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DE VEZ EM QUANDO: Arune Valy: irmão das batalhas sem fim (Alfredo Macaringue)

 

COMO já havia dito, com muito prazer, num dos meus recentes textos publicados neste espaço, há profissionais da Rádio Moçambique que me marcam de forma particular. Pelo tempo de serviço e pelo seu exemplar percurso profissional. De entre poucos, um deles é Arune Valy. Talhado no calor tórrido de Tete. E expandido para todo o país, e não só, mais pela via das suas crónicas semanais.

Gosto de ouvi-lo contar histórias. Escuto-o atentamente, não como um crítico, mas como um ouvinte que se arregala com aqueles labirintos pelos quais o Arune nos mete. Sem se importar com os que o podem crucificar pela linguagem que ele escolheu para ser a sua marca.

Não tenho qualquer receio em afirmar que no modo peculiar de cronicar de Arune Valy o que conta muito é a forma desinteressada como o faz. A liberdade nele é total. A criatividade é assinalável, usando termos que nos obrigam a prestar atenção de tal modo que chegamos a experimentar o prazer de escutar alguém. É divertido. Ajuda-nos de certa forma a baixar a pressão arterial, que anda muito alta pelos dias que correm.

A última intervenção de Arune que ouvi foi na passada terça-feira, no “Jornal da Manhã” da Rádio Moçambique, se não estou em erro. Ele exalta a honestidade de uma mulher que embarca num autocarro na “Brigada Montada”, creio que em Maputo. A criatura entrou pela porta da frente e encontrou um banco disponível onde se sentou imediatamente. O cobrador estava a facturar “cá atrás”. Chegado ao destino, a passageira ainda não tinha sido atingida pela cobrança. Levantou-se, pegou na moeda e colocou-a num canto junto ao motorista e foi-se embora, livre de não ter cometido qualquer contrafacção.

Arune Valy surpreendeu-se com o gesto, que para ele revela a grande dimensão de honestidade interior daquela mulher, porque nas condições em que se encontrava, naquela confusão, podia ter ido embora sem pagar. O que o bom do Arune não sabe, segundo ele próprio, é se o motorista entregou a moeda ao cobrador ou não.

Ri-me com gosto e prazer quando ouvi aquela passagem, contada ao jeito de um homem que não se farta de contemplar o rio Zambeze e beber um bom sumo de malambe para melhorar as “coisas” com a mamã lá em casa. E eu disse cá para os meus botões: este é o Arune Valy que nos conhecemos lá vão décadas!

O “irmão das batalhas sem fim” ainda contou outra na mesma crónica. Disse que estava na fila do ATM e aconteceu o seguinte: “dois jovens que estavam à minha frente, olhando para a minha calvice, acharam que eu devia ter prioridade, e por isso tinha que lhes adiantar. Recusei-me e respondi-lhes que estava bem onde estava. Mas eles insistiram e eu acabei aceitando”.

Estas pequenas histórias parecem de nada, mas elas são valorizadas por Arune Valy, uma pessoa humilde e acolhedora, que me faz lembrar as perturbadoras palavras de Jesus Cristo quando nos ensina o seguinte: “aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham, serão exaltados”!

Um abraço forte para ti, Arune!

A Luta Continua!

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