Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

Acento tónico: Construir à  distância (concl.) - Júlio Manjate - (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

A RECUPERAÇÃO do Jossefa foi rápida, pelo menos do ponto de vista emocional. É que foi duro o golpe sofrido com aquele calote do guarda e do pedreiro. Se fosse homem de pouca fibra, certamente que teria atirado a toalha ao chão, e desistir da aventura de construir à distância.

No entanto, Jossefa decidiu que, dali para frente, o controlo do material para a obra seria milimétrico, do tipo conferir a quantidade de blocos usados em cada fiada. 

Decidiu também que o cimento jamais seria descarregado em “magotes”, nem o ferro seria “despachado” às dezenas.

O novo guarda, contratado por recomendação de um amigo com alguma experiência nessas lides de construir à distância, era um homem desmobilizado, escuro e de feições  pouco habituais.  Recusava comunicar-se numa outra língua que não fosse a sua, que infelizmente só ele entendia na zona. Isso ajudava-o a manter-se distante do resto da comunidade, agindo como uma espécie de PitBull… racional.

Só se comunicava em português com Jossefa, o  seu patrão.

Antes de retomar a obra, Jossefa reuniu-se com o guarda e com o também novo pedreiro. Era preciso colocar os pontos nos “is”. O primeiro embate tinha sido suficientemente duro, profundo  e cheio de lições para o resto da vida. Ficou a saber, por exemplo, que duas das dependências  que reluziam no seu quarteirão,  tinham sido erguidas com parte dos blocos, areia e pedra que eram vendidos em carrinhos de mão pelo anterior guarda.

Não lhe faltava vontade de reclamar co-propriedade daquelas habitações, mas faltavam-lhe evidências do tipo “flagrante delito”.

Algumas semanas depois, Jossefa voltou à obra e ficou maravilhado com o ritmo dos trabalhos. Na verdade, dali para frente a obra evoluiu até à cobertura e acabamentos, sem qualquer reporte de desvios. A vigilância era cerrada!

A bronca só voltou na hora das pinturas.

Jossefa perdeu várias horas na Internet, a pesquisar a melhor combinação de cores para a sua casa.

Seleccionadas as cores e idealizada a sua distribuição pelas paredes da casa, interiores e exteriores, Jossefa adquiriu vinte baldes  de tinta original,  daqueles de 20 litros cada, que a seguir enviou ao cuidado do seu guarda, por quem já desenvolvera alguma confiança.

O pintor foi escolhido a dedo entre os jovens artesãos que pululam na grande cidade, oferecendo trabalho a custos módicos. Jossefa explicou tudo, ao detalhe, sobre que cor iria para cada parede, numa sessão que se prolongou por várias horas.

Quando voltou ao terreno, três semanas depois, Jossefa voltou a desmaiar, desta feita antes mesmo de entrar no seu quintal, ao perceber que as decorações que se viam numa das paredes exteriores da casa são as que ele recomendara para a sala de visita!

Não se sabe por que carga de água mas, o pintor fizera tudo ao contrário do que lhe tinha sido recomendado, ao  extremo de ter usado o zarcão que era para as grades e portões, para “borrar” uma das  paredes da sala e a totalidade do quarto das crianças.

A explicação para isso foi que  o conteúdo de alguns baldes da tinta, adquirida à  porta da fabrica, era diferente do que era prometido nos rótulos. Era muito azar junto para uma só pessoal… Uma semana depois, Jossefa refez se de mais este dano material e emocional.

Ontem, foi visto na obra, sobre andaimes, pintando pessoalmente uma das paredes de sua casa.

Júlio Manjate - (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

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