido a encontrar no chamado continente negro um campo para que as suas empresas e outros agentes económicos pudessem investir. O impulso ocorrido na era Lula, foi, na verdade, a continuação dos passos que haviam sido encetados por Fernando Henrique Cardoso entre 1995 a 2002, com o aumento do número de embaixadas - de 18 para 30 embaixadas e dois consulados-gerais. Reciprocamente verificou-se igualmente a abertura de postos diplomáticos dos países africanos no Brasil, sendo de destacar os exemplos de Benin, Guiné-Conacri, Guiné Equatorial, Namíbia, Quénia, Sudão, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. Entre 2003 e 2006, o número de embaixadores africanos acreditados em Brasília saltou de 16 para 25.

A interacção política entre o Brasil e países africanos resultou, nos últimos anos, no incremento das relações comercias, sendo de destacar particularmente o aumento dos investimentos brasileiros no continente, particularmente em Moçambique. Por exemplo, em 2004, o presidente Luís Inácio Lula da Silva anunciou o perdão de 95 por cento da dívida pública que Moçambique tinha com o Brasil, equivalente a cerca de 315 milhões de dólares americanos de um total de 331 milhões devidos. No mesmo período, o governo brasileiro ampliou as linhas de crédito para Angola, atingindo uma soma de 580 milhões de dólares americanos no triénio 2005/2007.

Marcelino SilvaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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