Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

RETALHOS E FARRAPOS: Mano Quito vai voltar (Hélio Nguane-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

JÁ cumpriu a pena, vai sair da cadeia. Todos já sabem. A notícia se “estacionou” no bairro, todos levaram-na para a direcção que mais lhes convinha. A alta velocidade, a informação atropela os inimigos do homenzinho, que já estavam confortáveis com a reclusão do tipo.

Os vizinhos já não se recordavam do mano Quito. Pensavam que estivesse na África do Sul a desfrutar dos prazeres que o “rand” podeoferecer. “Ele vai voltar. É facto”, repetiam em cochicho, para depois lançarem várias questões que o tempo tem as respostas.

Estaria a mentir se dissesse que a boa nova trouxe sorrisos à família do recluso. Mano Quito era adorado, mas todos já aprenderam a viver sem ele. Paula aprendeu a alimentar os filhos sem ele. Saiu da casa do recluso com os três filhos que fizeram. A sogra tentou lutar contra, ameaçou, mas nada.

Desde ontem, Paula já não pega sono. Recusa a visita do  parceiro, que alimenta os filhos do recluso.

“Mas ele vai voltar, é facto. O que fazer, voltar também?”, questionava para o seu íntimo. A resposta tardava. Limpa o rosto com água. Por vezes, fraqueja e solta  uma lágrima de rancor e afecto. Possuída pela raiva, recusa voltar à casa, o seu corpo pede o toque daquele homem, mas o mesmo não quer sentir a força, a rebeldia daqueles braços em dias de discussão.

O seu coração palpita, Quito fazia tudo por ela, enchia-lhe de presentes, que nem sabia a origem. O seu peito dispara, quer ver o pai dos filhos.   

“Ele vai voltar, é facto!”.

As ruas clamam pelas pegadas daquele homem, que sabe esconder as suas pegadas. Os becos sentem saudades, querem ser esquina, a base militar e ideológica daquele tipo.

Os polícias que rondam o bairro já sabem do retorno. Quando recordam de Quito, as suas gargantas vibram de emoção, sabem que terão o refresco que precisam para silenciar a cede.

“Ele vai voltar, é facto”, está mais velho, passaram-se 10 anos e o seu primeiro filho, de 7 anos, já é adulto e conhece a arte do pai como ninguém. Venera a mãe, idolatra o “curriculum vitae” do pai e cita-o sempre que necessário.

“Ele vai voltar, é facto”, o medo de perder os bens atormenta. O bairro já não será o mesmo, pois ele vai voltar. É facto.

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