Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

DIALOGANDO: Espírito de solidariedade que já perdemos!  (Mouzinho de Albuquerque)

 

UM estudioso brasileiro disse que “a solidariedade faz bem a quem dá e a quem recebe. Faz bem a quem dá, pois, é dando ou acudindo que nos realizamos como pessoas humanas, seres criados para viverem em relação fraterna. Faz bem a quem recebe, sente bem que tem irmãos na comunidade, que o amam ou ajudam”.

Que bom seria se todos, neste caso nós moçambicanos, tivéssemos esse pensamento na nossa convivência social! 

Até porque já diz o ditado popular que “às vezes somos muito mais sensíveis com os comportamentos ou males dirigidos a nós do que nós mesmos o fazemos com outras pessoas”. Todavia, costuma-se dizer que é nos momentos mais difíceis que se conhecem os verdadeiros amigos.

O facto aqui é que diariamente nos deparamos com cenas de violência em quase todo o país por vários motivos, aliás, em algum momento Moçambique tende a ser um dos países mais violentos do mundo, como produto, em parte, segundo se diz, da existência de profundas desigualdades sociais e desemprego. Pois, alguns usam a violência como garantia da sobrevivência.

Assistimos, principalmente nos espaços dos grandes centros urbanos, as diversas formas de violência como assassinatos, roubos, assaltos, abuso sexual ou estupro de mulheres, sequestros e outros tipos de crimes contra as pessoas inocentes. Por outro lado, as brigas entre cidadãos é a forma mais comum de violência nas ruas, discotecas, escolas, postos de trabalho e noutros locais, causadas geralmente ou nalguns casos pelo consumo de bebidas alcoólicas ou drogas.

Entretanto, no meio de tanta violência ou brigas de qualquer índole nota-se a falta de solidariedade entre cidadãos moçambicanos. Há muita indiferença ou falta de espírito de solidariedade quando um cidadão está a ser agredido, tal como aconteceu com uma cidadã. Os moçambicanos não estão a ser sensíveis às agressões por que passam muitos dos seus concidadãos. Em alguns casos, as pessoas alegam terem medo de serem agredidas pelos agressores.

Esse medo e a insensibilidade condicionam a solidariedade com os agredidos. Por exemplo, sábado assistimos no bairro de Napipine, na cidade de Nampula, uma mulher que, para fugir de tanta agressão do seu cunhado, correu para a rua para pedir socorro aos vizinhos.

Mesmo com gritos de ajuda, ninguém respondeu à altura. Uma cena semelhante aconteceu no Mercado de Muatala, na mesma cidade, em que uma jovem foi vítima de agressão de um marginal até perder o seu telemóvel. Apesar de muita gente ter acorrido ao local de agressão, ninguém interveio em auxílio da vítima. A agressão acabou quando agentes da lei e ordem chegaram.

Na rua dos Combatentes, um funcionário público, que teve uma discussão com um comerciante ambulante, este começou a agredi-lo com socos e depois pegou na faca e esfaqueou-lhe no pescoço. Acreditamos que se alguém dos muitos transeuntes que assistiram a briga tivesse espírito de solidariedade, o pior não aconteceria com o funcionário.

Portanto, estes são alguns exemplos de agressões ou brigas recorrentes que assistimos no país e que não estamos a ser solidários no sentido de socorrer os agredidos ou acudir as brigas. A justiça pelas próprias mãos (os linchamentos) também é exemplo de falta de espírito de solidariedade entre cidadão no processo de combate à criminalidade no país.

Contudo, porque não estamos indiferentes ao que se passa nos país, tal como noutros assuntos, não estamos igualmente pessimistas em que um dia Moçambique possa voltar a cultivar a prática de solidariedade de que estamos a falar aqui.

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