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De vez em quando: “Diogo” da Katembe - Alfredo Macaringue

 

HÁ quem diga que o “Diogo” faz parte do passado. Que foi esmagado pelas rodas do tempo. Isso é mentira. “Diogo” é um vulto presente, mesmo estando hoje limitado nos seus movimentos por conta de uma doença que pode ser de origem cardiovascular. É uma figura cuja estatura cresceu há anos à dimensão da própria Katembe.

No passado sábado estava eu sentado em casa a assistir a todas as movimentações inerentes à inauguração da Ponte Maputo-Katembe, muito longe de pensar que nas imagens transmitidas pela televisão iria ser focada uma figura pertencente à história. À história da Katembe e, por via disso, de Maputo também. Porque em tempos, de Maputo faziam-se travessias intermináveis com o propósito de ir degustar de um bom camarão no Restaurante Diogo.

“Diogo” estava ali sentado entre várias personalidades, não sei bem se numa cadeira de rodas ou numa normal, já que na perspectiva do “câmera-man” só podíamos vê-lo dos ombros para cima. Mas via-se perfeitamente que era o “Diogo”. E imediatamente renovaram-se as memórias do camarão e da cerveja, consumidos à fartura no lugar emblemático da Katembe. Naquele tempo bom.

Para mim, Katembe tem que partir daqui: do “Diogo”. É a partir do “Diogo” que vou à busca do antes e do depois. A ponte é de agora. Agora que este homem já não consegue suster-se sobre as suas pernas. Os repórteres deviam ter-se aproximado dele, mas não o fizeram. Não para lhe ouvir falar das possibilidades que a ponte oferece para o desenvolvimento económico, mas para ouvir os “contos de fada”, que são muitas naquela cabeça de origem goesa.

Se os pilares da nova ponte fossem as pessoas, uma dessas pessoas seria o “Diogo”, pela sua existência discreta. Pela sua afabilidade e disponibilidade para servir o próximo. Pela sua solicitude. E mais do que isso, pela sua entrega ao trabalho. Ele é, por assim dizer, um dos ícones vivos da Katembe.

A ponte Maputo-Katembe, sem dúvida, é o orgulho de todos os moçambicanos. Quem construiu aquela obra, segundo as palavras do Presidente Nyusi, é o povo moçambicano. Essas palavras, aliás, vieram dissipar de uma vez por todas quaisquer eventuais equívocos. “Quem construiu esta ponte é o povo moçambicano”. Incluindo o “Diogo”.

Hoje, o tempo mudou as coisas na Katembe, como mudou em todo o lado. Em todo o mundo. Mas há coisas que o tempo nunca vai mudar, uma dessas coisas é o passado do “Diogo”. Sinto-me privilegiado de ter sido uma das pessoas que estiveram perto dele algumas vezes, quando ainda tinha o peito aberto. Vigoroso. Quando ainda tinha a capacidade de descer à praia e controlar as redes do camarão.

Deu para matar saudades de um tempo, quando vi o “Diogo” na televisão. Quase sem iniciativa. Quase sem poder manter o ritmo. A vida é assim mesmo. Há coisas que superam os nossos desejos e as nossas capacidades.

Um abraço forte para o “Diogo”.

A luta continua!

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