Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

BASTA amanhecer não vão passar dois minutos para ouvirmos dizer que fulano de tal morreu. Há indivíduos cuja morte é comparada a uma tragédia. Mas a maioria deixa o mundo sem que ninguém se aperceba, excepto um pequeno grupo da família do finado. Outros ainda nem a família toma conhecimento, se toma trata imediatamente de enterrar o corpo e esquecer tudo logo a seguir. Há casos ainda piores, em que alguém morre e o seu corpo é tratado como o de um cão vadio. É enterrado na vala comum como resíduo sólido de um município qualquer.

Não há dúvida de que as mortes não são iguais. Não vou fazer nenhuma comparação com a morte de Jesus Cristo, porque esse Homem estava acima dos humanos mortais. Porém, há mortes e há mortes. O que muitos ignoram é que depois da morte somos tratados de igual modo pelo Altíssimo, cada um recebendo o que plantou. Aqueles que tiverem semeado ventos vão colher tempestades. E os que abriram valas para irrigar os campos, irão receber uvas.

A morte está instituída desde que nascemos. Ela é antecedida de dor e pranto. Vejam a criança quando acaba de sair do ventre da mãe, ela chora, por se aperceber de que o mundo para onde ela é lançada é hostil. Está cheio de morte em todo o lado. Ninguém vai escapar!

O importante é levar a vida com dignidade. Com honestidade. Para amanhã não saborearmos os frutos brotados no jardim do diabo. Muitos começam a usufruir dessa festa de satanás aqui mesmo. E Deus não fez o homem para isso. A essência da existência segundo Deus era para que ele vivesse em paz e em amor. Comendo e bebendo de graça. Mas o casal formado por Adão e Eva “lixou-nos”. E o que nos resta são as mortes. Que se tornam mais dolorosas quando a pessoa atingida é-nos muito próxima.

Mesmo uma pessoa viva que amamos quando é transferida para um outro lugar geográfico deixa um vazio de saudade em nós. No abraço de despedida vezes sem conta fica uma lágrima no canto do olho. Imagina quando essa pessoa parte para sempre! Ou seja, morre!

Aqueles que conheceram pessoalmente Ezequiel Mavota, jornalista da Rádio Moçambique, perecido na última quarta-feira, em Maputo, vítima de doença, é claro que não vão ficar indiferentes. Eu pessoalmente tenho alguns apontamentos da nossa convivência ocasional há mais de 30 anos, que ficarão guardados de forma especial. Mavota pode ser um dos últimos pilares da geração de ouro de jornalistas que despontaram logo após a proclamação da independência nacional. Muito bom nas intervenções em directo. Este era, por assim dizer, o seu forte como profissional de rádio e a reportagem em directo em rádio é o exercício do jornalismo por excelência.

Outras coisas podem parecer pequenas, mas do lado onde estou, engrandecem o Ezequiel. Como o facto de mesmo já com visíveis sinais de doença nunca se ter recusado a aceitar novas missões, algumas das quais exigiam muito da sua própria saúde. Ele fazia parte dos que não sabiam dizer não!

Tal como defendia em vida, em tom irónico, se há algum lugar para o homem descansar em plena face da terra, ai é onde reside a maioria silenciosa, numa implícita alusão aos cemitérios!

E essa profecia, hoje, infelizmente, toca a vez a este profissional brilhante na nobre arte de fazer rádio em Moçambique.

Vai em paz, meu irmão!

Alfredo Macaringue

A Luta Continua!

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