Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

COMO foi largamente defendido e exaltado, pela primeira vez na história do futebol nacional, uma equipa de fora da capital do país cometeu a proeza de ganhar por duas vezes consecutivas o título de campeão nacional, o tal bicampeão.

Falo, claro está, da União Desportiva do Songo (UDS), uma colectividade fundada “apenas” em 1982,o que pode significar, muito provavelmente, que estejamos a lidar com um dos mais novos campeões nacionais.

Um campeão nacional, entretanto, a dar cartas também no plano internacional onde, recentemente, surpreendeu a “África” ao derrotar categoricamente por 3-0, em pleno Chiveve, o Todo Poderoso Mazembe, ou simplesmente o TP Mazembe, do Congo, uma das mais emblemáticas forças do futebol no nosso continente.

Lembro-me e escrevi nas páginas deste Jornal, que os jogadores do TP Mazembe, apesar de terem ganho a eliminatória graças ao resultado de 4-0 da primeira “mão”, não  festejaram.

Tinha sido, pois, uma grande humilhação perder 3-0 com um ilustre desconhecido sem qualquer história no futebol africano.

De facto, foram reduzidos e saíram cabisbaixos do caldeirão do Chiveve, poisnunca lhes tinha passado pela cabeça um resultado como aquele.

Escusado também recordar que, a partir daí, os adversários seguintes estavam todos de sobreaviso, porque essa UDS tinha goleado o Mazembe.

Foi, por assim dizer, o maior resultado alcançado pelo campeão moçambicano em jogos internacionais.

E mais, rezam as crónicas que no desafio da primeira “mão”, no Congo, o Mazembe precisou da ajuda do árbitro que anulou um golo limpinho dos moçambicanos, que podia ter dado outro rumo ao jogo e à eliminatória.

Para dizer, portanto, que a UDS estava muito bem em condições de derrubar o TP Mazembe.

É este, pois, o novo campeão nacional que já em finais do corrente mês volta atacar a África,sendo de esperar que volte a fazer os moçambicanos sorrirem.

Só não estou muito de acordo quando alguns compatriotas enaltecem o facto de a UDS ser uma equipa de uma vila.

Ou seja, não concordo muito com a ideia de juntar ou realçar o mérito à sua proveniência, a vila do Songo.

Penso que postas as coisas nestes termos estaríamos a comparar a vila do Songo às muitas outras que temos no país.

Ora, Songo não é uma vila qualquer neste país. É uma vila que, precisamente, alberga uma das maiores (ou a maior?) empresa deste país.

Uma empresa que é a única e exclusiva patrocinadora do clube e que, pelo seu gabarito, transformou os seus jogadores nos mais bem pagos no contexto nacional.

Todo o jogador moçambicano de futebol hoje gostaria de jogar na UDS.

Eliseu Bento

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